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Congresso : Os Jovens no Folclore Português
1° Congresso de Jovens Folcloristas Portugueses ou de Origem Portuguesa
no quadro das comemorações do Dia Internacional da Juventude (UNESCO)
Cartáz do congresso, baixar aqui
“A persistência é o caminho do êxito” (Charlie Chaplin)
1. O 1.º Congresso de Jovens Folcloristas Portugueses ou de Origem Portuguesa realiza-se em Faro a 11 de Agosto. Quais os objectivos deste Congresso?
Aproveitando a data do Dia Mundial da Juventude, sob a egide da UNESCO, um dos principais objectivos é reunir a juventude folclorista portuguesa ou de origem portuguesa que integram agrupamentos folclóricos lusos nos países de acolhimento.
Mas tambem estarão em debate temas importantes para as nossas funções de integrantes ou responsaveis folclóricos.
O 1° painel “Jovens no folclore : da teoria à prática” tratará mais de temas técnicos etno-folcloricos como : a dança tradicional e o traje folclórico portugues ; os instrumentos tradicionais nos grupos folclóricos ; a realidade geográfica dos grupos folclóricos ; a divulgação mundial das tradições nacionais portuguesas ou ainda os conceitos de folclore e etnografia e a sua representatividade nos núcleos de emigração portuguesa.
Já o 2° painel será aos “Apoios ao folclore” : SEJD, IPJ e INATEL : Linhas de apoio aos grupos de folclore ; programas de apoio autarquicos, nas comunidades e aos jovens e ao movimento associativo / folclórico mas tambem como a inserção das tradições nos programas escolares e educativos.
No encerramento do congresso, um colóquio e debate publico discutirão com um tema geral : “Jovens no Folclore : Cidadania e participação no espaço público”. Em sub-temas serão abordados o melhor relacionamento entre os jovens nas comunidades portuguesas e os grupos folclóricos em Portugal, e igualmente os jovens nas comunidades portuguesas e a sua participação no espaço público : as novas formas de expressar a cultura popular pelos jovens e a sua vertente na cidadania local.
Em final de cada painel existirá momentos de debates sobre as comunicações com os jovens e público presentes.
Por ser tambem um dos seus objectivos principais, foi por estes motivos que de imediato o IPJ de Faro se disponibilizou em associar-se a este evento e a conceder as suas intalações como apoio técnico-logistico.
Mais informações sobre o programa : www.jovensfolcloristas.blogspot.com
2. Depois do Congresso, o que é que o Clube de Jovens está a pensar fazer, no sentido de dinamizar mais o folclore português nas comunidades portuguesas ?
Muito há que fazer para progredir nesse mesmo dinamismo que passa essencialmente pela a mobilização e implicação local pelas autoridades portuguesas em representação exterior (Consulados e Embaixadas).
Nas comunidades portuguesas, pensamos que o folclore deve manter uma das suas funções, sem ser a única, de mostra túristica sobre o nosso país e de valorizar as nossas riquezas nacionais e culturais ligadas às tradições populares.
3. Historial do Clube (Quando e onde nasceu ? Quais os objectivos ? etc.)
O 1° Clube foi criado informalmente em França em 2003 por jovens totalmente apaixonados pelo folclore português : qualquer café parisiense servia para longas reuniões e debates ... muitas vezes eramos os últimos a sair e “à força” ! Com este sucesso de participação, o CJF tomou forma juridicamente oficial em Setembro 2004.
O nosso projecto inscreve-se nas politicas da UNESCO (16/11/1945) e do seu programa dedicado à salvaguarda do património cultural imaterial, pelo que entende-se tambem a “salvaguarda do folclore”.
Divulgar de forma fiel às suas origens a etnografia e o folclore português, criar elos de solidariedade entre os grupos folclóricos portugueses existentes nos países onde existem comunidades lusas, reflectir sobre a qualidade da representação do folclore nesses países e auxiliar os grupos folclóricos na defesa da correcta etnografia folclórica portuguesa são os principais objectivos a que se propõe os Clubes CJF’s.
