Sobre as partes da música

2 views
Skip to first unread message

felipe cardoso

unread,
Jan 2, 2011, 1:21:10 PM1/2/11
to filomusicos
Pessoal, o texto a seguir servia de introdução, e estava na mensagem
de boas vindas do grupo. Como o google não mais vai permitir alterá-
la, coloco a seguir:

Como guia geral, estou tentando enumerar todas as partes da musica, do
ponto de vista estético, não do social, e por isso essas mesmas partes
devem ser aplicadas a todos os estilos de época, a todos os povos, que
no entanto usam estas partes de uma maneira peculiar. Pode parecer um
trabalho grandioso, mas não é tanto assim (acho). Por enquanto é
provisório, mas deixe aí, com o tempo a certeza se revela, e também o
erro.

A música é repouso e mudança, e suas partes resultam disso. As partes
da música, pois, são seis: a harmonia, o ritmo, o volume, o movimento,
a dinâmica e o andamento, de modo que resultam do repouso a harmonia,
o ritmo e o volume, e resultam da mudança o movimento, a dinamica e o
andamento. Especificamente, a harmonia é formada pelas proporções
métricas entre notas (e as notas só existem no repouso do som entre o
agudo e grave), em notas soadas ao mesmo tempo ou em sequencia,
formando intervalos consonantes ou dissonantes. O ritmo é formado
pelas proporções métricas entre as durações sonoras (e as durações são
resultantes do repouso entre o rápido e o lento). O volume existe no
repouso entre o muito audível e o pouco audível, ou, nas palavras
tradicionais, no repouso entre o forte e o fraco. Por outro lado, o
movimento, em música, não é o repouso no grave ou agudo, mas a mudança
para o agudo ou para o grave, do som como um todo ou de partes,
podendo as mudanças ocorrerem de forma contrária ou paralela, podendo
ser ainda de forma contínua ou nota a nota. O andamento é a mudança
para o rápido e para o devagar, seja de forma contínua, como no
ralentando e acelerando, seja por saltos, como podemos encontrar nos
compassos téticos e anacrúsicos, ou numa sequencia como semibreve,
mínima e semínima. Por fim, a dinâmica é a mudança do som em audível e
pouco audível, e, novamente, de forma contínua ou por saltos.

Como causa imediata, a música nasce dos instrumentos, sejam eles
feitos com arte pelo lutiê ou sem, ou mesmo criados pela natureza,
como o aparelho fonador humano, sejam ainda esses instrumentos movidos
com arte ou sem nenhuma, relativamente à interpretação e à composição.
A orquestração é o uso dos instrumentos de maneira eufônica, da voz,
do piano, do celo, etc., e parece estar relacionada à harmonia, pois
também envolve sons compostos. Como finalidade, a música visa imitar
algo, como um todo e em cada uma de suas partes, e imitar com arte ou
intuitivamente, um sentimento, um caráter, um trem, uma floresta, uma
fala, etc. Dessa finalidade resulta as formas musicais, que são a
maneira como essas partes se relacionam entre si na imitação: algumas
formas são repetitivas, outras não; algumas são fixas, outras não.

felipe cardoso

unread,
Jan 7, 2011, 2:41:44 PM1/7/11
to filomusicos
mas existem pelo menos outras 3 partes ainda, relativas ainda à
mudança: a modulação, que é a mudança de harmonia (mas há aqui uma
ressalva: quando passamos do tom de dó maior para o de sol maior, por
exemplo, não há mudança de harmonia: é o mesmo modo Jonico, só que
passado para o agudo ou para o grave; no entanto tradicionalmente
chamamos essa mudança de modulação, talvez porque mude a armadura de
clave, e assim somos levados a pensar que as harmonias antes e depois
são diferentes, porém isso não ocorre; por outro lado tal mudança gera
certo efeito na música, e talvez fosse mais correto chamar tal mudança
para o grave ou agudo de transposicão, mas esta palavra também pediria
uma ressalva semelhante: pois nem toda transposição é para a mesma
harmonia, ou seja, nem sempre as notas transpostas fazem entre si os
mesmos intervalos que antes, no sentido que damos à palavra); também
ocorre mudança no ritmo, mas não sei se há um nome específico para
isso, quando muda-se o compasso no meio da música, por exemplo: isso
existe, mas não sei se é nomeado. Também há algo análogo a estes dois
para os volumes: não é muito usual entre os músicos estar atento às
proporções entre os volumes nas composições, mas nada impede que isso
se torne comum, mas essa mudança também não tem nome (pelo menos não
achei), embora exista.
Reply all
Reply to author
Forward
0 new messages