Google Groups no longer supports new Usenet posts or subscriptions. Historical content remains viewable.
Dismiss

sobredotação na Madeira é tratada com negligências e abusos por docentes de escola

7 views
Skip to first unread message

Januário Moderno

unread,
Jun 16, 2004, 8:39:12 PM6/16/04
to

Os encarregados de educação de um aluno do 4.º ano do Ensino Básico, de uma

escola do Funchal, queixam-se de que o seu educando foi «vítima de maus

tratos e agressões por parte dos colegas e até dos professores, na própria

escola». Um caso que tem «causado grande desgaste psicológico» a toda a

comunidade escolar, em particular ao aluno e aos pais, que já apresentaram

várias queixas ao Ministério Público.

Os pais do aluno expuseram ainda a situação ao secretário regional da

Educação, mas dizem não ter obtido resposta. No entanto, o DIÁRIO foi

informado pelo próprio secretário regional que há um inquérito em curso para

apurar responsabilidades. Francisco Fernandes explica que tem conhecimento

de «versões contraditórias» do processo, por parte da comunidade escolar, o
que

o impossibilita de partir para uma solução imediata.

O aluno é sobredotado e é também portador de deficiência visual. Os pais

insurgem-se contra o facto de não ter sido ministrada ao seu educando «a

orientação pedagógica adequada». Além disso, «tem sido vítima de negligência
e

maus tratos físicos», imputados pelos pais a alguns professores da escola.

Também não poupam de críticas a respectiva directora do estabelecimento pelo

facto de tratar do assunto de forma «negligente». Contactada pelo DIÁRIO, a

própria disse «desconhecer o assunto» e recusou-se a fazer comentários.

O secretário regional da Educação mostra-se «ao corrente da exposição

efectuada pelos pais do aluno». No entanto, tem também em seu poder

«diversas exposições da Escola - da sua directora e do Conselho Escolar -
cujos

conteúdos apresentam as maiores contradições e tomadas de posição

divergentes relativamente aos factos invocados e às soluções propostas». Por

isso, o secretário da tutela diz não ser, «neste momento, possível assumir

qualquer posição sobre a matéria sem que esteja concluído o inquérito em

curso».

Após ter sido «ostracizado na escola, pese embora o excelente rendimento no

início do ano», os pais do aluno acrescentam que, na sequência do «desgaste

sofrido», a criança «está agora em casa, sem frequentar a escola,
absolutamente

desmoralizada e aos cuidados de uma psicóloga que verifica estar perante um

caso de desleixo e de negligência». O secretário da Educação sublinha que o

aluno «não está, de forma alguma, impedido de frequentar a escola e que a
sua

ausência das actividades escolares não foi determinada pela escola».

Antonio do Lago

unread,
Jun 17, 2004, 2:26:23 PM6/17/04
to
A Madeira é do Jardim (é mentira: de facto, é do dono dele!)


Paulo M.

unread,
Jun 18, 2004, 5:38:44 AM6/18/04
to
"Januário Moderno" <januario...@clix.pt> escreveu na mensagem
news:40d0ed5a$0$3411$a729...@news.telepac.pt...

> Os encarregados de educação de um aluno do 4.º ano do Ensino Básico, de
uma
> escola do Funchal, queixam-se de que o seu educando foi «vítima de maus
> tratos e agressões por parte dos colegas e até dos professores, na própria
> escola».


A Mensa já fez testes a madeirenses e encontrou valores elevados no score de
QI. Deve haver muito sobredotado esquecido na Madeira. Mas eu interrogome:
será que a Madeira tem interesse em incentivar a inteligencia nos seus
habitantes?

Pão-pão Queijo-queijo

unread,
Jun 18, 2004, 12:04:10 PM6/18/04
to

"Paulo M." <pau...@esoterica.pt> escreveu na mensagem
news:10875515...@mystique.esoterica.pt...

> será que a Madeira tem interesse em incentivar a inteligencia nos seus
> habitantes?

Nem lá nem cá, caro Paulo.