O trabalho destes colectivos passará também por dinamizar os grupos folclóricos existentes nos países de acolhimento, nomeadamente acompanhando-os na organização de festivais e outras iniciativas. Os Clubes CJF’s irão também prestar o seu contributo para a criação de um fundo documental e audiovisual sobre o folclore regional de Portugal.
O Clube de Jovens Folcloristas Portugueses nas Comunidades que sempre se preocupou com a defesa do folclore português nos países de emigração como actividade fundamental da nossa vida associativa e baluarte da nossa cultura popular, anima regularmente para jovens responsaveis e directores técnicos de grupos folclóricos portugueses sessões de formação. Estes encontros destinam-se a analizar a situação dos nossos grupos folclóricos e a debater o seu funcionamento e o seu futuro.
Com estes jovens folcloristas, é também analizada e debatida, a necessidade de pôr forças em sinergia para uma melhor representação do folclore português nas Comunidades. Todas estas questões, são abordadas e discutidas, com a maior abertura e na maior unidade, princípios que devem nortear a vida dos nossos grupos folclóricos portugueses emigrantes.
Nestas grandes iniciativas do Clube de Jovens Folcloristas Portugueses nas Comunidades (CJF), com a presença de Jovens Dirigentes associativos, Responsaveis, Directores Técnicos e componentes interessados de grupos folclóricos nas Comunidades, pretendemos dar um novo impulso aos grupos folclóricos e à nossa vida associativa.
4. O Clube está espalhado em quantos países ? Onde têm maior representatividade ?
Com o padrão da ideologia do Clube de Jovens Folcloristas Portugueses nas Comunidades (CJF) inicialmente criado por “jovens apaixonados do bom folclore português” em França, já se encontrão em funções o CJF-Brasil (19/04/2005), o CJF-Venezuela (27/08/2005), o CJF-Argentina (15/09/2005) e na mesma data (10/06/2006) : o CJF-Suiça, o CJF-Bélgica, o CJF-Luxemburgo, o CJF-Canadá, o CJF-Alemanha e o CJF-Estados Unidos.
Para vencer o problema da língua lusófona de jovens em países de acolhimento existem fóruns virtuais só com utilização do francês (11/11/2005) e do espanhol (10/09/2006).
5. Quantos jovens estão inseridos no Clube ?
Mais de 700 membros encontram-se associados aos 10 Clubes CJF’s espalhados no Mundo.
6. Quais os requisitos para aderirem ao Clube (idades, etc.) ?
Não há própriamente requesitos para aderir a qualquer CJF pois o termo de “Jovens Folcloristas” não é associado à idade.
Há, porém, um limite de idade para ser Dirigente em qualquer Secretariado Nacional. Pois os Clubes CJF’s mantêm uma linha “juvenil” do seu executivo.
7. Qual o trabalho que o Clube de França tem vindo a desenvolver ?
Colóquios sobre a temática geral do folclore português :
· 22 de Janeiro 2005, na Casa da Portugal (Residência André de Gouveia) em Paris para às áreas consulares de Nogent sur Marne, Versalhes e Paris,
· 3 de Fevereiro 2006 no Consulado de Portugal em Orléans,
· 2 de Junho 2006 na ex-área consular de Reims,
· 30 de Setembro 2006 no Consulado-Geral de Portugal em Bordéus,
· 2 de Março 2007 na área consular de Nogent sur Marne,
· (previsão) 13 de Outubro 2007 no Consulado-Geral de Portugal em Estrasburgo,
· (previsão) 1 de Novembro 2007 no Consulado de Portugal em Clermont-Ferrand,
· (previsão) 2 de Novembro 2007 na área consular de Lyon
Colóquios sobre a temática regional do folclore português :
· (previsão) 27 de Outubro 2007 para os grupos do Ribatejo,
· (previsão) Fevereiro 2008 para os grupos da Ponte da Barca
Congressos de Jovens Folcloristas Portugueses ou de Origem Portuguesa, no quadro das comemorações do Dia Internacional da Juventude (UNESCO) :
· 11 de Agosto 2007 em Faro, Instituto Português da Juventude
· (previsão) Agosto 2008 na Nazaré e Agosto 2009 em Arganil
Sessões de cinema sobre a temática regional do folclore português :
· (previsão) 30 de Outubro 2007 para os grupos do Ribatejo com o filme “Os toiros de Mary Foster”
Cantares de janeiras com grupos folclóricos :
· Janeiro 2005 nos consulados de Portugal da região parisiense e na embaixada de Portugal em Andorra
· Janeiro 2006 nas embaixadas de Portugal em França e em Andorra
· Janeiro 2007 em 3 câmaras municipais francesas da região parisiense e na embaixada de Portugal em Andorra
