Para que comprar um carro zero?

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Flávio S. Armony

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Nov 4, 2011, 10:10:11 AM11/4/11
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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Boicote ao carro zero

Hoje recebi um email bem interessante sugerindo que façamos um boicote à compra de carros zero quilômetro. O consumidor brasileiro compra mais de três milhões de carros por ano, representando uma receita de cerca de 115 bilhões de reais. Ao mesmo tempo, o Brasil tem os carros mais caros do mundo por categoria, ou seja, compra-se um Gol 1000 no Brasil pelo preço de um Honda Civic nos Estados Unidos. E por quê?

É simples: porque o consumidor brasileiro não é nada exigente em termos de automóveis e topa pagar fortunas por porcarias. Coisa de novo-rico. Quem se lembra do então ministro Ciro Gomes criticando aqueles que compravam carros com ágio em 1994? E, ao contrário do senso comum, o que torna os carros caros no Brasil não é a carga tributária, mas sim o lucro das montadoras.

E nós podemos passar um ano sem comprar carros novos? É claro que sim. Dar um prejuízo de 115 bilhões a um dos setores que mais desrespeita o consumidor (carros 1000, sem airbags, sem freio ABS, sem direção hidráulica...) não seria só uma resposta, seria chegar a um novo patamar em termos de relacionamento. Precisa trocar de carro? Procure um com um, dois anos de uso; isso não beneficia a indústria. Ou espere um ano.

Se isso fosse possível, nos primeiros meses de 2012 os carros sofreriam uma queda vertiginosa de preços. Mesmo que a adesão fosse baixa, a indústria sentiria a diferença. Mas esse é outro problema do brasileiro: a falta de consciência coletiva e a sensação de que aqueles que têm ideias são apenas Quixotes atacando moinhos de vento.

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Invocar a sério a censura contra os escribas seria exorcizar o demônio apelando a Belzebu. Mas a tolice e a mentira que florescem sob a proteção da liberdade de imprensa não são, seguramente, algo de acidental na marcha histórica do espírito; são os estigmas da escravidão na qual se encena sua libertação, os estigmas da falsa emancipação – Theodor Adorno.

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