IEDA SANTOS DELGADO, há exatos 40 anos, embarcava do Rio de Janeiro para São Paulo com o objetivo de ajudar um casal de militantes a fugirem da ditadura no Brasil. A última notícia que dela temos, graças a seu cartão de embarque, é que viajou num avião da Varing e nada mais. É considerada, desde então, desaparecida política e provavelmente morta nos porões do DOI-CODI de São Paulo. Ieda, como Honestino Guimarães e Paulo de Tarso Celestino, foi estudante na Universidade de Brasília. O contexto de seu desaparecimento é investigado pela Comissão Anísio Teixeira de Memória,Verdade e Justiça e Verdade da UnB. Hoje, a Universidade de Brasília tem um dos seus pavilhões com seu nome e também a Associação de Pós-Graduandos, pois lutamos por notícias dela há vários anos incansavelmente. Sua história já foi tema de filme, num documentário feito pela cineasta Maria Coeli, que também é responsável pelo primeiro documentário sobre Honestino Monteiro Guimarães, ex-presidente da FEUB e presidente da UNE no início dos anos de 1970. Ieda Delgado, como Paulo de Tarso, era advogada e trabalhava no DNPM do Rio de Janeiro. Durante muito tempo depois de seu desaparecimento, sua mãe recebeu cartas e ligações como se partissem da própria Ieda, o que aumentou a violência das torturas, no caso psicológica, de todos - não só da Ieda. Para que nunca mais se esqueça e para que nunca mais aconteça, seguimos em luta por notícias.
ONDE ESTÁ IEDA SANTOS DELGADO?
DESAPARECEU?
DESAPARECEU COM QUEM?
" Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Leva os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus.