Esboço Análise do conto O Barril de Amontillado, de Allan Poe

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Alecia Pontes

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Jun 3, 2009, 12:14:29 PM6/3/09
to estudosl...@googlegroups.com
Olá, pessoal
Segue meu esboço da análise do conto assustador de Allan Poe, O Barril de Amontillado.
 
O narrador personagem, Montresor narra com ironia um crime perfeito. Acredito que podemos utilizar teorias universalistas para analisar o conto. Entre elas, a psicologia social, por meio da motivação do crime, a vingança, da qual também podemos partir para o prazer e senso de justiça. Ou até mesmo a teoria do crime perfeito. Também a ética da vingança, dentro da filosofia. O pragmatismo e a antropofagia.  O poder e a onipotência do personagem narrador que contradiz o catolicismo ("Não matarás" e "Perdoai os nossos pecados, assim como perdoamos a quem nos tenha ofendido"). Por outro lado, ainda dentro da religião, as passagens biblicas "Olho por olho dente por dente" do exodo. A falácia de Deus "Dois erros fazem um acerto". "A mim a vingança, a mim exercer a justica, diz o Senhor", epistola aos romanos.
Ipsis litteris, da narrativa. O principio da causa e efeito.
Também levantar fatos históricos, como a inquisição, por exemplo. O direito de vingança comum na Idade Média.
 
Montresor deixa claro desde o início que vai se vingar de Fortunato. "Suportei o melhor que pude as injúrias de Fortunato; mas quando ousou insultar-me, jurei vingança".
Ainda adianta que a vingança terá requintes de crueldade: "Não devia apenas castigar, mas castigar impunimente".  
Com tom sarcástico: "Continuei, como de costume, a sorrir em sua presença, e ele não percebia que meu sorriso, agora, tinha como origem a idéia de sua imolação".
Montresor utiliza o ponto fraco de Fortunato como isca, o fato de se vangloriar de ser entendido em vinhos, para o barril de amontilado.
A ironia do conto que coloca Fortunato diante da morte em pleno Carnaval e vestido de bobo da côrte.
Em momento algum Montresor mostra arrependimento de ter "enterrado" Fortunato no mausoléu da família, e finaliza com voto póstumo, com "In pace requiescat, em tom sarcático.
Montresor se torna ainda a personificação do brasão da família. Um grande pé de ouro, em campo azul. o pé esmaga uma serpente ameaçadora, cujas presas se acham cravadas no salto. Nemo me impune lacessit (Ninguém me fere impunemente)
 
 
É isso, vamos falando!!



 




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frutovermelho

unread,
Jun 3, 2009, 3:05:18 PM6/3/09
to estudosl...@googlegroups.com

Amigos , tentei encaminhar o anexo, mas por ser muito grande, ele excedeu o limite do grupo. Assim, peço que por gentileza, acessem nosso grupo baixem o arquivo na pasta ARQUIVOS: a cicatriz de ulisses.

 

Qualquer dúvida , estou à disposição.

 

Att

 

Ari

Doni

unread,
Jun 3, 2009, 9:09:37 PM6/3/09
to estudosliterários
Olá, pessoal.

Abaixo minhas singelas considerações do conto de Edgar Allan Poe.


ESBOÇO DA ANÁLISE DO CONTO

ANÁLISE PSICANALÍTICA

O conto “O barril de amontillado” é narrado pelo personagem-narrador
Montresor. Este é um homem vingativo que não aceita insultos e resolve
assassinar o responsável que o ofendeu que é o seu amigo Fortunato.
Montresor resolve fazer justiças com as próprias mãos.
Fortunato é um homem que entende de vinhos, orgulhoso, julga-se mais
inteligente e superior que Luchesi (personagem que é somente comentado
no conto) e não gosta de ser desafiado. Esta seria a questão que o
teria levado a morte: o orgulho. A todo momento Montresor diz a
Fortunato para que este desistisse de verificar a legitimidade do
amontillado dizendo que o lugar era frio e que sabia que o amigo não
suportava um ambiente desta natureza. Inúmeras vezes é dito a
Fortunato para desistir e este não desiste.
Um fato importante que deve ser considerado é o que teria feito
Fortunato à Montresor para que este desejasse se vingar? Isso não é
dito no conto. Temos apenas um registro da personagem-narrador
expressando a sua indignação diante do insulto e jurando vingança.
Temos aqui um assassinato premeditado. O que leva um homem a
assassinar alguém? No caso de Montresor seria porque ele é um homem
que não admite ser contrariado/questionado? Uma interpretação: quando
alguém se ofende com algo que é dito é porque acredita na ofensa (no
que foi dito), por isso, Montresor teria se ofendido com Fortunato.
Aquele teria complexo de inferioridade diante do amigo.
Outra questão a ser abordada diz respeito ao ego dos dois
personagens: ambos são movidos pelo orgulho. Um não aceita ser
insultado (Montresor) e outro não aceita ser desafiado(Fortunato).

