Convidamos todos/as os/as interessados/as a assistirem a palestra da linguista Priscilla Alyne Sumaio Soares nos Seminários do NTL do mês de fevereiro de 2026.
Seminários do NTL
Dia: 27/02/2026
Hora: 14h30 (horário de Brasília)
Evento híbrido: presencial na Universidade Federal de Goiás e remoto, via YouTube
Local: sala 79 da Faculdade de Letras da UFG
Palestrante:
Priscilla Alyne Sumaio Soares (UFG)
Priscilla Alyne Sumaio Soares é doutora em Linguística e Língua Portuguesa pela Universidade Estadual Paulista (UNESP/Araraquara), com mestrado na mesma área e graduação em Letras. É professora de Libras, Línguas Indígenas de Sinais e Ensino da Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como pesquisadora nas áreas de Libras e línguas indígenas de sinais.
Título da palestra: Fonologia da língua indígena terena de sinais e contribuições para a tipologia das línguas de sinais
Resumo:
Este trabalho apresenta uma análise fonológica da língua indígena terena de sinais, língua natural utilizada por surdos e ouvintes Terena da Terra Indígena Cachoeirinha, no Mato Grosso do Sul. A pesquisa resulta de trabalho de campo etnográfico e de análise linguística sistemática, baseada em registros em vídeo e fotografia do uso espontâneo da língua em contextos comunicativos cotidianos, e integra dados apresentados na tese Língua Terena de Sinais: análise descritiva inicial da língua de sinais usada pelos Terena da Terra Indígena Cachoeirinha (Soares, 2018). A análise fonológica da língua indígena terena de sinais evidencia a existência de organização segmental e de contrastes fonológicos, com unidades mínimas distintivas estabelecidas por parâmetros como configuração de mão, locação e movimento. Foram identificados pares mínimos e pares análogos que demonstram contraste sistemático entre sinais, revelando regularidade interna e regras próprias de combinação dos parâmetros fonológicos. Esses dados inserem a língua indígena terena de sinais no conjunto das línguas naturais da modalidade viso-gestual, apresentando uma estrutura fonológica comparável, em termos teóricos, à de outras línguas de sinais descritas na literatura. Observa-se que o inventário fonológico da língua indígena terena de sinais não coincide integralmente com o da Libras, apresentando configurações de mão e padrões fonológicos específicos. Destaca-se, ainda, a ausência de influência grafocêntrica na formação dos sinais, aspecto relacionado ao contexto sociocultural Terena e ao fato de sua língua oral ser tradicionalmente ágrafa. Essa característica constitui uma contribuição relevante para a tipologia das línguas de sinais, ao indicar que línguas de sinais indígenas podem desenvolver soluções fonológicas distintas daquelas observadas em línguas de sinais urbanas, frequentemente influenciadas por sistemas de escrita alfabética. Do ponto de vista tipológico, a fonologia da língua indígena terena de sinais amplia o conhecimento sobre a diversidade estrutural das línguas de sinais e reforça a necessidade de incorporar línguas de sinais indígenas em estudos comparativos e descritivos da linguagem humana.