Evolução ou Criação

0 views
Skip to first unread message

paulopa...@hotmail.com

unread,
Feb 2, 2006, 4:30:19 PM2/2/06
to Espiritualidade Além de Kardec
A palavra "terra", nas Sagradas Escrituras, é um termo análogo,
que pode significar "matéria", o astro em que vivemos, o solo em que
pisamos ou, num sentido mais profundo o homem, ou ainda o povo judeu. O
Gênesis dá uma ordem de importância ontológica à sua descrição.
E, quando se constrói uma casa, não se começa pela lâmpada. Porém,
se tomarmos o termo terra como matéria, então é óbvio que a
"terra", inclusive a do Sol é anterior a ele. Não dá para ler o
Gênesis como se lê a "Galileu" e se ter uma conclusão "brilhante"
como a de tal revista.

Contudo, a interpretação ontológica não contraria a biológica,
física, etc.

Quanto aos vegetais terem sido criados antes do sol, o leitor
atento veria que para os animais Deus disse: "Crescei e
multiplicai-vos" (Gn, 1, 22). Não disse o mesmo para as plantas, no
terceiro dia. Portanto, não se pode afirmar que elas já cresciam,
davam frutos e se multiplicavam. Como biólogo, posso lhe garantir que
não é possível para uma planta crescer sem luz e muitas delas não
se reproduzem sem animais polinizadores. O que se lê nos textos
bíblicos é que a forma das plantas, enquanto tal, é que foi criada:
"E a terra produza erva verde que dá semente segundo a sua espécie".
Não está dito que as plantas se multiplicavam, mas que tinham tal
capacidade. E, na seqüência, lê-se: "E a terra produziu erva verde,
e que dá semente segundo sua espécie (Gn 1,12). Os tempos verbais das
orações determinam que as plantas que foram produzidas pela terra
são uma categoria de ser que dá sementes segundo sua espécie.

São Tomas de Aquino, defendendo a posição de S. Agostinho,
ensina que as plantas não foram propriamente criadas em ato no
terceiro dia, mas apenas em suas causas (Suma Teológica, I q 69 a.2).
Isso seria esclarecido na passagem sobre o repouso de Deus, após a
criação "Tal foi a origem do céu e da terra, quando foram criados,
no dia em que o Senhor Deus fez o céu e a terra, e toda a planta antes
que nascesse da terra, e toda erva antes que germinasse; porque o
Senhor Deus não tinha (ainda) feito chover sobre a terra, nem havia
homem que a cultivasse" (Gn 2, 4-5). Nesse último trecho se vê que as
plantas não poderiam estar dando flores, sementes e frutos no terceiro
dia, embora já possuíssem tais atributos.

As plantas não poderiam crescer e multiplicar sem ter propriamente
função ecológica, uma vez que Deus fez as coisas com ordem e
sabedoria. É a teoria da Evolução que diz que uma proteína,
característica ou organismo pode existir sem ter função, antes ou
fora de uma ordem vital, por efeito estocástico.

Contra a Evolução das espécies está dito mais: a descendência
é igual aos parentais. Não há "descendência modificada", como
Darwin conceituava a evolução. Essa essência se mantém, e isso Deus
afirma por dez vezes durante a narração da criação, quando diz que
os animais e plantas deixam descendentes "segundo sua espécie".

Afirmar que os organismos dão descendentes segundo a sua espécie
é uma maneira belíssima de se ensinar o princípio de identidade,
primeiro princípio fundamental da metafísica, que diz que todo ser é
o que é. Darwin dizia que o ser é o que não é. E isto sim é
irracional. Os editores da revista "Galileu" não devem achar isso
"superinteressante" ou "fantástico".

Quanto à rotação da Terra, lhe pergunto eu: onde está escrito,
no livro do Gênesis, que o dia tem 24 horas? Essa revista devia trazer
a citação. O termo "dia" é tratado no Gênesis antes de haver Sol,
Terra e sistema solar. Na carta de S. Pedro se lê: "um dia, diante do
Senhor, é como mil anos" (II Pd, 3,8). Portanto não se pode concluir
que havia rotação de 24 horas sem haver ao menos Sol e Terra. Também
não se pode concluir, como fazem os criacionistas comumente, que Deus
criou o Universo em 6 dias de 24 horas. A separação entre dia e
noite, propriamente, se deu no quarto dia, quando tais astros já
existiam. Os termos "tarde" e "manhã", ou melhor traduzidos
"indistinção" e "distinção" não são termos unívocos que nos
obrigam a aceitar um dia do Gênesis como uma rotação da Terra.

Já a questão dos peixes diluvianos é uma diversão à parte. Seu
amigo protestante se mostra uma pessoa pouco esclarecida em termos de
folclore, pois "como pode um peixe vivo viver fora d'água fria"? Os
animais, as "carnes", mortos no dilúvio, não morreram de frio ou
fome, mas dentro d'água fria. Morreram afogados. Peixes, por incrível
que pareça, estão isentos dessa aptidão. Não morrem afogados, lhe
garanto.

Reply all
Reply to author
Forward
0 new messages