Sabes o que é ter um filho de 8 anos que:

(tudo obtido por conta própria)

- Aos dois anos e meio conhecia os algarismos
- Aos 4 anos e meio sabia ler
- Após 2 semanas no primeiro ano passou para o segundo
- Está a acabar o terceiro e as classificações são sempre "muito bom" em
todas as areas (de vez em quando aparece um "bom")
- Compreende sem dificuldades o inglês falado e escrito não tem dificuldades
em retorquir, apenas pelo que ouve na TV e pelas viagens na internet.
- Domina o uso do PC , desde um FDISK até à instalação, não tem dificuldades
em fazer as sua próprias pesquisas na internet, tem um lacto conhecimentos
sobre vírus (principalmente os mais recentes)
- Conhece com alguma profundidade o Visual Basic (sabendo de muitas
diferenças entre a versão 5 e Visual Basic Net), desenvolve pequenos
programas, experiência esta também levada a cabo sem qualquer ajuda que não
sejam alguns livros que encontra na estante
...
E quanto apoios, bem os procuro, mas nada :-)
A não ser o de um director de escola e uma jovem professora interessada
nestes casos.


Januário Moderno

unread,
Jun 19, 2004, 3:02:31 PM6/19/04
to
Já agora, acaba de sair no DN uma notícia sobre
o caso:

http://www.dnoticias.pt/motor/default.asp?file_id=dn010102090604

Quanto a mim, e a minha família, nosso objectivo, não é
aumentar ainda mais o fogo que já existe neste contexto.
Mas sim fazer ver à opinião pública que nossas intenções
são legítimas em salvaguardar os interesses, e as integridades
morais e físicas de nosso filho.

O Secretário de Educação infelizmente não soube responder
a razão por que não respondeu ainda a nenhuma de nossas
cartas, nem sequer aquelas enviadas à Directoria de Educação,
ou à Delegação Escolar. Qual a razão para todos se mostrarem,
e durante tanto tempo inertes e silenciosos, quais os riscos
que estão dispostos a assumir quanto aos interesses e
integridades do menor Hugo?

Eu e minha esposa temos um grande compromisso com o sucesso
de nosso filho, não especificamente direccionado para
um propósito temático em particular, mas com o aproveitamento
máximo de suas potencialidades e crescentes competências.
Não é fácil o papel de pais, alertas para a carência dos
recursos disponíveis na Ilha da Madeira (e até mesmo no
continente).


Na escola, o sobredotado tende a aprender por absorção, já que gosta
de mergulhar profundamente nos problemas e de estabelecer uma espécie
de cumplicidade com os desafios intelectuais que aqueles suscitam. Mas
nem sempre consegue transmitir da melhor forma esses conhecimentos.

Nosso filho já sabia ler e escrever aos 4.5 de idade. Hoje com 8 anos
já leu praticamente todas as principais obras infantis de Lewis Carrol,
ROALD DAL ,
Rudyard Kipling, José Mauro Vasconcelos, Charles Dickens e outros. Aos 6
anos
concluiu todo o currículo do primeiro ano em apenas 3 meses; quando
tinha sete, no segundo ano, fez o mesmo, o que implicou na sua
aceleração para o terceiro ano; no quarto ano já alcançou a equivalência
curricular do sexto ano, mas como a lei não permite mais do que duas
acelerações, preferimos esperar mais alguns anos, especialmente
devido à sua imaturidade emocionou relativamente aos colegas
nesa fase. A frustração desta criança é enorme ao se deparar
todos os dias com um ambiente escolar rival aos seus valores
e princípios, pouco estimulador e até depreciador de suas
valências.

Em relação ao Hugo Rafael, está ele já, em muitos
aspectos, avançado, mesmo para o 6º ano. Submetê-lo ao
idêntico ensino, e esperar dele um resultado semelhante ao do restante
de seu grupo seria uma atitude negligente, com resultados medíocres,
a julgar pelas potencialidades deste indivíduo.

