Mas ce tem razao, o Mi3 é tocado em cordas diferentes, com caixas diferentes, e tudo mais. Como é isso entao? acho que ainda não entendi onde está o timbre nos sons. Tenho muitas dúvidas sobre isso, exponho a seguir. Pois o timbre não é o harmonico fundamental de um som - as vezes o fundamental nem é ouvido, pelo que dizem -, nem é todos os harmonicos, mas uma parte deles (chamados formantes). A menor parte do timbre é então o formante? Se sim, então para um certo instrumento os formantes devem ser o mesmo, pois cada instrumento tem seu timbre próprio; mas é possível retirar sons agudos e graves dos instrumentos, e assim há mudança nos harmonicos, mas há também nos formantes? Ou os formantes independem dos harmonicos na corda, apenas do formato do instrumento ou da qualidade do ar (quente, frio, denso, raro), etc? Sendo pois o formato do violino, viola, cello e contrabaixo proporcionais entre si (como triângulos semelhantes), ou quase, então eles possuem os mesmos formantes, embora os sons de uns sejam mais graves? Ora, dizemos que um som qualquer pode ser grave, como o ruído vermelho e o fonema "ch", ou agudo, como o ruído violeta e o fonema "s"; mas também um harmonico pode ser agudo ou grave? Parece que sim, pois diríamos que certo harmonico fundamental é mais agudo que outro; se essas coisas sao assim, entao um formante também pode ser agudo ou grave. (note-se no entanto que um mesmo som pode ser ao mesmo tempo agudo e grave, como no acorde maior dó, mi, sol, onde mi é agudo, em relação a dó, mas ao mesmo tempo é grave em relação a sol). Ou então os formantes não são os harmonicos, exatamente, mas sim a proporção que os harmonicos fazem entre si? É possível afirmar isso? Se sim, entao os timbres seriam o todo proporcionado, sendo suas partes os formantes. Porém, se é isso, tais proporções nao seriam tão precisas, como são para as notas de um acorde ou escala: tomo como exemplo a vogal "a", falada por dois homens e duas mulheres, segundo os dados de um tal Weenek (as frequencias estao em Hz):
Homem 1: f0=160, f1=787, f2=1372, f3=3313
homem 2: f0=145, f1=758, f2=1244, f3=2658
Mulher 1: f0=277, f1=938, f2=1580, f3=2953
Mulher 2: f0=215, f1=841, f2=1504, f3=2712
Tomando entao apenas as proporções entre o harmonico fundamental e o primeiro harmonico de cada falante, tem-se as seguintes proporções:
Homem 1: 4,91875
homem 2: 5,22 758
Mulher 1: 3,3862
Mulher 2: 3,91162
Pelas quatro falas dá pra ver que os formantes da vogal "a" nao são uma frequencia exata, mas uma certa banda de frequencias, e assim, o timbre da vogal "a" nao seria exatamente um acorde de notas, mas um "acorde formado por bandas de frequencias", se o que foi dito é correto. Isso porque as bandas de formantes variam em agudo e grave conforme a frequencia fundamental, de modo que todas as bandas vao pro agudo ou para o grave conjuntamente a depender da fundamental. E as frequencias da vogal variam particularmente a cada fala, porém recaem na mesma banda de frequencia que o caracteriza, os formantes, de modo que a vogal "a" é, grosso modo, a mesma para todos, mas em particular diferem. Seria isso o que ocorre com o quarteto de cordas, ou isso nao se aplica a eles? todos os quatro instrumentos têm o mesmo timbre, variando apenas em agudo e grave?
Por esses argumentos entao o timbre é formado por intervalos entre formantes (semelhantemente a uma escala, modo ou acorde, que porém sao formados por intervalos entre notas). Faz sentido?