ANÁLISE SOCIOLÓGICA

Primeira análise:

“Você é rico, respeitado, admirado, amado; você é feliz como eu já o
fui em tempos. Você é um homem cuja falta se sentiria. Quanto a mim,
não importa.” Essas são as palavras de Montresor para Fortunato.
Entendemos aqui que Montresor teria sido rico, respeitado, admirado,
amado e que hoje ele não é mais nada disso e que vive a margem da
sociedade. Aqui fica claro que Montresor não é mais reconhecido
perante a sociedade por não ser mais rico.
Uma interpretação sobre o assassinato de Fortunato seria que
Montresor não aceita não existir na sociedade e Fortunato seria um
membro que representaria o poder: orgulhoso, rico, respeitado, amado.
Seria uma forma de se vingar contra o sistema que o rejeitou. O
próprio nome Fortunato indica fortuna, dinheiro, poder.

Segunda análise:

No conto, Montresor fala sobre o brasão da família que é “Um enorme
pé humano, de ouro, em campo azul; o pé esmaga uma serpente rastejante
cujas presas estão ferradas no calcanhar” e a divisa com os seguintes
dizeres: “Nemo me impune lacessit” que quer dizer “Ninguém me fere
impunemente”. Com isso, podemos concluir que a família Montresor tinha
uma tradição, um costume, um lema, uma ideologia, e que seguiam à
risca.


ANÁLISE MITOLÓGICA

Vejamos novamente a fala de Montresor sobre o brasão de sua família:
“Um enorme pé humano, de ouro, em campo azul; o pé esmaga uma serpente
rastejante cujas presas estão ferradas no calcanhar”. Podemos
interpretar sobre o ponto fraco da personagem Fortunato: o orgulho.
Este seria seu calcanhar de Aquiles.

abraço,

Doni
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Ewerton Fernandes de Souza

unread,
Jun 4, 2009, 3:27:35 PM6/4/09
to estudosl...@googlegroups.com
Oi, pessoal!
 
Seguem as minhas considerações:
 
PERSONAGENS:
 
Chama-me a atenção em Montresor o fato de ser calculista, frio e sádico, o que lhe ajuda a premeditar o crime nos seus pequenos detalhes. Contudo creio que a habilidade mais poderosa da personagem é a capacitar de manipulação psicológica. Podemos notar isso na forma como afasta os criados do seu palacete e nos artíficios usados para atrair Fortunato. Por exemplo, ele apela para a cobiça de Fortunato quando lhe atiça por meio do Amontillado, ele também apela para o orgulho ao retomar diversas a figura de Luchesi. Nesse sentido, diria que ele age ardilosamente, mesmo diabolicamente, uma vez que usa os mesmos artifícios usados miticamente pela "serpente do Éden", pois também a serpente apela para a cobiça e o orgulho do homem quando diz que ao comer o fruto "eles serão como deuses". O jogo psicológico ainda pode ser constatado nas frases friamente planejadas de Montresor, pois ele cita Luchesi com o objetivo de atrair Fortunato projetando sobre o mesmo a fatalidade do que lhe vai acontecer uma vez que ele decidir seguir Montresor pela própria vontade. Ao remeter para o espaço, Montresor faz um comentário aparentemente gratuito sobre "a teia branca da aranha nas paredes da cave", simbolizando exatamente a armadilha para a qual Fortunato está sendo atraído. Por outro lado, é altamente simbólico o fato de Fortunato estar vestido de "bufão". Pode sugerir uma ironia.. O que também pode sugerir uma ironia é o  próprio nome da personagem, como bem citou o Doni.
 
