Prezados,
Para os que se interessam pela história da nossa ciência, compartilho um artigo do jornal britânico The Guardian:
Why are so many academics in the Epstein files? It’s not just about money
Com a revelação de que um dos mais proeminentes linguistas do mundo, Noam Chomsky, era amigo (e conselheiro) do pedófilo Jeffrey Epstein, vale a pena refletir sobre este fato incômodo, no título do artigo: por que há tantos acadêmicos nos arquivos de Epstein?
Como o artigo explica, parte da razão é o dinheiro. Mas há algo ainda mais arraigado, em um ambiente profissional extremamente propício à vaidade: "Em um sistema universitário que nutre uma fome por status, Epstein fez com que acadêmicos se sentissem como celebridades." Muito longe das prestigiosas universidades citadas na matéria, o sistema é reproduzido mundo afora. Quem, entre nós, não testemunhou a subserviência com que nossas instituições e acadêmicos tratam figurões estrangeiros, mesmo os de comportamento questionável?
Se nem cientistas célebres (e, presume-se, bem pagos) como Noam Chomsky resistem à tentação de usufruir dos benefícios de uma amizade com ricos e famosos (no caso dele, jatinho privado, hospedagem grátis e a oportunidade de "conhecer um grande artista", Woody Allen), o que dizer do acadêmico periférico?
Talvez isso ajude a explicar a "pimp mentality" que muito acadêmico latino-americano tem com professores estrangeiros famosos (ou nem tão estrangeiros e famosos assim).
Abraços,
Eduardo