Diante de condenações convictas à corrupção multimilionária, sempre vai haver alguém para lembrar que o País está repleto de delitos menores e nem por isso mais imunes aos dedos em riste. Inaugurado na segunda-feira por quatro engenheiros de software, o site MultasSociais.net busca apontar tantos dedos quanto possível para a condenação de irregularidades cometidas no trânsito. Qualquer usuário pode enviar imagens de infrações, que são publicadas na página e sujeitas a "multas" dos frequentadores. Basta clicar em "Eu multo!", um avesso do consagrado "curtir", e se unir aos fiscais.
Contatado pelo Terra, um dos idealizadores da iniciativa, que se identificou apenas como Bruno, afirmou que a proposta surgiu com a ideia de construir um site em um fim de semana. "No brainstorm do projeto, pensamos nas denúncias de trânsito que estavam circulando recentemente nas redes sociais, com grande participação dos usuários. Todos nós passamos por várias situações e conhecemos quem também já viu, por exemplo, um carro estacionado bem abaixo da placa de 'proibido parar e estacionar', carros não autorizados a parar na vaga de deficientes, carros estacionados em fila dupla, desrespeito à faixa de pedestres, motorista de ônibus que não respeita o limite de velocidade, colocando em risco a vida dos passageiros, dos pedestres e de outros veículos, carros oficiais que desrespeitam a legislação sem necessidade", lista Bruno, ressaltando a sensação de impotência do "cidadão comum" frente a essas situações.
Embora a proposta abrace qualquer infração, são abundantes os registros de carros de órgãos públicos infringindo a lei - são 12 postagens das 18 totais até as 20h40 desta terça-feira. Bruno esclarece, entretanto, que o site não pretende servir como veículo de denúncia. "A nossa intenção não é de maneira alguma expor uma pessoa que está infringindo a lei, mas sim o ato da infração, fazendo com que as pessoas parem para pensar nas suas atitudes no trânsito", afirma, após sustentar que "os olhares dos serviços públicos que podem fazer algo a respeito são poucos; já os olhares dos motoristas estão por toda a parte".
A possibilidade de anunciar à internet os deslizes de cidadania alheios vem acompanhada da chance de se livrar da exposição. "Todo conteúdo é criado pelos próprios visitantes do site, mas nos preocupamos em criar uma opção e um e-mail específico para solicitar a remoção de conteúdo, caso algum usuário se sinta lesado, ofendido ou queira que sua informação saia do ar", explica Bruno.
Com apenas um dia no ar, a página atraiu 5 mil acessos e mobilizou 11 mil multas. "Muitas pessoas 'tuitaram' e comentaram no Facebook apoiando a iniciativa. Fizemos a versão beta do site em 30 horas, mas não esperávamos essa repercussão em tão pouco tempo", conta Bruno, para quem "a certeza da impunidade ajuda a criar os infratores". "Já pensou se a pessoa pensasse duas vezes antes de cometer alguma irregularidade para não tomar uma multa social?", questiona o programador.