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De: Sergio Gabardo Data: 28/03/2012 16:32:16
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Assunto: O país da impunidade
Hoje estava pensando e confesso que acabei me surpreendendo. É que nesta quinta-feira, 29, se completam 77 meses da morte do meu filho Mário. Puxa, fiquei impressionado com o passar do tempo, pois parece que foi ontem que havia mandado a correspondência eletrônica sobre os 76 meses do brutal assassinato do meu filho Mário, ocorrido na noite de 29 de setembro de 2005. Era um grupo de jovens que, uma vez por semana, se reunia para confraternizar de maneira simples, com um churrasquinho e saudável, para matar a saudade e lembrar de quando eram menores, todos colegas do ensino fundamental. Mas como vocês sabem, meu filho Mário não conseguiu chegar ao destino. Poucos minutos antes, teve sua vida ceifada prematuramente, aos 20 anos, por dois bandidos que até hoje, pelo mais hediondo descaso das chamadas autoridades da área da segurança pública, não se sabe quem é ou a mando de quem estavam. Um crime popularmente conhecido como “insolúvel”, palavra que resume a falta de vontade política tanto da Polícia Civil, quanto do Ministério Público e até mesmo da Prefeitura Municipal de Canoas, cidade onde ocorreu o assassinato inexplicável. Este breve relato serve de alívio e consolo para mim, que tenho amigos como vocês, com quem posso compartilhar minha dor de Pai, ignorada de forma grosseira pelas autoridades da área da segurança pública que sequer quiseram me receber em seus luxuosos gabinetes sustentados pela sociedade. Por gente como eu e como você, que pagam seus impostos rigorosamente em dia, mas que não são respeitados pelo poder público. Enquanto escrevo estas poucas linhas, volto a pensar no meu filho Mário (como faço todo o santo dia) e as lágrimas tomam conta dos meus olhos. A dor começa a aumentar e a apertar meu peito de Pai que teve seu filho assassinado de maneira tão brutal. É a saudade que me invade aliada ao sonho de como seria a vida se meu filho Mário estivesse ao nosso lado: uma felicidade indescritível, naturalmente vivenciada por essas autoridades que certamente convivem com seus filhos e, portanto, não passaram pelo que estou passando. Dezenas e dezenas de vezes tentei chamar a atenção dessas autoridades, surdas, ou que só ouvem o que lhes convém. Nunca se dignaram em receber o Pai que perdeu o filho inexplicavelmente. Talvez porque eu não seja o único. Talvez por receio de que eu fosse o porta-voz de outros tantos que continuam, como eu, a viver na incerteza de não saber o que efetivamente aconteceu com o seu filho. Temem por explicações que não podem ser dadas por conta do descaso com que tratam grande parcela da sociedade gaúcha. Mas minha luta, com a ajuda de cada um de vocês, vai continuar. Estarei cobrando dessas autoridades, o que me devem como cidadão: o direito sagrado de saber, como pai, quem foram os assassinos do meu filho Mário e quem foram os mandantes, para que sejam encaminhados à nossa Justiça. Este direito ninguém poderá me negar. E cobrarei das autoridades constituídas, até o último dia da minha vida. São 2.310 dias de angústia; 55.440 horas esperando uma explicação; 3.326.400 minutos de saudade e dor intensa! Sergio, Pai do Mário
O país da impunidade
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