Mecanismo de ação dos antiepiléticos

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Flavia Gobetti

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Sep 22, 2009, 5:32:52 PM9/22/09
to FARMACOMANÍACOS
Do ponto de vista farmacológico, existe uma distinção clara entre os
fármacos que são eficazes nas crises de ausência e os que são eficazes
em outros tipos de epilepsia, apesar de a maioria exibir pouco
seletividade com relação à outras subdivisões clínicas. A eficácia da
terapêutica antiepiléptica depende em parte do tipo de crises. Alguns
medicamentos estão indicados apenas num tipo de crise e não em outros,
podendo mesmo agravá-los.
Os dois mecanismos principais das drogas anticonvulsivantes são:
potencializar a ação do GABA e inibir a função do canal de sódio.
Outros mecanismos encontrados são: a inibição dos canais de cálcio e
dos receptores de glutamato.
Os mecanismos de ação dos medicamentos antiepilépticos podem ser
sistematizados em 3 categorias principais. Os medicamentos eficazes no
controle das crises mais comuns, isto é, as parciais e as
generalizadas tônico-clônicas, atuam quer por promover o estado
inativado dos canais de sódio, quer por potenciar a transmissão
inibitória mediada pelo ácido gama-aminobutírico (GABA). Os
medicamentos úteis no controle das crises menos frequentes, como é o
caso das ausências, interferem com os canais de cálcio dependentes da
voltagem, de tipo T.
O conjunto dos medicamentos antiepilépticos divide-se nos seguintes
grupos: fenitoínas, barbitúricos (fenobarbital, primidona),
iminostilbenos (carbamazepina, oxicarbazepina), succinimidas
(etosuximida), ácido valpróico / valproato de sódio, oxazolidinedionas
(trimetadiona), benzodiazepinas (diazepam, clonazepam, clorazepato
dipotássico e lorazepam parentérico) e outros (gabapentina,
lamotrigina, vigabatrina, acetazolamida e felbamato).

Potencialização do GABA.
Vários agente antiepiléticos, como a Fenobarbital e benzodiazepínico,
potencializam a ativação dos receptores GABA facilitando assim a
abertura dos canais de cloreto mediada pelo seu respectivo
neurotransmissor.
Uma droga recente, a vigabatrina, atua ao inibir a enzima GABA
trasaminase, responsável pela inativação do GABA, enquanto a tiagabina
inibe a captação do GABA (ambas potencializam a ação do GABA como
transmissor inibitório).
A gabapentina foi planejada como agonista nos receptores GABA, porém
mesmo sendo um antiepilético eficaz, não atua nos receptores
desejados, sendo o seu mecanismo de ação ainda desconhecido.

Inibição dos canais de sódio
Vários agentes antiepiléticos ( fenitoína, carbamazepina, valproato,
lamotrigina) afetam a excitabilidade das membranas através de uma ação
sobre os canais de sódio-dependentes, que transportam a corrente para
o interior da célula, necessária para a geração de um potencial de
ação. Esses fármacos bloqueiam preferencialmente a excitação das
células que estão deflagrando repetitivamente, e quanto mais alta a
freqüência de disparo, maior o bloqueio produzido. Essa
característica, que é relevante para a capacidade dos fámacos de
bloquear a descarga de alta freqüência que ocorre numa crise epilética
sem interferir indevidamente na deflagração de baixa freqüência dos
neurônios no estado normal, decorre da capacidade dos agente
bloqueadores de discriminarem entre os canais de sódio em seus estados
de repouso, aberto e inativado. A despolarização de um neurônio
aumenta a proporção dos canais de sódio no estado inativado. Os
agentes antiepiléticos ligam-se preferencialmente aos canais neste
estado, impedindo o seu retorno ao estado de repouso e reduzindo dessa
maneira o número de canais funcionais disponíveis para gerar
potenciais de ação.

Fontes:
http://dradnet.com/search/psiquiatria997ae.htm
Rang, H. P, Farmacologia, Editora Guanabara Koogan, Rio de Janeiro,
2001
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