· (previsão) Janeiro 2008 em uma importante câmara municipal francesa
8. Quais as principais dificuldades sentidas pelo Clube ?
Uma da dificuldade inicial aquando a criação de qualquer clube local foi a rejeição imediada dos “veteranos” que acharam de mau olho a vinda “desta juventude” que demonstrava ser mais estudiosa nestas matérias.
Foi necessário um esforço particular para não ferir estes “velhos do Restelo”.
Com paciencia e diplomacia ao longo do tempo, são os nossos melhores apoiantes e fãs !
Não são propriamente dificuldades, mas temos mais preocupações em responder rápidamente às solicitações técnicas que nos surgem do Mundo inteiro e pelas quais não estamos preparados para isso, como não se proporcionava ter que combater com um certo “autismo” dos grupos e ranchos em Portugal que teimam em guardar os seus conhecimentos em segredo e não partilhar com a juventude folcloristas portuguesa emigrante.
9. Que desafios se apresentam para o futuro para o Clube e também para o Folclore que representam?
Valorizar este património nacional para que seja reconhecido mundialmente, divulgar esta riqueza cultural ... e combater o uso pejorativo do ou da palavra “folclore” pelos politicos que acabam por insultar cerca de 200 000 dos seus eleitores que o integram !
10. Quais os apoios que recebem ?
Em termos de apoio, isto há muito que se lhe diga ! Como qualquer colectividade associativa, e nenhum dirigente o negará, passamos mais tempo a correr atrás dos apoios e patrocinios que propriamente no tempo de realização dos nossos eventos.
No entanto, não negamos que se foi dificil ao principio conseguir apoios ... hoje, a notoriedade dos Clubes é de tal forma implantada localmente que encontramos bastantes portas abertas tanto pelas autoridades e organismos públicos portugueses como nos nossos países de acolhimento.
Até temos tido, além do apoio moral, um forte apoio das representações diplomáticas e consulares que tem vindo elas próprias a associarem-se tecnicamente e logisticamente às nossas organizações.
Na parte financeira, temos tido bons resultados ... ou seja aqueles que esperavamos !
11. O que é que motiva um jovem, que possivelmente nem nasceu em Portugal e mora noutro país, a juntar-se ao folclore português?
Diriamos que certamente aplica-se o celebre titúlo musical de Zeca Afonso “Tràz um amigo também” ! Uma família portuguesa entrou há bastante tempo num grupo folclórico português emigrante e seus filhos, por amizade escolar, vão convidando colegas de turma ... que acabam por gostar e integrar o dito agrupamento !
Não obstante que muitos jovens sempre viveram, atravês dos pais, no movimento associativo português nas comunidades, muitas das vezes chamado na emigração “melhor escola da vida colectiva social e de compreensão mútua”.
A identificação à nação lusa leva muitos jovens, além do futebol, a identificarem-se à promoção e à publicitação das tradições portuguesas em países de acolhimento.
12. Os jovens portugueses ou de origem portuguesa gostam do folclore ? Não sentem alguma «vergonha» por cultivarem a tradição levada pelos pais ?
Pelo o contrário, sentem é orgulho e honra ! Temos verificado isso nos tantos festivais que temos participado ...
Qual vergonha de “honrar a camisa do dia a dia, o modo de trajar e a alegria dos nossos antepassados” ? Vergonha seria certamente de não o fazer !
