O BC fez o que todo mundo tinha dito que ele faria. Um jornal chegou a ouvir 81 instituições financeiras e só uma dizia que o corte não seria de 0,5 ponto. A Selic foi reduzida de 8% para 7,5% ao ano. A novidade foi o que escreveu na nota divulgada logo após a decisão, diferente das outras.
Traduzindo o que disse, o BC falou que há sinais de retomada do nível da atividade - o corte está fazendo efeito - e que essas nove quedas de juros terão efeito prolongado na economia. Novas reduções, se acontecerem, serão adotadas com a "máxima parcimônia". Antes, só usava a palavra parcimônia. Talvez as próximas reduções tenham um ritmo menor, de 0,25, por exemplo, não de 0,5, o que todo mundo imaginava antes dessa nota.
O governo está fazendo estímulo monetário, através do corte dos juros, que incentiva o consumo, e estímulo fiscal, reduzindo o imposto cobrado das empresas. Essa renúncias fiscais custam caro - só este mês, R$ 800 milhões deixaram de entrar nos cofres públicos para que os consumidores comprassem carros, materiais de construção e linha branca com imposto reduzido. Ao longo do ano, são R$ 5,5 bilhões que deixam de entrar.
A ideia do governo é incentivar o consumo para estimular a economia. Mas ainda não está ocorrendo esse efeito esperado, apesar de o dinheiro que deixou de ser arrecadado fazer falta nos cofres públicos.
Foram feitas várias medidas para reduzir o preço do carro, mas as montadoras no Brasil têm lucro três vezes maior do que nos países de onde elas vêm - o jornal O Globo publicou essa informação recentemente. Esse lucro das montadoras precisa ser reduzido, ser mais compatível com o padrão mundial.
O governo dá incentivos às montadoras, mas elas não dão contrapartida. Poderiam, por exemplo, melhorar a qualidade do produto, investir mais em pesquisa e tecnologia, aumentar a eficiência do motor.
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