Quando morrem os pais, perde-se o passado, mas quando morre um filho perde-se o futuro.

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Sergio Gabardo

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Jan 28, 2012, 11:16:39 AM1/28/12
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Quando morrem os pais, perde-se o passado, mas quando morre um filho perde-se o futuro.

A campanha Justiça Seja Feita, da organização não-governamental Brasil Sem Grades, que se assiste na televisão, mostra a verdade nua e crua vivida por milhares de pessoas de nosso país. Fruto, naturalmente, da inoperância ou descaso das autoridades constituídas que tem a obrigação constitucional de investigar toda a espécie de crime que diariamente assola nossas vidas.

 

E o assassinato do meu filho Mário, ocorrido na noite de 29 de setembro de 2005, se enquadra perfeitamente nessa dolorosa, mas necessária campanha. E a indagação persiste mesmo 75 meses depois da sua brutal morte; “cadê a Justiça?”

 

No próximo domingo, estará completando 2.250 dias em que meu filho Mário, um jovem de apenas 20 anos, foi assassinado momentos antes de chegar à casa de amigos de infância, onde estava marcada uma confraternização. Nunca se conseguiu descobrir o que realmente aconteceu naquela noite na cidade de Canoas (ao lado de Porto Alegre) e tampouco quem o assassinou, quem mandou e os motivos pelos quais meu filho Mário, estudante de Direito, teve sua vida ceifada tão precocemente.

Durante esse período todo, tenho me esforçado sobremaneira para conseguir conviver sem a presença física do meu filho Mário, um jovem que nunca cultivou inimizades, jamais teve envolvimento com qualquer tipo de droga e era querido por todos aqueles que de alguma forma o conheciam.

Debrucei-me centenas de noites para tentar encontrar uma explicação. Cobrei (e continuo cobrando) das autoridades da chamada área de segurança pública, resultados. Fui tratado com o mais hediondo descaso de que já tive notícias. Passei horas e horas tentando contato com os inúmeros secretários de segurança que ocuparam o cargo ao longo desses 75 meses (e não foram poucos os que já sentaram naquela cadeira), mas nenhum teve a vontade política sequer de me receber.

Por anos tenho convivido com essa dor intensa que me atinge o peito e que faz brotar lágrimas a qualquer hora do dia ou da noite. É o choro de um pai que perdeu o filho amado, mas que não encontrou em nenhum ente público, a forma certa para sensibilizar as autoridades constituídas. Falta-me, quem sabe, votos suficientes para conseguir convencer essas autoridades a acabarem de vez com o descaso e me apresentarem o resultado que um cidadão de bem exige do poder público.

Polícia Civil, Prefeitura de Canoas (onde ocorreu o homicídio), Ministério Público, o guardião da sociedade, secretaria da segurança e poder Judiciário. Onde estão todos?

Por que ninguém consegue dar a um pai que perdeu seu filho, uma explicação razoável? Simples: preferem tratar o assassinato do meu filho Mário apenas como mais um número na gigantesca estatística dos crimes não solucionados. Decisão simplória, porque o Mário não é parente de nenhuma autoridade. Se fosse, certamente a história seria outra e seus assassinos já teriam sido identificados e encaminhados para julgamento na Justiça.

O descaso (hediondo, repito) com que essas autoridades trataram o assassinato do meu filho Mário, tem a nítida conotação de tentarem, em vão, calar-me. Jamais conseguirão, pois enquanto restar um sopro de vida em mim, estarei cobrando o que me é de direito: saber o que realmente aconteceu com o meu filho Mário, quem o assassinou, porque, e a mando de quem. Esse direito que tenho, como Pai, ninguém conseguirá tirar de mim.

 

Sérgio, Pai do Mário

 

 
 

'Tudo o que é necessário para o triunfo do mal, é que os homens de bem nada façam' . (Edmund Burke)

 
 
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