A NBR 15.524-2 uma das normas da ABNT que oferece orientaes para o projeto, clculo, montagem e utilizao de estruturas portapaletes. Ela aborda a melhor forma de conduzir as cargas pelos armazns, as formas de operao do sistema e a conservao do local e dos itens contidos nele.
Esta nova norma, voltada para os portapaletes, j foi concluda e est sob a ltima reviso com a ABNT. Em breve, ser lanada para consulta nacional por um perodo de 30 dias. Durante esse perodo, se no houver nenhuma objeo fundamentada em argumentos tcnicos, a norma pode, oficialmente, ser disponibilizada para os usurios. A reviso dessa norma comeou em fevereiro de 2017.
No momento, o comit tambm est trabalhando em uma norma para sistemas tipo drive-in e drive-through, ainda inexistente no Brasil. Esta norma est sem previso de trmino, mas pelo andamento do projeto, talvez seja lanada no segundo semestre de 2024.
Vale destacar que os participantes do comit so, geralmente, representantes tcnicos das empresas que fornecem esses sistemas e projetistas do ramo, mas acadmicos e usurios tambm podem participar. Os representantes tcnicos, projetistas e acadmicos usualmente contribuem tecnicamente, compondo e discutindo cada parte do texto; j os usurios, geralmente participam com o intuito de se manterem atualizados.
Como explica Luiz Muniz, diretor-executivo da consultoria Telos Resultados, essas normas desempenham um papel crucial ao estabelecer diretrizes claras para o projeto, fabricao, instalao e manuteno de estruturas de armazenagem. Com uma norma mais abrangente e rigorosa, as empresas tero um conjunto de diretrizes mais slido para seguir, o que pode resultar em estruturas mais seguras e eficientes. Isso, por sua vez, pode reduzir o risco de acidentes no local de trabalho, minimizar danos aos produtos armazenados e melhorar a gesto do espao de armazenamento, contribuindo para a eficincia operacional da logstica industrial.
Tambm para Hlio Aparecido Camarotto Filho, engenheiro, e Guilherme Valdo Faria, engenheiro Tcnico Responsvel, ambos da ISMA, a criao de novas normas tcnicas que versam sobre os sistemas de armazenagem ir ocasionar um aumento significativo na segurana e na eficincia da logstica praticada no Brasil.
Por sua vez, quanto eficincia logstica, Faria aponta que as novas normas proporcionaro aos projetos destes sistemas maiores nveis de padronizao, a partir de concepes mais racionalizadas, culminando positivamente no melhor aproveitamento do volume armazenvel, em boas prticas operacionais e at em um melhor retorno sobre o investimento.
Embora muitas normas tcnicas associadas Engenharia de Estruturas atualmente vigentes no Brasil sejam baseadas em normas americanas, os novos cdigos (normas) especficos para Sistemas de Armazenagem foram inspirados nas normas Europeias. Sendo assim, boa parte dos contedos se assemelha s preconizaes do cdigo europeu, exceto em algumas aplicaes, quando normas regionais predominam, como o caso das especificidades de materiais, dos modelos de aes e segurana e da previso de aes influenciadas por fatores locais, como ventos, sismos e at neve.
Desta forma, apontam os engenheiros da ISMA, possvel afirmar que as empresas brasileiras que atenderem s novas normas estaro equalizadas aos produtos, prticas e solues adotadas no mercado europeu, a despeito das excees mencionadas. A opo pela base europeia se deu pela abrangncia destes cdigos, considerados os mais completos em nvel mundial.
Tambm falando sobre as principais diferenas entre as normas brasileiras para estruturas de armazenagem e as normas europeias e americanas, e como isso afeta a competitividade das empresas brasileiras, Muniz, da Telos Resultados, mais especfico. Segundo ele, as principais diferenas entre as normas brasileiras, como a ABNT 15524, e as normas europeias, como as EN 15512 e EN 15620, e as normas americanas, como a ANSI/RMI MH16.1, so:
A prtica atual dos fornecedores recorrer a cdigos estrangeiros, que podem no corresponder realidade do mercado brasileiro no que se refere aplicao e utilizao do Sistema de Armazenagem, o que pode resultar, tambm, em uma soluo passvel de melhorias.
Para Muniz, da Telos Resultados, a expanso das normas para abranger diferentes tipos de estruturas apresenta desafios especficos relacionados complexidade tcnica e diversidade de requisitos de projeto e segurana. As empresas devero se adaptar a essas mudanas investindo em treinamento e desenvolvimento de pessoal qualificado, bem como na aquisio de tecnologias avanadas de projeto e simulao. Alm disso, a colaborao com fabricantes de estruturas de armazenagem e consultores especializados desempenha um papel importante na garantia de conformidade com as normas expandidas.
Como consequncia, menos espao utilizado para armazenar maiores quantidades de bens, o que, de certa forma, permite a aproximao dos centros logsticos e pode viabilizar a utilizao de reas que por si s no atenderiam demanda de um armazm.