Seus progressos não podem e não serão moldados à luz da suficiência,
sua capacidade de assimilação deve ser observada e utilizada em seu
máximo limiar, mesmo que para isso tenhamos que remove-lo de seu
grupo actual (não é este nosso objectivo, necessariamente, pois há outras
variáveis e factores relevantes ao desenvolvimento do infante, que têm de
ser observados. O facto de o educando ter sido matriculado no ensino
oficial é sobretudo motivado em nossa crença de que recai sobre a classe
média a responsabilidade pela qualidade do ensino público, pois que esta
classe
deve actuar como moduladora qualitativa da eficácia do sistema educativo.

Todos os indivíduos têm de ser tratados à luz de suas idiossincrasias
individuais. O ensino moderno, urge V.S. reconhecer, baseia-se na
determinação e adaptação às individualidades. Não se pode aceitar,
em pleno século 21, com tantas contribuições fundamentais de cientistas
tais como Comenius, Heinrich Pestalozzi, Froebel, Friedrich Herbart,
Jean Piaget, Maria Montessori, John Dewey, Robert B. Downe, Rudolph
Steiner, e tantos outros, uma simplificação e deterioração da pedagogia no
sentido do ensino massificante, levado à termo sem a sensibilidade à pessoa,
indivíduo intrinsecamente incomum, que todos somos. É irrefutável
reconhecer:
Na valorização de nossas individualidades é que encontraremos a verdadeira
e melhor maneira de servirmos à comunidade onde nos inserimos, de forma
não mediocre, explorando a excelência em aspectos particulares a cada um
de nós.

Existe em Portugal um número estimado
(e bastante realista, estatisticamente) de 1.5 milhões
de sobredotados, apenas 5 mil foram até a presente data
sinalizados. Este dado é oficial. Aliado a outros indicadores,
permite que sejam tiradas muitas deduções acerca do panorama
educacional que vivemos hoje no país. Isto é uma
materia para muitas e muitas páginas. É o futuro de uma
nação que está aqui em cheque (mate?).

Há dez anos, quando morava ainda na Escócia, lembro-me de uma pesquisa,
patrocinada por um periódico de Glasgow, "The Guardian", onde vários países
Europeus foram comparados quanto às suas competências em Educação e Ensino.
Recordo-me que ao ler o resultado fiquei estupefacto ao constatar que
Portugal
se situava em penúltimo lugal, perdendo apenas para a Grécia. Se
não estou enganado pela memória, o Chefe de Governo era o Cavaco Silva.
Desde então revesaram-se as responsabilidades administrativas nacionais
entre
os dois partidos de maioria. Mas a única coisa que pude verificar, já
vivendo em
Portugal, foi uma intermitente dilapidação mútua dos partidos em tudo o que
concerne à educação, nada de relevante ou drástico foi feito com o sentido
de
salvar o país da eminente catástrofe. Manuais escolares mal planeados e
repletos
de erros, alguns gravíssimos; um sistema escolar com baixíssima
rentabilização
de recursos; uma rede escolar obsoleta, sem qualquer sinergia, que não
usufrui
das potencialidades oferecidas pelas TIC's no sentido de intercambiar suas
experiências, facultando aos educandos nacionalmente material relevante
ao seu desenvolvimento; um currículo básico interpretado não à luz de uma
referência
comum, mas sim como um limite, uma ferramenta de protecção corporativista,
por profissionais do ensino, que salvaguardam seus direitos ao cumprir tal
obrigação,
mera e simplesmente.

Hoje, segundo os orgãos internacionais como a UNESCO e a ONU, Portugal
está imbatível na última posição quanto às competências acadêmicas de sua
população,
assumindo o último lugar, vindo a Grécia logo a seguir.