ESPAÇO:
 
Acredito que devamos dar atenção especial ao espaço, tão bem descrito por Poe, com certeza há muito de simbólico nele. A descida pela escada em caracol pode remeter à descida para o inferno, como ocorre em Dante. Creio que o espaço não se constitui um elemento meramente decorativo, mas ajuda a construir o clima psicológico que o conto requer e também encerra em si inúmero símbolos. A escuridão, a umidade, a estreiteza são elementos espaciais que sugerem predisposições psicológicas, espirituais conectando o texto com a toda a tradição simbólica. Ressalto a importância dos números citados pelo narrador-personagem quando se refere a última cripta, creio que signifiquem algo, uma vez que são todos números recorrentes na literatura religiosa e mesmo nas artes. A citação da maçonaria só corrobora tal alusão. Acreidto também que na frase "senti o coração oprimido, dada a forte umidade das  catacumbas", pode haver uma metáfora que remete à própria personagem Montresor.
 
OUTROS:
 
 Elementos como o salitre e o vinho também podem se constituir simbólicos. Talvez, na linha adotada pela Alecia, possa remeter ao "taça da ira", imagem apocalíptica. O "vinho" especificamente no Apocalipse é imagem da ira de Deus.
A vingança para Montresor é marcada por duas características: a impunidade do vingador e a ciência por parte da vítima em relação a quem é o vingador". Nesse sentido, ainda dialogando com a análise da Alecia, descartaria o Êxodo, pois também há na legislação hebraica toda a preocupação com a vingança, tanto que a Lei institui "cidades de refúgio" que possam proteger alguém que está sendo perseguido por um vingador ("Goel" em hebraico) e toda uma série de cuidados para que haja um julgamento público referente a qualquer crime cometido. No entanto, quanto à ética da personagem, creio que possamos discutir isso, pois como disse a Alecia, a personagem Montresor quebra diversos preceitos da moral cristã. Só que em Poe creio que isso não pareça como um questionamento dessa moral, mas sim constitui-se somente uma forma de reforçar a perversidade e frieza da sua personagem, conferindo-lhe um caráter diabólico. Podemos aproveitar muito aqui o que foi dito pelo Doni quanto ao perfil psicológico das personagens.
 
 
Obs: como entregaremos a primeira análise do conto? Na forma como discutimos no email mesmo?


De: Doni <donic...@hotmail.com>
Para: estudosliterários <estudosl...@googlegroups.com>
Enviadas: Quarta-feira, 3 de Junho de 2009 22:09:37
Assunto: Re: RES: Esboço Análise do conto O Barril de Amontillado, de Allan Poe


Olá, pessoal.

Abaixo minhas singelas considerações do conto de Edgar Allan Poe..
Este seria seu calcanhar de Aquiles..

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frutovermelho

unread,
Jun 4, 2009, 4:00:06 PM6/4/09
to estudosl...@googlegroups.com

Boa Tarde Turma

 

Pelo que entendi , deveremos entregar um esboço da análise do conto que será fruto dessa discussão somada ao que produziremos em sala. De acordo com o cronograma que ele passou. Façamos o seguinte: levemos nossas discussões impressas para debatermos em sala, e lá montaremos, juntos um esboço final para ser entregue.

De qualquer maneira, amanhã, vou publicar aqui minhas percepções acerca do conto.

 

Mas de ante-mão adianto que as observações de vocês estão bem legais.

 

Abraços

lais siqueira

unread,
Jun 4, 2009, 8:30:15 PM6/4/09
to estudosl...@googlegroups.com
Boa noite,

Ewerton quanto a cripta ser a última...
Em Dante ele descreve cada CÍRCULO como sendo próprio para cada tipo de pecador
e o último círculo é justamente o dos traidores. Assim como Lúcifer que traiu Jesus e assim como a serpente que traiu Eva (em Genesis 3)
No trecho que POe descreve o caminho é a decrição de Dante para as passagens.
[...] Passamos por uma série de arcos baixos, descemos, atravessamos outros, descemos novamente e chegamos a uma profunda cripta [...]
Na descrição do ambiente (também) podemos observar características da prosa gótica,
ambiente pequeno, úmido saõ típicos na literatura de terror.

Agora...
o professor pede para organizarmos elementos que representem a crítica romântica, psicanalítica, mitológica e sócio-histórica.
A psicanalítica... acredito que já foi bem argumentada pelos colegas.
A mitológica.... acredito que podemos continuar nas observações quanto aos símbolos (na descrição do ambiente principalmente) e no brasão (que sinceramente não consegui entender... :(  )
A sócio-histórica ... a questão de Montresor não aceitar que Fortunato tenha poder, respeito, ... ser Maçom é símbolo de força.
E a Romântica.... Alan Poe é um dos maiores representantes da Prosa Gótica que
que tem como tema o terror, medo,  desafia a razao e ao mesmo tempo que assusta o leitor provoca prazer por serem obras envolventes  psicologicamente.

