Para quem não pode e não poderá ir a tempo até a UnB para fazer a
cópia da folha de questões da avaliação final de Introdução à História
da Filosofia, envio a transcrição abaixo.
Abraços e boa prova,
_ _
Anderson B. Fernandes
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Disciplina: Introdução à história da Filosofia
Professora: Raquel Imanishi Rodrigues
AVALIAÇÃO FINAL
Instruções
Responda duas das três questões abaixo
• As respostas devem ser anexadas a essa folha de questões e não devem
exceder oito páginas impressas. A impressão deve ser feita em papel
A4, em folhas numeradas, utilizando fonte Times New Roman, tamanho 12
(tamanho 10 para notas de rodapé e citações de mais de três linhas) e
espaçamento 1,5.
• Todas as citações diretas ou indiretas devem ser acompanhadas de
referência bibliográfica completa (por ordem: autor, obra, tradutor,
lugar de publicação, editora, ano de publicação e número da página em
que se encontra a citação ou ideia referida), devendo
preferencialmente constar da bibliografia indicada no programa do
curso.
• A entrega das respostas deve ser feita no dia 15 de dezembro de
2011, entre 19h e 20h, impreterivelmente.
Critérios de avaliação
Argumentação e coerência interna, adequação entre proposta e
realização, aproveitamento da bibliografia e das discussões em sala de
aula, domínio da norma culta.
Questões
UM
“Bater no peito tornou-se mais tarde um gesto de triunfo: o vencedor
expressa que sua vitória é sempre uma vitória sobre a própria
natureza” (Dialética do Esclarecimento, Excurso I, nota 5).
Esclareça pormenorizadamente o contexto em que é feito o comentário acima.
I. Trace uma relação entre o explicitado no tópico anterior e o
seguinte comentário de Céfalo no início da República (329c-d):
“Quando as paixões cessam de nos repuxar e nos largam, acontece
exatamente o que disse Sófocles: somos libertos de uma hoste de
déspotas furiosos“ (op. cit., trad. Maria Helena da Rocha Pereira.
Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1990, 6ª. Edição)
DOIS
I. Selecione duas passagens do Excuso I da Dialética do Esclarecimento
que explorem (ou explicitem) a ideia central do seguinte trecho dessa
obra: “A viagem errante de Tróia a Ítaca é o caminho através dos mitos
de um eu infinitamente fraco, corporalmente, face ao poderio da
natureza, que só se forma ao tomar consciência de si [...] Eis o
segredo no processo entre epopeia e mito: o eu não constitui o rígido
oposto da aventura, mas só se forma em sua rigidez através dessa
oposição, [sendo] unidade apenas na multiplicidade daquilo que essa
unidade nega” (Dialética do Esclarecimento, Excurso I, #3, trad. Guido
de Almeida. Rio de Janeiro: Zahar, 1985. Tradução modificada)
II. Comente e relacione as passagens selecionadas.
TRÊS
Escrito no início dos anos 1990 por um crítico alemão contemporâneo, o
trecho abaixo retoma um tema recorrente da Dialética do
Esclarecimento. Dê nome a esse tema, esquematizando sua abordagem no
primeiro excurso dessa obra e pondere, num segundo momento, em que
medida o tema “antigo” ajuda a pensar o tema “contemporâneo”.
O índice mais claro da patologia europeia talvez seja o fato do homem
branco ter também precisado colonizar a se mesmo ao longo do processo
colonizador. O desencadeamento da moderna economia de mercado e sua
rentabilidade compulsiva passou a subjugar mesmo os supostos senhores
desse modo de produção. Seus próprios corpos e sentidos precisaram ser
confinados no interior de uma couraça de abstração a fim de abstraírem
a si mesmos. Surgiu assim a triste figura de uma natureza mascarada,
movida por uma ambição cega às emoções; a imagem de um sempre contido
e concentrado guardião de uma soma de dinheiros, que tem por objetivo
multiplicar a si mesmo, subjulgado pelo seu próprio cálculo abstrato.
O vencedor e conquistador teve também, ele mesmo, destruída a sua
capacidade sensível de fruição.
Quanto mais avançava na colonização do mundo exterior, tanto mais o
homem branco precisava ajustar a si mesmo, e quanto mais assim se
ajustava, mais precisava colonizar o mundo. (KURZ, Roberto. Os últimos
combates, trad. Raquel I. Rodrigues. Petrópolis, RJ: Vozes, 1997, p.
46.)
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