Temos que compreender e defender o nosso património, a nossa identidade, até porque o desenvolvimento só coabita com uma população culturalmente evoluída, o que não pode acontecer no desconhecimento das raízes que nos definem, no ignorar das memórias do povo que somos.
É um facto, que um povo sem memória não existe. Há por isso que preservar, investigando, reconstituindo essa memória patrimonial e divulgar as nossas tradições, e torna-las prioritárias.
13. O que é que vos fascina no folclore português ?
O folclore, sendo a sabedoria e a cultura do povo, abrange todos os campos da vida humana, incluindo seus mitos e lendas, sua história, parlendas, adivinhas e provérbios, seus contos e encantamentos, suas juras, pregões, e também suas danças, suas artes, seus instrumentos e cantigas, suas festas tradicionais, suas crenças e crendices, sua magia, seus tabus e superstições, seus desafios e romances, suas orações, seus brinquedos e seus jogos, suas técnicas populares, e suas rendas, bordados, traçados e cestarias.
O estudo do folclore português é aquele da própria alma do nosso país, e ainda mais do modo de ser da gente do nosso povo, das suas maneiras de pensar, de agir e de sentir, como da feição nacional nas suas bases mais profundas e mais características. É a cultura de folk, é a mentalidade do povo e a lição que nos vem transmitida através das gerações, como todo saber empírico das gentes humildes que lastreiam a formação da nacionalidade, cada um com seus usos, práticas e costumes.
Se não conhecemos a mentalidade do povo, toda reforma ou regulamentação em qualquer sector da vida humana será vazia e sem possibilidade de êxito.
14. Sentem que o folclore que representam é apreciado nos países onde estão ?
Sim, temos esse sentimento. Os festivais de folclore português, onde quer que sejam organizados na emigração, ainda são manifestações populares que conseguem mobilizar muito público.
15. Qual é a realidade dos grupos folclóricos nas comunidades portuguesas ?
A criação de grupos folclóricos são a genese da própria fundação do movimento associativo português nas comunidades. Em maioria dos casos foi assim que se fundaram a grande parte dos ranchos na emigração. Como o norte de Portugal foi a zona que mais sofreu o exodo migratório, acontesse que a maioria dos grupos são minhotos ou dizem-se pertencer ao Minho. Na Europa, os ribatejanos encontram-se bem representados em 2ª posição no panorama folclórico ... Na América Latina, os madeirenses são quase a unanimidade da representação folclórica local.
Se antigamente os ranchos de portugueses emigrantes representavam “Portugal por inteiro”, hoje assistimos a uma consciençalização de seus dirigentes associativos e técnicos em escolher uma zona etnográfica única de representação.
16. Quantos grupos de folclore existem nas comunidades portuguesas ?
Portugal é um dos países do mundo com mais grupos ou ranchos folclóricos. Por censo do “Jornal “Folclore”, único orgão de comunicação social que trata desta problemática, existem cerca de 1750 agrupamentos em território nacional e ilhas.
É dificil obter dados concretos nas comunidades portuguesas, mas deve haver uns 700 na emigração ; só em França existem uns 450, uns 30 a 50 em cada país de forte emigração portuguesa como Venezuela, Brasil, Bélgica, Estados-Unidos, Canadá, etc ...).
17. Que interacção têm os jovens nas comunidades portuguesas com os grupos foclóricos em Portugal ?
A internet veio solucionar o isolamente da juventude folclorista portuguesa no estrangeiro para com agrupamentos em territorio nacional.
Por sites, livros de visitas e foruns virtuais, muitos jovens têm-se interligados a esta paixão comum que é o folclore português.
Não negamos que os Clubes CJF’s têm contribuido fortemente a esta interacção.
Mais concretamente, daí nascem trocas de informações, fotos e videos para os grupos portugueses no estrangeiro que tentam melhorar a sua representatividade etno-folclorica portuguesa na emigração. Para bastantes os casos, essas interacções provocam permutas entre ambos os grupos dos jovens que se contactaram inicialmente.
Podemos dizer que, por uma vez, é o efeito positivo da globalização mundial !
domingo, 15 de Julho de 2007
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