No JN de 2 - 11 - 2002 já se aludia à publicação da Comissão Europeia, o
primeiro "Relatório Europeu sobre os Indicadores de Qualidade em Matéria de
Educação e
de Formação ao Longo da Vida", que examina a situação em 35 países.
O relatório mostra, por exemplo, que o total das despesas públicas com a
educação, em percentagem do PIB (produto interno bruto) aumentou em Portugal
de
5,37% em 1995 para 5,73% em 1999 (nos anos 80 este percentual era de apenas
3%), mas que apesar deste esforço crescente na
educação, Portugal é apontado como um dos países onde os jovens mais
dificuldades têm nas áreas da leitura, matemática e ciências. O país também
é o
que tem a taxa maior de abandono escolar, dos alunos entre 18 e os 24 anos
mais de 40% já deixou o ensino. Este nível baixo de formação de base vai-se
repercutir, em
seguida, na reduzida participação (cerca de 3%) de adultos (de 25 a 64 anos)
em
acções de educação e formação ao longo da vida...

Embora Portugal esteja relativamente bem em termos de seu mercado de
trabalho,
chegando mesmo a alcançar os objectivos da "Estratégia de Lisboa", sua força
laboral carece de habilitações, tendo uma baixíssima produtividade.

Com o ingresso dos 10 novos membros na EU, Portugal prepara-se para levar um
tremendo encontrão de países como a Eslovênia e o Chipre, com uma força
laboral de
altíssima qualificação à custos muito inferiores aos Portuguêses.

Quanto à sobredotação, a situação é não menos crítica:
Estas criaças estão praticamente largadas à merce de um destino
incerto e condicionado pela competência e discernimento de seus
respectivos encarregados de educação (os que provavelmente irão
quase sempre sinalizar primeiro suas aptidões). Partindo do princípio
de que a maioria dos pais não têm escolaridade mínima e portanto
sem aptidões académicas para fazer valer os direitos de seus
filhos perante o estado, cabe ainda mais uma conclusão preocupante:
que os talentos Portugueses estarão artificialmente correlacionados à elite
intelectual ou social do país.

Mesmo assim a luta não é pequena nem trivial. Estas criaças amiúde
são mal interpretadas pelos professores (o Hugo foi diversas vezes agredido
e
insultado pelos seus professores) e gozadas pelos colegas (não foram poucas
as
circunstâcias em que foi humilhado de maneira absolutamente repugnante pelos
seus pares, tendo sido despido e privado de seus óculos, tendo sido agredido
inúmeras vezes ao ponto de ter que ser levado ao hospital recentemente);
tudo isto perante a falta de legislação para sua melhor integração escolar.

Na escola, estes alunos tendem a aprender por absorção, já que gostam
de mergulhar profundamente nos problemas e de estabelecer uma espécie
de cumplicidade com os desafios intelectuais que aqueles suscitam. Mas
nem sempre conseguem transmitir da melhor forma esses conhecimentos.
Podem pecar por defeito, têm dificuldades de aprendizagem, ou por
excesso, podem parecer arrogantes e vaidosos.

Nosso filho já sabia ler e escrever aos 4.5 de idade. Hoje com 8 anos
já leu praticamente todas as principais obras infantis de Lewis Carrol,
ROALD DAL ,
Rudyard Kipling, José Mauro Vasconcelos, Charles Dickens e outros. Aos 6
anos
concluiu todo o currículo do primeiro ano em apenas 3 meses; quando
tinha sete, no segundo ano, fez o mesmo, o que implicou na sua
aceleração para o terceiro ano; no quarto ano já alcançou a equivalência
curricular do sexto ano, mas como a lei não permite mais do que duas
acelerações, preferimos esperar mais alguns anos, especialmente
devido à sua imaturidade emocionou relativamente aos colegas
nesa fase. A frustração desta criança é enorme ao se deparar
todos os dias com um ambiente escolar rival aos seus valores
e princípios, pouco estimulador e até depreciador de suas
valências.

Caso alguém tenha ideias, ou mesmo experiências neste contexto,
gostaríamos muito de poder conhece-las. Sobretudo no que
concerne aos estabelecimentos escolares e à integração
social de seus educandos.

Um abraço

EMMJ e GMPC


"Pão-pão Queijo-queijo" <qual...@netcabo.pt> wrote in message
news:40d31682$0$1829$a729...@news.telepac.pt...

0 new messages