O país da impunidade

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Sergio Gabardo

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Mar 28, 2012, 5:40:23 PM3/28/12
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Assunto: O país da impunidade
 
 

 

Hoje estava pensando e confesso que acabei me surpreendendo. É que nesta quinta-feira, 29, se completam 77 meses da morte do meu filho Mário. Puxa, fiquei impressionado com o passar do tempo, pois parece que foi ontem que havia mandado a correspondência eletrônica sobre os 76 meses do brutal assassinato do meu filho Mário, ocorrido na noite de 29 de setembro de 2005.

 Era um grupo de jovens que, uma vez por semana, se reunia para confraternizar de maneira simples, com um churrasquinho e saudável, para matar a saudade e lembrar de quando eram menores, todos colegas do ensino fundamental.

Mas como vocês sabem, meu filho Mário não conseguiu chegar ao destino. Poucos minutos antes, teve sua vida ceifada prematuramente, aos 20 anos, por dois bandidos que até hoje, pelo mais hediondo descaso das chamadas autoridades da área da segurança pública, não se sabe quem é ou a mando de quem estavam. Um crime popularmente conhecido como “insolúvel”, palavra que resume a falta de vontade política tanto da Polícia Civil, quanto do Ministério Público e até mesmo da Prefeitura Municipal de Canoas, cidade onde ocorreu o assassinato inexplicável.

Este breve relato serve de alívio e consolo para mim, que tenho amigos como vocês, com quem posso compartilhar minha dor de Pai, ignorada de forma grosseira pelas autoridades da área da segurança pública que sequer quiseram me receber em seus luxuosos gabinetes sustentados pela sociedade. Por gente como eu e como você, que pagam seus impostos rigorosamente em dia, mas que não são respeitados pelo poder público.

Enquanto escrevo estas poucas linhas, volto a pensar no meu filho Mário (como faço todo o santo dia) e as lágrimas tomam conta dos meus olhos.

 A dor começa a aumentar e a apertar meu peito de Pai que teve seu filho assassinado de maneira tão brutal. É a saudade que me invade aliada ao sonho de como seria a vida se meu filho Mário estivesse ao nosso lado: uma felicidade indescritível, naturalmente vivenciada por essas autoridades que certamente convivem com seus filhos e, portanto, não passaram pelo que estou passando.

Dezenas e dezenas de vezes tentei chamar a atenção dessas autoridades, surdas, ou que só ouvem o que lhes convém. Nunca se dignaram em receber o Pai que perdeu o filho inexplicavelmente. Talvez porque eu não seja o único. Talvez por receio de que eu fosse o porta-voz de outros tantos que continuam, como eu, a viver na incerteza de não saber o que efetivamente aconteceu com o seu filho. Temem por explicações que não podem ser dadas por conta do descaso com que tratam grande parcela da sociedade gaúcha.

Mas minha luta, com a ajuda de cada um de vocês, vai continuar. Estarei cobrando dessas autoridades, o que me devem como cidadão: o direito sagrado de saber, como pai, quem foram os assassinos do meu filho Mário e quem foram os mandantes, para que sejam encaminhados à nossa Justiça. Este direito ninguém poderá me negar. E cobrarei das autoridades constituídas, até o último dia da minha vida.

São 2.310 dias de angústia;

55.440 horas esperando uma explicação;

3.326.400 minutos de saudade e dor intensa!

Sergio, Pai do Mário

 

 

O país da impunidade

<br /><b>Crédito: </b> ARTE JOãO LUIS XAVIER

Crédito: ARTE JOãO LUIS XAVIER

Crédito: ARTE JOãO LUIS XAVIER

Agora é definitivo. Não há mais o que discutir. Como dizem os velhos homens de imprensa, não se pode brigar com os fatos. Notícia é notícia. A verdade impõe-se. Está provado, sacramentado e oficializado: o Brasil é o país da impunidade. Ah, bom! O caro leitor já sabia disso? Pode ser, mas uma prova contundente é sempre melhor do que uma impressão arraigada. Sim, o Brasil é o país da impunidade. Isso ficou demonstrado por um novo estudo. É verdade que os estudos provam numa semana que o chocolate faz mal e na semana seguinte demonstram o contrário. Até a carne de porco já foi condenada, reabilitada, absolvida, louvada, recomendada e, finalmente, limitada. É assim mesmo: as pesquisas competem pela verdade. Uma busca ser mais verdadeira do que a outra. É pau puro.

O importante aqui é reafirmar: o Brasil é o país da impunidade. Está provado também que, como alertam os mais lúcidos, a impunidade não para de crescer entre nós. Tanto o Brasil é o país da impunidade que, segundo dados do Ministério da Justiça, apenas um brasileiro adulto em cada 262 está na prisão. Que número irrisório! Apenas um em cada 262 adultos da população adulta brasileira está encarcerado. São Paulo, locomotiva brasileira, tem índices melhores: um em cada 171 adultos está em cana. Só isso? Temos apenas a terceira maior população carcerária do mundo entre os dez países mais populosos. Como se vê, cristalinamente, o crime compensa por aqui. Pouca gente vai para a cadeia. Isso é culpa das leis brandas que impedem a prisão dos consumidores de drogas. Não fosse assim, teríamos certamente um em cada 60 brasileiros adultos atrás das grades. É muita impunidade realmente.

Se o álcool fosse considerado uma droga ilícita, dado que causa mais estragos do que muitas drogas proibidas, aí poderíamos ter, quem sabe, um em cada três brasileiros na cadeia. Enfim, orgulhosos, poderíamos declarar o fim da impunidade no Brasil. A maioria dos presos brasileiros não está na cadeia por matar ou roubar - atos que dificilmente deixarão de ser crimes no futuro próximo ou longínquo -, mas por tráfico de drogas, um crime que poderá desaparecer se um dia o consumo e o comércio de drogas forem legalizados. É sempre bom lembrar que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso está entre os que consideram o atual modelo de combate ao uso de drogas ultrapassado. De fato, somos o país da impunidade. Raramente um peixe grande mofa na prisão.

Tanto somos o país da impunidade que temos mais gente presa sem julgamento do que nos Estados Unidos - 40% contra 21%. Como é que pode? Por que o CNJ não pune o Judiciário por cometer essa arbitrariedade com os presos? Como pode o Judiciário ficar assim impune? É como eu sempre digo: somos o país da impunidade. Só seremos um país moderno e sem impunidade, pelo jeito, quando um em cada cem brasileiros passar a vida atrás das grades. Os especialistas garantem que esse sistema não funciona. Torna violento quem não era. Os especialistas, como é bem sabido, defendem a impunidade. Que situação irônica.

Juremir Machado da Silva | jur...@correiodopovo.com.br

 
 
 
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