Bom pessoal... foi difícil essa semana... nem consegui fazer o fichamento ainda...
Li muita coisa e parece que não li o suficiente :(

Amanha nos falamos mais.
Até
Lais



--- Em qui, 4/6/09, frutovermelho <frutov...@gmail.com> escreveu:

frutovermelho

unread,
Jun 5, 2009, 10:25:43 AM6/5/09
to estudosl...@googlegroups.com

Caros colegas

 

Seguem minhas breves observações sobre o texto. Ressalto que as análises até aqui apresentadas são ricas em observações. Concordo com grande parte do que foi apresentado até agora, no entanto, para não ser redundante tentei buscar um outro caminho em minha leitura.

 

 

Longe de ser aqui o advogado do diabo, optei por observar o texto sobre o discurso desesperado que o narrador emprega para si mesmo. O verbo que inicia o conto denota a estafa que Montresor  sofrera até tomar essa difícil decisão.

Vingança era uma resposta  a si mesmo , e exigida por seu eu, diante das constantes humilhações que sofria. Além de ser, de acordo com a descrição do emblema no brasão, uma herança familiar.

“Suportei “ o melhor que pude (...)

Como Poe não delimita, propositalmente penso, o interlocutor do protagonista, podemos imergir nossa análise pelo diálogo introspectivo  que o mesmo buscará para justificar sua insanidade: vós que tão bem conheceis a natureza da minha índole(...)” Ou ainda, interpretarmos esse trecho , como uma espécie de forçosa cumplicidade a nós estabelecida. “eu que o conheço sabia exatamente o que ele faria” ( paráfrase interpretativa).

Fortunato,cuja visão do narrador, é o grande vilão da história  tem sua descrição valorizada pelos adjetivos que se sobressaem aos defeitos. Isso justificaria ainda amais a escolha de Montresor que sofrera várias injustiças  de um homem sem motivos.

O Processo de emparedamento acontece quando o estado de loucura chega ao ápice. O distúrbio mental do narrador é exibido através dos diálogos com a vitima que se encontrava  embriagada. No ultimo diálogo  percebe-se a incorporação  de um individuo  completamente distante de uma realidade possível  e obcecado por seu objetivo. A presença desta outra personalidade são salientadas em passagens de hesitação como  quando ele ouve o grito de desespero da vitima, pensa em desistir, mas de uma maneira alucinada começa a devolver os gritos como se fossem ecos.

 

 

Uma sucessão de gritos altos e agudos, irrompendo de súbito da garganta da figura agrilhoada, quase me atirou violentamente para trás. Por um breve momento hesitei, tremi. Desembainhei o florete e com ele comecei a tatear o recesso, mas bastou pensar um momento para voltar a sentir-me seguro. Coloquei a mão sobre a sólida construção das catacumbas e fiquei satisfeito. Tornei a aproximar-me da parede. Respondi aos gritos daquele que clamava. Repeti-os como um eco, juntei-me a eles, ultrapassei-os em volume e força. Depois disto, o outro sossegou.

 

Observem outro ponto de extrema alucinação . O momento de satisfação do assassino.

 

O ruído prolongou-se por alguns minutos, durante os quais, para me ser possível ouvi-lo com maior satisfação, suspendi a minha tarefa e sentei-me no montículo de ossos.

 

O  distúrbio Monomaníaco do  protagonista  reflete uma temática constante nos contos de Poe. S e observarmos  a obsessão pela morte de um felino em O gato Preto, que coincidentemente  também tinha um cadáver emparedado e o que dizer  de O corvo quando a monomania  se revela perturbadora  na presença de um pássaro enigmático que surge nos umbrais.

Ambos apresentam uma espécie de mantra, que soa como uma personificação do terror:  Nevermore( O Corvo) e  Amontillado!!! ( neste conto); característica do espírito perturbado e  estilo singular deste mestre da literatura gótica.

 

Abraços

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frutov...@gmail.com

unread,
Jun 5, 2009, 10:37:53 AM6/5/09
to estudosliterários
Ah Só mais um detalhe que eu me esqueci , e que vale a pena ressaltar.

Ainda sobre a monomania observemos que assim como os outros
protagonistas famosos de Poe, nosso caro Montresor era também uma
pessoa sociavel, aparentemente normal , e longe de qualquer suspeita
de atos insanos como este. Trazendo pra nossa realidade vamos lembrar
do MAníaco do Parque , que aparentemente era uma pessoa normal mas que
num determinado momento , e somente naquele espaço ( oparque do
estado) sua Monomania o transformava em um outro ser.


