NOTA À QUARTA EDIÇÃO
SE É VERDADE que os livros têm seu destino, o deste parece ser o
mesmo de seu personagem: engordar indefinidamente até estourar. Parece mas não é: O Imbecil Coletivo alcança aqui seu
tamanho máximo, e o que seu autor tenha a dizer sobre o mesmo ou similar assunto irá para outros volumes.
Não que o motivo da engorda fosse ilegítimo: havendo
constatado que este livro tinha a singular propriedade de provar
pelo seu destino a veracidade do seu conteúdo, o autor quis
apenas documentar em cada nova edição o progressivo acúmulo
das provas. De fato, provado está: duas ou três ou mil cabeças
pensam muito pior do que uma. À tese de que o imbecil coletivo
(o fenômeno, não o livro) é uma coletividade de pessoas inteligentes que se reúnem para imbecilizar-se, a intelligentzia local
ofereceu, coletivamente, respostas muito mais imbecis do que
seus membros isolados lograriam produzir por suas próprias
forças.
Para chegar a este C. Q. D., o livro pagou seu preço: repetiu-se além do conveniente, nas páginas finais.
É preciso parar antes que a reação dos demais leitores venha
a comprovar outra das teses defendidas neste volume: aquela
segundo a qual existem limites intransponíveis para a extensibilidade do saco humano.
O Imbecil Coletivo, portanto, encerra aqui a série crescente
dos comentários acerca de si mesmo e, satisfeito de ter provado
tudo quanto desejava, promete que nas próximas edições virá do
mesmo tamanho ou talvez, eliminadas eventuais incorreções,
um pouco menor.
O autor agradece a todos os que colaboraram, voluntária ou
involuntariamente, para o sucesso desta obra, e declara que não
está nem nunca esteve brabo com ninguém, apesar dos traços de
cão raivoso com que tentaram pintá-lo de maneira escandalosamente projetiva, no sentido freudiano da coisa. Também não
ligo a mínima para os exercícios de psicologia pejorativa que