Copa do Mundo em Manaus: Não houve despejos, mais quem vai pagar a conta?
A Copa do Mundo vai começar em menos de três meses. Com as obras terminando, alguns integrantes do Fórum Nacional de Reforma Urbana estão começando analisar os impactos do evento. Em Manaus, onde não há time de futebol nas séries A, B, ou C, muitos estão se perguntando qual será o legado do evento.
Vasconcelos Filho é um integrante do Fórum Amazonense da Reforma Urbana. Perguntado sobre o legado da Copa do Mundo em Manaus, ele falou que um fator positivo e que os milhares de despejos planejados não ocorreram. "Eles não aconteceram e normalmente isso seria uma coisa para comemorar. Mais neste caso os despejos não aconteceram por que o Governador não cumpriu sua promessa de construir uma linha de monotrilho e um sistema de BRT para a Copa. Um terço dos gastos do governo era planejado para melhorias de transporte público e pode ver que nada disso aconteceu aqui. O transito continua horrível. Então, qual será o legado deste evento para nós? Eles gastou mais de R$700 milhões construindo uma Arena onde vai acontecer 4 jogos durante a Copa e os jogos irão terminar em 30 dias. O povo de Manaus será obrigado a pagar R$500.000 por mês, só pela manutenção do estádio e o governo ainda não produziu um plano sobre o que eles irão fazer com ele depois da copa. É um valor enorme para se gastar quando tem tantos outros problemas para resolver. Um outro problema é que R$500 Milhões deste valor vem do BNDES e o povo de Amazonas vai passar os próximos 30 anos pagando por esse empréstimo."
Waldimir José é um vereador do PT que começou sua careira como ativista no movimento para orçamento participativo em Manaus. Ele aponta para benefícios econômicos para a população. "Brasil gerou 4.5 milhões de empregos durante os últimos 3 anos," ele enfatiza. "Tem muita gente reclamando sobre a Copa, mais precisa olhar os benefícios econômicos também. O governo estimulou a indústria de construção para gerar empregos. Esta arena aqui em Manaus gerou 3000 empregos no setor de construção civil. A maioria das obras de construção civil termina rapidamente mais esta obra gerou empregos que duraram quase 4 anos. E isso tem um efeito significativo na economia de Manaus. Também tem a questão do turismo. Nós estamos esperando que o olhar do mundo em Manaus durante a Copa vai resultar em mais estrangeiros visitando nossa cidade no futuro e isso também gera empregos."
Cícero Custódio, presidente de Sintracomec-AM (sindicato dos trabalhadores da construção civil) falou que, para os trabalhadores, a experiência foi horrível. "Com toda essa fala do governo sobre os empregos gerados pela obra, você imaginaria que os operários iriam receber um salário decente. Mais o valor pago foi o mais baixo legalmente permitido. Além disso, as condições de trabalho eram péssimas. Tinha muitos acidentes. Cada vez que morria um operário, fazíamos uma paralisação. Depois da última morte, fizemos mais uma paralisação e o governo finalmente começou escutar a gente. As condições melhoraram, mais era tarde demais porque a obra estava quase terminada. Posso dizer isso pelo menos, o acordo que fizemos para a construção do centro de treinamento para a Copa é quase perfeito. Eles levaram todas as nossas reivindicações em consideração para este projeto. Pena que a obra é pequena."
Com a Copa do Mundo chegando, está chegando também a hora de medir seu impacto na vida do povo Brasileiro. No caso de Manaus, o fato feliz de não ter ocorridos despejos forçados é contrabalanceado pela falta de implementação dos novos sistemas de transporte coletivo que foram prometidos pelo governo. Houve empregos gerados, mais também uma série de violações aos direitos dos trabalhadores. Quando terminar, o povo do Estado vai ficar com a conta.
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