FW: Francisco Louçã... no seu melhor

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Paulo Mendes

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May 20, 2009, 5:55:35 AM5/20/09
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Assunto:        Francisco Louçã... no seu melhor

  • Querido, achas que sou bonita?
  • > >     - Eu não diria bonita, pois trata-se de um conceito adoptado

pelas

    > >    classes
    > >    dominantes para classificar animais humanos dentro de padrões de

beleza

    > >    culturalmente preestabelecidos.
    > >    - Isso que dizer que sou feia?
    > >     - Cosmeticamente diferente é o termo mais adequado.
    > >     - Mas, tu ainda me amas?
    > >     - O amor é um sentimento inventado pela burguesia com intuito de
    > >    subjugar
    > >    os indivíduos a um único modo de pensar a sociedade, tirando-lhes

a

    > >    razão e
    > >    o senso  crítico.
    > >     - E depois?
    > >     - Depois, nutro por ti um sentimento de co-participação em

interesses

    > >    de
    > >    ordem habitacional, económica e sexual.
    > >     - O quê? Quer dizer que tu só me queres como mulher-a-dias e
    > >    prostituta?
    > >    - Não se diz mulher-a-dias e sim higienizadora ambiental. E

tratar

    > >    parceiras
    > >    sexuais alugadas como prostitutas não é politicamente correcto.
    > >     - Tu deves estar louco.
    > >     - Emocionalmente fora do padrão.
    > >     - Bem me avisaram que eras um chato.
    > >     - Chato não, pessoa interessante de maneira diferente.
    > >     - Como fui cega...
    > >     - Desprovida de capacidade visual é mais correcto.
    > >     - Não sei por que casei contigo!
    > >     - Desconheces o motivo que te levou a submeteres-te a uma
    > >    institucionalização  oficializante do relacionamento de

co-habitação

    > >    entre
    > >    duas pessoas de sexo não  coincidente.
    > >     - Idiota!
    > >     - Pessoa com ideia fixa.
    > >    - Para mim chega! Vou procurar um amante que me queira.
    > >    - Não precisas de recorrer a este tipo de relacionamento com

padrão
não

    > >    convencional, nós ainda podemos partilhar de uma coexistência

saudável

    > >    como duas  pessoas com referências diferenciadas da cultura

dominante.

    > >    - Prefiro viver com um lavador de carros a continuar contigo!
    > >    - A tua preferência em manter uma co-habitação de carácter

afectivo
com

    > >    um especialista em aparência de veículos, não te dá o direito de
    > >    comparar
    > >    opções de meio de sobrevivência alternativo com o meu

comportamento
que

    > >    se
    > >    diferencia dos dogmas do status-quo.
    > >     - Ah, por que é que não podes ser uma pessoa normal?
    > >     - A normalidade é uma convenção imposta.
    > >     - Chega, não aguento mais! Quero ver-te morto.
    > >     - O que tu  desejas é transformar-me num indivíduo

metabolicamente

    > >    inviável.
    > >
    > >     Ela pega no revólver que o criado mudo está segurando, ou

melhor:

    > >    Ela pega o revólver que o auxiliar doméstico oralmente

prejudicado
> detém

    > >    e
    > >    atira no peito do  marido. Ao vê-lo caído no chão, todo

ensanguentado,

    > >     ela  abraça-o.
    > >     - Perdão, querido, eu sou uma burra!
    > >     No último suspiro, ele corrige:

> >     - Pessoa com um enquadramento lógico muito particular.

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