Rafinha Bastos e o cúmulo do mau gosto

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Flávio S. Armony

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Oct 6, 2011, 5:52:52 PM10/6/11
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Humor?

É relativamente recente, no Brasil, o sucesso do humor de stand up, derivado dos programas mais informais da televisão, como o Pânico na TV e o CQC. Nesses últimos anos, novos talentos surgiram, uns mais, outros menos inspirados, mas o formato conquistou seu espaço e se consagrou.

Nessa informalidade, alguns humoristas se esquecem de que não estão numa mesa de bar com os amigos, liberados para falar qualquer grosseria que lhes venha à cabeça. O que parece acontecer é que eles ficam tão populares e tão acostumados a desmoralizar pessoas públicas utilizando o humor – e contra o humor não há argumento possível – que desenvolvem uma arrogância que os faz pensar que podem falar qualquer coisa e se livrar disso. E mais: que todos têm a obrigação de achar graça de suas piadas e que quem não acha é babaca.

Depois de falar que mulher feia deveria dar graças a deus por ser estuprada, Rafinha Bastos afirmou que Wanessa Camargo "está bonitinha grávida" e que "comeria ela e o bebê". A grosseria na televisão brasileira parece ter ultrapassado a barreira do mau gosto e chegado a uma questão, talvez, de desrespeito à lei, com incitação ao estupro e de extremo desrespeito às mulheres em ambos os casos.

Suspensão foi pouco. Rafinha Bastos deveria ser demitido do canal e afastado da televisão brasileira por um bom tempo para repensar seus conceitos de humor e liberdade de expressão.

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Invocar a sério a censura contra os escribas seria exorcizar o demônio apelando a Belzebu. Mas a tolice e a mentira que florescem sob a proteção da liberdade de imprensa não são, seguramente, algo de acidental na marcha histórica do espírito; são os estigmas da escravidão na qual se encena sua libertação, os estigmas da falsa emancipação – Theodor Adorno.

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