Carta aos nossos amigos-irmãos,
Queridos, temos um comunicado a fazer: passaremos um tempo morando fora do país. Iremos morar nas terras geladas da Cidade de Quebec no Canadá. Estamos neste processo desde 2009, quando demos oficialmente entrada no pedido. Recebemos em maio/2013 a notícia que este sonho poderia ser concretizado com a solicitação dos exames médicos, e a resposta definitiva em junho com o recebimento dos passaportes com o visto de imigrante. Fizemos isso em certo silêncio, apenas minha mãe e Sarah conheceram todos os passos; nossas crianças pequenas, foram introduzidas na idéia de morar fora quando percebemos que o processo estava 80% concluido (e diga-se, foram extremamente leais, guardaram o segredo de familia e foram cuidadosas em abordar o assunto apenas conosco, obrigada pequenos); meu sogro soube de alguns fleches, mas já foram comunicados; e Tânia em dez/2013, num desabafo, pedi segredo; depois Rose e Sapo e Renata e Ricardo, em momentos diferentes; e vários ensaios para fazer um comunicado geral e nada, finalmente hoje no final do niver de Lua consegui falar com aqueles que lá estavam, Curuja e cia, Binho e cia e Déa e cia. Faltou Tulho que provavelmente ficará sabendo quando ler este e-mail.
Estou desde o início do processo, aguardando e dando cada passo solicitado, num processo de desapego e de despedida constante de tudo e de todos, familiares e amigos. Peço desculpas por isso, por ter me dado ao luxo de fazer este processo de despedida para mim lento e saboroso aproveitando cada momento com cada um de vocês na sua plenitude me nutrindo para enfrentar a despedida final. É chegada a hora, então, deste comunicado para esperar a despedida formal, o abraço apertado, a lágrima no rosto, a saudade antecipada, a angústia do que virá.
Serão muitas saudades. Saudades da familia e dos amigos, saudade da convivência, de ver as crianças crescerem e de nos ver envelhecer juntos, do contato, do abraço, dos intermináveis motivos que arrumamos para estar juntos; do ceu azul com sol brilhante que encontra o mar; do calor que nos deixa de mal humor e só nos resta a pouca roupa e as belas praias para nos refrescar; do balanço da rede numa sombra fresca que acalenta a alma nos convence de que não há nada melhor; da cultura, o carnaval com sua música, que independente do “que digam, do que pensem ou que falem”, invade nosso corpo e balança músculos que desconhecemos; da nossa culinária e dos nossos chefs particulares… “Amo muito tudo isso!”
Mas nem tudo que vemos neste cenário poético se traduz nesta felicidade incondicional, esta felicidade em verdade, é casual e dentro do nosso mundo. Não temos mais nem as nossas praias! Nem podemos andar tranquilo pelas ruas. Vivemos nossa vida numa cidade sem estrutura e com crescentes problemas sociais e econômicos, que se desenvolve e cresce de forma desordenada sem respeitar os direitos e a dignidade das pessoas, problemas estes que mesmo sem estarmos envolvidos ou termos sido responsáveis por criá-los batem à nossa porta, porque dependemos de um governo que governa para si, independente do quão consciente que votamos, e vem aquela sensação de impotência, desespero e interrogação: o que estou fazendo aqui? Sei que, em parte, sou responsável, mas não tenho mais força para lutar...Cadê o meu Brasil brasileiro...
Pois é! Nos demos a chance de tentar algo diferente mesmo com estas perdas relativas tão enormes e impossíveis de mensurar. Estamos partindo para uma aventura que apesar de sonhada é bastante lúcida. Não estamos deslumbrados, sabemos que será difícil, mas estamos dispostos a, pelo menos, tentar.
Neste período que estaremos fora, queremos a visita de todos e trataremos de retornar vez por outra para rever a todos. Deixaremos nossa filha mais velha aos cuidados de todos vocês, estejam sempre com ela e não a esqueçam para as festas e happy hours, será uma forma de estarmos sempre presentes.