Apenas pra ilustrar..

Abraços
> A mitológica.... acredito que podemos continuar nas observações quanto aos símbolos (na descrição do ambiente principalmente) e no brasão (que sinceramente não consegui entender... :(   <http://mail.yimg.com/us.yimg.com/i/mesg/tsmileys2/02.gif> )
> A sócio-histórica ... a questão de Montresor não aceitar que Fortunato tenha poder, respeito, ... ser Maçom é símbolo de força.
> E a Romântica.... Alan Poe é um dos maiores representantes da Prosa Gótica que
> que tem como tema o terror, medo,  desafia a razao e ao mesmo tempo que assusta o leitor provoca prazer por serem obras envolventes  psicologicamente.
>
> Bom pessoal... foi difícil essa semana... nem consegui fazer o fichamento ainda...
> Li muita coisa e parece que não li o suficiente :(
>
> Amanha nos falamos mais.
> Até
> Lais
>
> --- Em qui, 4/6/09, frutovermelho <frutoverme...@gmail.com> escreveu:
>
> De: frutovermelho <frutoverme...@gmail.com>
> Assunto: RES: RES: Esboço Análise do conto O Barril de Amontillado, de Allan Poe
> Para: estudosl...@googlegroups.com
> Data: Quinta-feira, 4 de Junho de 2009, 17:00
>
> Boa Tarde Turma
>
> Pelo que entendi , deveremos entregar um esboço da análise do conto que será fruto dessa discussão somada ao que produziremos em sala. De acordo com o cronograma que ele passou. Façamos o seguinte: levemos nossas discussões impressas para debatermos em sala, e lá montaremos, juntos um esboço final para ser entregue.
>
> De qualquer maneira, amanhã, vou publicar aqui minhas percepções acerca do conto.
>
> Mas de ante-mão adianto que as observações de vocês estão bem legais.
>
> Abraços
>
> De: estudosl...@googlegroups.com [mailto:estudosl...@googlegroups.com] Em nome de Ewerton Fernandes de Souza
> Enviada em: quinta-feira, 4 de junho de 2009 16:28
> Para: estudosl...@googlegroups.com
> Assunto: Res: RES: Esboço Análise do conto O Barril de Amontillado, de Allan Poe
>
> Oi, pessoal!
>
> Seguem as minhas considerações:
>
> PERSONAGENS:
>
> Chama-me a atenção em Montresor o fato de ser calculista, frio e sádico, o que lhe ajuda a premeditar o crime nos seus pequenos detalhes. Contudo creio que a habilidade mais poderosa da personagem é a capacitar de manipulação psicológica. Podemos notar isso na forma como afasta os criados do seu palacete e nos artíficios usados para atrair Fortunato. Por exemplo, ele apela para a cobiça de Fortunato quando lhe atiça por meio do Amontillado, ele também apela para o orgulho ao retomar diversas a figura de Luchesi. Nesse sentido, diria que ele age ardilosamente, mesmo diabolicamente, uma vez que usa os mesmos artifícios usados miticamente pela "serpente do Éden", pois também a serpente apela para a cobiça e o orgulho do homem quando diz que ao comer o fruto "eles serão como deuses". O jogo psicológico ainda pode ser constatado nas frases friamente planejadas de Montresor, pois ele cita Luchesi com o objetivo de atrair Fortunato projetando sobre o mesmo a fatalidade do que lhe vai acontecer uma vez que ele decidir seguir Montresor pela própria vontade. Ao remeter para o espaço, Montresor faz um comentário aparentemente gratuito sobre "a teia branca da aranha nas paredes da cave", simbolizando exatamente a armadilha para a qual Fortunato está sendo atraído. Por outro lado, é altamente simbólico o fato de Fortunato estar vestido de "bufão". Pode sugerir uma ironia.. O que também pode sugerir uma ironia é o  próprio nome da personagem, como bem citou o Doni.
>
> ESPAÇO:
>
> Acredito que devamos dar atenção especial ao espaço, tão bem descrito por Poe, com certeza há muito de simbólico nele. A descida pela escada em caracol pode remeter à descida para o inferno, como ocorre em Dante. Creio que o espaço não se constitui um elemento meramente decorativo, mas ajuda a construir o clima psicológico que o conto requer e também encerra em si inúmero símbolos. A escuridão, a umidade, a estreiteza são elementos espaciais que sugerem predisposições psicológicas, espirituais conectando o texto com a toda a tradição simbólica. Ressalto a importância dos números citados pelo narrador-personagem quando se refere a última cripta, creio que signifiquem algo, uma vez que são todos números recorrentes na literatura religiosa e mesmo nas artes. A citação da maçonaria só corrobora tal alusão. Acreidto também que na frase "senti o coração oprimido, dada a forte umidade das  catacumbas", pode haver uma metáfora que remete à própria personagem Montresor.
>
> OUTROS:
>
>  Elementos como o salitre e o vinho também podem se constituir simbólicos. Talvez, na linha adotada pela Alecia, possa remeter ao "taça da ira", imagem apocalíptica. O "vinho" especificamente no Apocalipse é imagem da ira de Deus.
>
> A vingança para Montresor é marcada por duas características: a impunidade do vingador e a ciência por parte da vítima em relação a quem é o vingador". Nesse sentido, ainda dialogando com a análise da Alecia, descartaria o Êxodo, pois também há na legislação hebraica toda a preocupação com a vingança, tanto que a Lei institui "cidades de refúgio" que possam proteger ...
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gabis...@yahoo.com.br

