Amigas e Amigos,
Conhecemos todos a gigantesca, para não dizer fundamental, influência dos filósofos gregos no pensamento ocidental.
No século IV a.C. Platão escreveu sobre um diálogo de Sócrates referente à organização das cidades-estado; deu a esse diálogo o título de
Politeia. Quase trezentos anos mais tarde, Cícero (Marcus Tullius Cicero), pensador e escritor romano que viveu entre os anos de 106 a.C a 43 a.C., traduziu
para o latim o diálogo escrito por Platão e entendeu que a melhor tradução do termo Politeia, em latim, seria Republica.
Sabemos também que república (res publica) é um conceito romano e que, portanto, seria, digamos, bastante improvável, que um pensador grego
utilizasse o conceito romano, e ainda mais, em época em que o conceito certamente ainda não estava formado.
Assim, o diálogo de Platão firmou-se na intelectualidade ocidental com o título de A República.
Os gregos quando queriam referir-se a um estado do qual todos participassem ativamente usavam o termo "democracia" e os romanos, mais tarde, quando
desejavam acentuar o estado como uma coisa que deveria pertencer a todos, usavam o termo república (res = coisa + publica = pública, de todos).
As primeiras repúblicas firmaram-se em estados de diminuta extensão territorial e quando da Revolução Francesa, foi resolvido chamar-se de república
ao estado que não tivesse um monarca na chefia de estado ou em ambas as chefias, de estado e de governo.
Mas, o que desejo acentuar, é que o conceito de república, em oposição ao de monarquia, firma-se na intelectualidade em momento histórico em que
a possibilidade da monarquia constitucional ainda não havia sido devidamente explanada ao grande público.
O resultado disso tudo todos nós já conhecemos. Na atualidade, mesmo que inúmeros trabalhos de Ciência Política, refiram-se às modernas monarquias parlamentaristas
como estados perfeitamente democráticos, impera nos meios acadêmicos o conceito de que monarquia é sinônimo de autoritarismo disfarçado e de que república
é a única forma de governo verdadeiramente democrática.
É muito comum vermos as pessoas referirem-se à monarquia como a forma de governo que garante a uma família, a família do monarca, privilégios imensos.
Esquecem-se, ou melhor, desconhecem, os deveres da realeza e outras circunstâncias que demonstram claramente que os possíveis privilégios não são tão sedutores como
se possa imaginar.
Entre nós, no Brasil, os livros escolares para ajudarem nessa desinformação propositada sobre as efetivas diferenças entre república e monarquia, e então para
ajudarem na consolidação de idéias equivocadas sobre monarquia e realeza, discretamente "esquecem-se" de informar aos nossos estudantes que há, na América, dez monarquias parlamentaristas
que incluem o Canadá.
Provavelmente toda essa desinformação sobre república e monarquia foi iniciada com o título da tradução latina do diálogo grego Politéia.
E é interessante, também, notar que os pensadores europeus que iniciaram a pregação republicana, comparavam, em seus escritos, as efetivas
monarquias "más", absolutistas e que pouco se importavam com a participação do povo no estado, com repúblicas teóricas em que as boas coisas
da democracia abundavam. Ora, comparar uma situação real com uma situação hipotética não é a melhor forma de se fazerem comparações.
Mas isso foi feito e o resultado é o que vemos hoje no mundo ocidental.
Grande abraço e saudações monárquicas
João Baptista