Enviado por Ilimar Franco -
20/8/2006 - 15:12 |
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Há algum tempo tenho refletido sobre a cobertura política da mídia brasileira. Tenho relutado escrever sobre isso porque dá muito problema - não é fácil remar contra a maré, o corporativismo, a vaidade exacerbada e as patotas. Faz parte de minha rotina diária ler jornais, revistas, sites e blogs. Foi desta forma que cheguei a dois textos no final de semana (19 e 20 de agosto). O primeiro é do jornalista Alon Feuerwerker (www.blogdoalon.blogspot.com), postado em 20 de agosto. O segundo é do jornalista Josias de Souza (http://josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br), postado em 19 de agosto. Os textos abaixo, excepcionalmente reproduzidos nesse blog, são relevantes e merecem uma reflexão da sociedade e dos próprios jornalistas. Formadores da opinião de si mesmos Alon Feuerwerker O jornalista e blogueiro Josias de Souza tem a coragem de abrir um debate saudável, sobre o que ele chama de irrelevância da mídia. Coloquei para download (clique aqui), para o caso de o texto já ter sido lançado no arquivo do blog dele. Em resumo, o Josias diz que a popularidade e as intenções de voto de Luiz Inácio Lula da Silva são a demonstração de que a imprensa (no sentido amplo) perdeu a relevância e não mais influencia a opinião das pessoas como imaginava influenciar. E você, o que acha? Para entrar nessa discussão, eu diria que a mídia não se tornou exatamente irrelevante, mas tem relevância apenas para um pedaço do público (e do eleitorado). Uma das razões é que lhe falta pluralismo. Vou usar o mesmo caso usado pelo Josias. A última pesquisa Ibope sobre a sucessão presidencial traz dois números sobre a avaliação de Lula e seu governo. Dizem que o governo é bom ou ótimo 41% dos entrevistados. O ruim e péssimo tem 21%. Ou seja, uma diferença de 20 pontos percentuais a favor. Na avaliação pessoal de Lula, 57% aprovam, contra 34% que desaprovam, uma diferença ainda maior (23 pontos). De cada dez brasileiros, quatro acham que o governo é bom e quase seis aprovam o presidente. Mas se você se põe a ler os jornais e as revistas, ou a assistir aos principais programas políticos na televisão, essa ampla fatia do eleitorado não está representada com sua opinião. O peso específico dos colunistas, articulistas e comentaristas que fazem uma avaliação positiva da administração do PT é diminuto, residual (estou sendo generoso: na verdade, o jornalista que disser "Lula está fazendo um bom governo" corre o risco de ser marcado a ferro na testa como "petista"). O público percebe isso, acho eu. Com o tempo, acaba enxergando partidarismo em toda a cobertura. E isso é péssimo para os veículos. A irrelevância da mídia Josias de Souza A indústria da informação, sobretudo a impressa, está numa encruzilhada. Com a circulação estagnada, os jornais lutam para seduzir novos leitores. O público, porém, emite sinais de que considera o conteúdo dos jornais cada vez mais irrelevante. Na época em que o país estava submetido a três poderes efetivos –Exército, Marinha e Aeronáutica— costumava-se atribuir à imprensa importância capital na cruzada da resistência. Ao ecoar as ruas na campanha das Diretas-já, os jornais ajudaram a empurrar a farda de volta para os quartéis. Restabelecida a democracia, o Collorgate tonificou a musculatura dos meios de comunicação. Teve-se a impressão de que a imprensa exercia, de fato, o quarto poder. Sob FHC, a imprensa tardou a acordar. Só depois de uma fase de namoro se deu conta de que estava diante de um presidente afeito à maleabilidade ética. A caída em si não foi generalizada. Alcançou apenas parte da mídia. Ainda assim, sobrevieram os escândalo da compra de votos da reeleição, as privatizações trançadas “no limite da irresponsabilidade”, as malversações da Sudam e outras cositas. Graças à exposição negativa, FHC é hoje um dos ex-presidentes mais impopulares. Tão impopular que o PSDB cuida de escondê-lo na campanha. Escalando essa aversão, Lula chegou à presidência em 2002. E com ele veio a má notícia para a imprensa: o brasileiro deu as costas para o noticiário, eis a novidade. Poucos governos mereceram da mídia exposição tão negativa quanto a administração petista. As perversões atribuídas ao PT e a Lula foram alardeadas à saciedade. A despeito disso, o eleitorado atribui ao presidente um volume de intenções de voto que, por ora, humilha os concorrentes. Humilha também a mídia. Poder-se-ia argumentar que o eleitor pobre de Lula não lê jornal. Bobagem. A crise ética ganhou também nos meios de comunicação eletrônicos. E não há casebre brasileiro que não disponha de um aparelho de rádio ou de televisão. No segundo semestre de 2005, os analistas políticos tiraram do noticiário que produziram as suas próprias confusões. Onze em cada dez comentaristas difundiu a idéia de que a reeleição de Lula estava ameaçada. Vítima de si mesma, a mídia está na bica de virar, ela própria, notícia. Sua “desimportância” reclama estudos e análises aprofundadas. Seu propalado poder de influência, seu festejado papel de formador de opinião está em xeque. Como que exausto da reiteração dos escândalos, o (e)leitor emite sinais de que já não vê diferença entre os políticos. Considera-os, indistintamente, corruptos. Priorizam os seus interesses pessoais em detrimento de valores coletivos como a ética. Se os meios de comunicação fossem levados a sério, Lula deveria estar debatendo agora com os tribunais, não com os eleitores. Acomodados num dos pratos da balança, em contraposição aos escândalos, os feitos de seu governo até poderiam conferir-lhe certa competitividade eleitoral. Mas o favoritismo que ostenta, por ora acachapante, é o sinal mais eloqüente de que os meios de comunicação tornaram-se irrelevantes aos olhos da maioria da sociedade. |
Muito bom o texto o que mostra a novidade existente na midia, a falta de credibilidade de muito meios de comunicação, isto não por falta de noticias verdadeiras e sim pela quantidade de noticias falsas.