unread,
Jun 5, 2009, 7:28:13 PM6/5/09
to estudosl...@googlegroups.com
 
Gente,
 
Acho que grande parte do que vou falar é repeteco, uma vez que não tive tempo de digitar minhas anotações e só consigo fazê-lo agora, e ,devido a nossa modesta inteligência, todos seguimos pelo mesmo caminho basicamente. rsrsrrs
 
A frase inicial do texto "Suportei o melhor que pude as mil e uma injúrias de Fortunato; mas quando começou a ntrar pelo insulto, jurei vingança." tenta nos convencer de que o que está por vir tem um motivo justo, passando uma imagem de vítima do assassino. Mas até que ponto essas mil e uma injúrias são verdadeiras ou apenas fantasias da mente psicótica de Montresor? Nenhuma análise psicológica tão profunda consegue ser realizada os passo que o enredo apresenta detalhes intricados, e o modo como toda a ação é premeditada e o narrador-assassino tem necessidade de ser reconhecido por Fortunato como seu vingador acabam por nos confundir a respeito da sanidade mental do primeiro.
Montresor calcula até mesmo um elemento surpresa para Fortunato qunado nos revela: "nem por palavras, nem por atos, dei motivos a Fortunato para duvidar da minha feição."
No entanto, o "grande defeito" de Fortunato, ser um conhecedor de vinhos, não é em essência seu defeito, mas sim seu orgulho, o que torna seu calcanhar de Aquiles (simbolizado pela serpente com as presas ferradas no calcanhar desenhada no brasão).
 
Montresor compartilha conosco dois defeitos de Fortunato: "ludibriar milionários britânicos
e austríacos" e "Em pinturas e pedras preciosas (...) era um charlatão." Mas o fato de ser um "entendedor de vinhos" pode ser duvidoso, no momento que Fortunato bebe um De Grâve (vinho francês caríssimo) em um só gole, juntamente com o fato de ter ficado bêbado.
 
"Você é feliz, como eu já fui em tempos" expõem a infelicidade ATUAL do assassino e a INVEJA que tem de Mostresor, quando o descreve como "rico, respeitado, admirado , amado".
 
Há alguns aspectos que podem limitar um pouco a época e o local onde o conto é narrado:
italianos e carnaval. (século 19 talvez, já que o Amontillado foi originado no século 18, na Espanha.
 
Fortunato estava trajado de bufão, derivado de bufo, que, no teatro, é o ator ou personagem de comédia ou farsa encarregado de fazer rir o público.  
 
O enigma do texto não é o assaninato em sí ou a identidade do assassino, já que o assassinato é narrado detalhadmente sob a perspectiva deste, mas sim o motivo da morte de Fortunato, seguido pela (in)sanidade de Montresor.
 
Bom, é isso até agora.
 
Eu achei algumas coisas sobre a simbologia do vinho, mas não consegui ler ainda...
 
Beijos e até amanhã,
 
Gabi.

--- Em sex, 5/6/09, frutov...@gmail.com <frutov...@gmail.com> escreveu:

frutovermelho

unread,
Jun 5, 2009, 7:48:13 PM6/5/09
to estudosl...@googlegroups.com

Valeu Gabi

 

Amigos gostaria de frisar um pedido que já fiz anteriormente. Se possível, levem nossas discussões ( impressas) para a sala amanhã.

Assim poderemos recordar essa rica discussão que tivemos aqui na web.

 

Abraços à todos e até amanhã

 

Ari

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