Demorei muito para escrever estas linhas, fui e voltei várias vezes, e cada vez que ia e voltava as lágrimas vinham sem dó, muitas! Mas foram escritas com toda a força do meu coração, queria ser convincente, talvez convencer a mim mesma que esta mudança “é o melhor a ser feito”! Deixar pessoas queridas e ir para tão longe não é fácil, ainda mais para um recomeço que não sabemos como será. Torçam por nós!
Com amor, com muito amor, e amizade infinita que ultrapassa o real,
Rosa, Marcelo, Isabella e Gustavo.
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Essas linhas foram muito emocionantes. Não deu para segurar as lágrimas. O pior é que foi no trabalho – sacanagem!!!!!! rsrsrsrs
Lembrou-me de quando tivemos que morar em Ilhéus. Envolveram sentimentos parecidos com os quais vcs estão sentindo agora.
Vandréia já estava longe, já tinha sofrido antes (e não foi pouco) ao ir morar em Belém. A ida para Ilhéus, para ela, foi a esperança de retorno, para mim seria um novo mundo, uma nova vida.
Foi muito difícil imaginar a despedida, largar a minha rotina, trabalho, os amigos, mainha e voinha. Ao pensar na distância de todos, simplesmente chorava.
Mas, era o passo a ser dado - tinha que ser feito. Fui traçar a minha história com Déa. Tivemos Joãozinho, fizemos amigos, vivemos o que tínhamos que viver, fomos felizes.
Não foi fácil, mas enfrentamos juntos. O “animus” de definitivo deixa a partida ainda mais dolorosa, não sabemos como será, o que virá, vai ser para sempre, vou perder meus melhores amigos, como os meninos vão ficar, ... Enfim, o medo da mudança torna a decisão mais complicada.
Tenho certeza que vai ser maravilhosa essa nova experiência, essa nova vida, ainda mais estando todos juntos.
No final tudo dá certo. Novos amigos virão (tão bons quanto nós, não duvide, pois vcs são pessoas maravilhosas e a força da atração prevalecerá) e os antigos permanecerão sempre em seus corações e pensamentos.
Saudade sempre existirá enquanto vcs estiverem longe, mas fica a certeza da “amizade infinita que ultrapassa o real”.
Beijão, para essa família maravilhosa.
Amo vcs,
João Paulo.
"Com amor, com muito amor, e amizade infinita que ultrapassa o real"
Beijos,
Rose, Sionei, Céci e Lú
Carta aos nossos amigos-irmãos,
Queridos, temos um comunicado a fazer: passaremos um tempo morando fora do país. Iremos morar nas terras geladas da Cidade de Quebec no Canadá. Estamos neste processo desde 2009, quando demos oficialmente entrada no pedido. Recebemos em maio/2013 a notícia que este sonho poderia ser concretizado com a solicitação dos exames médicos, e a resposta definitiva em junho com o recebimento dos passaportes com o visto de imigrante. Fizemos isso em certo silêncio, apenas minha mãe e Sarah conheceram todos os passos; nossas crianças pequenas, foram introduzidas na idéia de morar fora quando percebemos que o processo estava 80% concluido (e diga-se, foram extremamente leais, guardaram o segredo de familia e foram cuidadosas em abordar o assunto apenas conosco, obrigada pequenos); meu sogro soube de alguns fleches, mas já foram comunicados; e Tânia em dez/2013, num desabafo, pedi segredo; depois Rose e Sapo e Renata e Ricardo, em momentos diferentes; e vários ensaios para fazer um comunicado geral e nada, finalmente hoje no final do niver de Lua consegui falar com aqueles que lá estavam, Curuja e cia, Binho e cia e Déa e cia. Faltou Tulho que provavelmente ficará sabendo quando ler este e-mail.
Estou desde o início do processo, aguardando e dando cada passo solicitado, num processo de desapego e de despedida constante de tudo e de todos, familiares e amigos. Peço desculpas por isso, por ter me dado ao luxo de fazer este processo de despedida para mim lento e saboroso aproveitando cada momento com cada um de vocês na sua plenitude me nutrindo para enfrentar a despedida final. É chegada a hora, então, deste comunicado para esperar a despedida formal, o abraço apertado, a lágrima no rosto, a saudade antecipada, a angústia do que virá.