Responde mesma questo, o diretor-executivo da Telos Resultados destaca que as estruturas de armazenagem desempenham um papel fundamental na otimizao da cadeia de suprimentos, pois afetam diretamente a capacidade de armazenamento, o acesso aos produtos, a movimentao eficiente e a segurana dos trabalhadores. Com normas atualizadas e mais rigorosas, as empresas podem projetar sistemas de armazenamento que melhor atendam s suas necessidades especficas, reduzindo tempos de espera, minimizando erros no picking e aumentando a capacidade de resposta s demandas do mercado. Isso contribui para uma logstica mais eficiente, reduzindo os custos operacionais e melhorando a satisfao do cliente.
A criao da NBR 17150 vai significar a anulao de um gap de mais de quinze anos, onde muitos aspectos relacionados Engenharia de Estruturas evoluram consideravelmente. Como consequncia, a nova verso do cdigo ficar compatvel com outras normas tcnicas, em termos de metodologias, convenes e nomenclaturas.
Afonso Moreira, CEO da AHM Solution, empresa especializada em produtividade e reduo de danos em operaes logsticas, destaca que estes acidentes podem resultar de mltiplos fatores. Alguns deles, como projeto inadequado, falta de manuteno ou sobrecarga, podem ser prevenidos pelo cumprimento de normas de fabricao, implantao e uso desses equipamentos. Outras ocorrncias, no entanto, so consequncia da interao de pessoas e mquinas com essas estruturas, principalmente em condies de falta de visibilidade dos operadores durante as movimentaes de cargas.
J pelo lado da ISMA, os engenheiros dizem que, na maioria dos casos, os sinistros envolvendo Sistemas de Armazenagem so causados pela falta de informao acerca do produto, seja por parte do usurio ou at pelo prprio fornecedor. A desinformao se manifesta na prtica com o descumprimento de recomendaes normativas, que se d principalmente por inadequaes no processo de dimensionamento, de montagem e de uso. As normas para Sistemas de Armazenagem so, geralmente, do tipo regulamentadoras e, portanto, no so obrigatrias. Ento, corriqueiro que algumas recomendaes contidas nos cdigos sejam negligenciadas pelos envolvidos.
A falta de informao pode ter como consequncia uma utilizao inadequada do sistema, impondo-se sobre o produto esforos no previstos no dimensionamento. O excesso de carga, por exemplo, comum quando a equipe de operadores no ciente da sobrecarga mxima de utilizao.
Alm disso, bastante comum que haja falhas no modo de operao pela falta de orientao, de treinamento ou de zelo de todos os envolvidos com a movimentao de material no armazm. Fatores como o excesso de velocidade na operao, o modus operandi incorreto no abastecimento e desabastecimento da unidade carga e empilhadeiras inadequadas para a unidade carga e altura do sistema podem colocar em risco a segurana de todos. recorrente tambm que o usurio, de modo inadvertido, promova alteraes nas caractersticas construtivas do Sistema de Armazenagem, alterando, por exemplo, a disposio das longarinas, o que invalida o dimensionamento do projeto original e pode comprometer o funcionamento e a segurana da instalao como um todo.
Finalmente, concluem os engenheiros da ISMA, possvel tambm que um sinistro se manifeste devido ao subdimensionamento do Sistema de Armazenagem, por problemas que se manifestam ainda na anlise terica do produto. O fortuito pode ser fundamentado na incorreo na modelagem terica, quando a mesma incapaz de representar o produto de modo adequado na prtica, ocasionando resultados errneos no clculo de esforos solicitantes ou de resistncias. Refere-se a um cenrio extremamente grave, pois os nveis de segurana se tornam desconhecidos, colocando em risco toda a integridade operacional, at que uma nova modelagem seja feita e os parmetros limites sejam revisados. Um exemplo bastante frequente a previso de sobrecargas operacionais tericas diferentes daquelas que o usurio pretende praticar no cotidiano das operaes logsticas.
Ainda segundo Moreira, da AHM Solution, falando sobre as medidas que esto sendo tomadas pelas autoridades reguladoras e pela indstria de logstica para melhorar a segurana em instalaes de armazenagem e garantir a conformidade com as normas tcnicas, as indstrias que entendem que segurana e produtividade andam juntas investem cada vez mais em tecnologias que tornam suas operaes mais seguras.
No caso de preveno de acidentes com estruturas de armazenagem, a empresa destaca o uso de dispositivos como cmeras, sensores e alertas, por exemplo. O CEO da AHM Solution lista os benefcios destes equipamentos: Sensores de proximidade, como os de ondas eletromagnticas, detectam objetos e pessoas em um raio de at 30 metros dos veculos de movimentao de carga. Esses sensores emitem sinais e alertas quando algo se aproxima do veculo, permitindo que os operadores tomem medidas para evitar colises; Cmeras instaladas em empilhadeiras fornecem uma viso de 360 graus ao redor do veculo. Isso permite que os operadores observem reas que normalmente no so visveis em espelhos retrovisores, reduzindo o risco de colises e atropelamentos; Sensores e cmeras tambm auxiliam os operadores em manobras seguras, com informaes em tempo real sobre a proximidade de obstculos, como paredes, prateleiras e outros veculos; Sistemas de alerta mais avanados podem automatizar a frenagem ou a desacelerao do veculo quando detectam um objeto ou pessoa muito prximo; As cmeras tambm podem ser usadas para registrar incidentes e acidentes, ajudando na investigao da ocorrncia e promove a responsabilidade e a conscientizao entre os operadores.
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