Serão muitas saudades. Saudades da familia e dos amigos, saudade da convivência, de ver as crianças crescerem e de nos ver envelhecer juntos, do contato, do abraço, dos intermináveis motivos que arrumamos para estar juntos; do ceu azul com sol brilhante que encontra o mar; do calor que nos deixa de mal humor e só nos resta a pouca roupa e as belas praias para nos refrescar; do balanço da rede numa sombra fresca que acalenta a alma nos convence de que não há nada melhor; da cultura, o carnaval com sua música, que independente do “que digam, do que pensem ou que falem”, invade nosso corpo e balança músculos que desconhecemos; da nossa culinária e dos nossos chefs particulares… “Amo muito tudo isso!”
Mas nem tudo que vemos neste cenário poético se traduz nesta felicidade incondicional, esta felicidade em verdade, é casual e dentro do nosso mundo. Não temos mais nem as nossas praias! Nem podemos andar tranquilo pelas ruas. Vivemos nossa vida numa cidade sem estrutura e com crescentes problemas sociais e econômicos, que se desenvolve e cresce de forma desordenada sem respeitar os direitos e a dignidade das pessoas, problemas estes que mesmo sem estarmos envolvidos ou termos sido responsáveis por criá-los batem à nossa porta, porque dependemos de um governo que governa para si, independente do quão consciente que votamos, e vem aquela sensação de impotência, desespero e interrogação: o que estou fazendo aqui? Sei que, em parte, sou responsável, mas não tenho mais força para lutar...Cadê o meu Brasil brasileiro...
Pois é! Nos demos a chance de tentar algo diferente mesmo com estas perdas relativas tão enormes e impossíveis de mensurar. Estamos partindo para uma aventura que apesar de sonhada é bastante lúcida. Não estamos deslumbrados, sabemos que será difícil, mas estamos dispostos a, pelo menos, tentar.
Neste período que estaremos fora, queremos a visita de todos e trataremos de retornar vez por outra para rever a todos. Deixaremos nossa filha mais velha aos cuidados de todos vocês, estejam sempre com ela e não a esqueçam para as festas e happy hours, será uma forma de estarmos sempre presentes.
Demorei muito para escrever estas linhas, fui e voltei várias vezes, e cada vez que ia e voltava as lágrimas vinham sem dó, muitas! Mas foram escritas com toda a força do meu coração, queria ser convincente, talvez convencer a mim mesma que esta mudança “é o melhor a ser feito”! Deixar pessoas queridas e ir para tão longe não é fácil, ainda mais para um recomeço que não sabemos como será. Torçam por nós!
Com amor, com muito amor, e amizade infinita que ultrapassa o real,
Rosa, Marcelo, Isabella e Gustavo.
"Com amor, com muito amor, e amizade infinita que ultrapassa o real"
Beijos,
Rose, Sionei, Céci e Lú
Rosa, Marcelo, Bella e Gu,
Esperei um pouco antes de escrever algumas palavras para dar a oportunidade de Roger fazer isso, mas não consegui esperar mais, pois a cada mensagem lida também não consigo conter as lágrimas. Não estudei na mesma escola de vocês mas nem por isso me sinto diferente ou menos amada por todos.O que sinto realmente é muito prazer, muito orgulho e alegria de poder fazer parte dessa família. FAMÌLIA, é assim que Giulia e Nina chamam todos vocês. E o que eu posso dizer quando alguém da família vai trilhar novos caminhos é simples:Vão com Deus, tenham fé e coragem...novas experiências enriquecem nossa alma!E, a qualquer retorno, estaremos aqui de coração e braços abertos para recebê-los!Amamos todos vocês!!!Vou assinar po Roger...Juli, Corijito, Giulia e Nina.
Juli,Como todos suas palavras também foram sensacionais, a alma já está mais acalentada e massageada com tanto carinho. Esperamos vocês por lá. Beijos.Rosa
Em 25 de março de 2014 14:33, Juliana Lemos <julian...@uol.com.br> escreveu:
Rosa, Marcelo, Bella e Gu,
M