Perdão: o caminho do nosso aperfeiçoamento moral

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Oct 15, 2008, 8:49:18 AM10/15/08
to ESDE PROSEBEM
Classificado pelos dicionários como o ato de desculpar, perdoar é mais
do que um simples verbo. É uma das necessidades fundamentais do homem.
Isso porque, através do perdão, o homem demonstra disposição moral e
esforço contínuo de trabalho íntimo no intuito de querer vivenciar o
amor ao próximo e a si mesmo. O perdão é um convite permanente à
prática da compreensão, da bondade, da paciência, da tolerância, da
humildade, caridade, piedade, indulgência e misericórdia.
Paulatinamente, cada uma dessas virtudes vai motivando-nos ao
exercício do perdão incondicional das ofensas. E que transformação
causa o perdão em nós? Sem dúvida, faz-nos trilhar um caminho que nos
leva à paz e ao aperfeiçoamento moral. E esse é o principal ponto.

O perdão é um ato de amor que revela o grau de aperfeiçoamento moral
de quem o pratica. Nossa filiação divina insta-nos, através da
evolução, à prática do amor como ética vivencial essencial para manter
a harmonia das nossas emoções, promover a alegria de viver, a
felicidade de compreender e o privilégio de servir, levando-nos à paz
interior e à conquista da saúde integral, avalia a médica Maria da
Graça de Ender, vice-presidente da Associação Médico-Espírita do
Panamá.

Segundo Maria da Graça, perdoar significa saber relevar toda e
qualquer ofensa em clima de serenidade íntima, revelando nesse
proceder a nossa capacidade de amar (compreender, ajudar, perdoar e
servir incondicionalmente), em estrita comunhão com Deus. Claro que a
conquista e a prática desse elevado grau de virtude não é obra de uma
só encarnação. É fruto de um longo processo, firme e determinado, de
progresso evolutivo em que o saber, o sentir e o fazer manifestam um
profundo ponto de equilíbrio na ética existencial do ser, explica.

Folha Espírita : Maria da Graça, por que o perdão pode curar?
Maria da Graça de Ender : Os pensamentos e as emoções negativas
sustentadas produzem um grande bombardeio psíquico a toda a fisiologia
orgânica, de forma perniciosa, desarmonizando, desestruturando e
desintegrando a bioquímica celular, abrindo espaços para a instalação
das mais variadas doenças, na sua maioria, de origem psicossomática.
Os pensamentos felizes produzem mudanças na bioquímica do cérebro com
efeitos muito benéficos na fisiologia. Com a firme disposição da
prática do perdão, o indivíduo liberta-se do fator de constrangimento
íntimo que lhe desnorteava o funcionamento psicofísico, permitindo-se
o fluxo de energias pacificadoras e revitalizadoras, oriundas da
alegria de amar, que conduzem à homeostase funcional e, por
conseguinte, à cura. Cessada a causa, cessa o efeito.

FE : Qual a química do perdão? Fisiologicamente falando, como o corpo
reage?
Maria da Graça : Existe uma profunda inter-relação entre os nossos
pensamentos, as nossas emoções e o funcionamento dos nossos sistemas
nervoso, endócrino e imunológico no organismo. O ato de pensar ativa a
química cerebral. Os neurotransmissores são as substâncias químicas
fabricadas pelo tecido cerebral em resposta aos estímulos dos nossos
pensamentos. A química cerebral influi na secreção hormonal desde
vários pontos do cérebro, em especial do hipotálamo e da hipófise, e
os hormônios fabricados, em ritmo de periodicidade biológica,
estimulam os distintos órgãos do corpo a distância, produzindo reações
específicas. Toda vez que nos permitimos o fluxo dos pensamentos
infelizes, guardando ressentimentos, mágoas, raiva, rancores, ódios,
culpas ou remoendo qualquer classe de conflitos aflorados em nossa
alma em forma de sofrimento íntimo, afetamos a produção dos
neurotransmissores. E estes, fabricados nessa situação, estimularão as
manifestações físicas adversas à saúde, produzindo distorções no
funcionamento das células do organismo, propiciando o enfraquecimento
das células do sistema imunológico, que favorecem a instalação de
processos mórbidos variados, deixando o indivíduo à mercê das próprias
escolhas.

FE : E o que acontece quando perdoamos?
Maria da Graça : Diante da opção do perdão, a reação se dá em forma
inversa. Os pensamentos felizes de toda índole produzem
neurotransmissores que estimulam a correta fisiologia corporal,
fomentam a saúde e aumentam a resistência das células do sistema
imunológico, fortalecendo-as no combate às doenças. As energias
provenientes dos pensamentos de amor, de bondade, de perdão,
potencializam o poder organizador da mente na manutenção do fluxo
equilibrado das secreções cerebrais, que sustentam a harmonia
funcional do conjunto integrado dos distintos órgãos do corpo. Mens
sana in corpore sano.

FE : E como praticar o perdão?
Maria da Graça : Entendendo que se trata de um processo, e que, por
tal motivo, irá acontecendo por etapas sucessivas, à medida que a
pessoa vá amadurecendo a sua capacidade de amar, considerando-se dois
principais aspectos: o perdão com relação ao próximo e o perdão com
relação a si mesmo.

FE : Perdoar é nato ou é aprendido?
Maria da Graça : Sabemos que as virtudes são adquiridas através da
férrea determinação do indivíduo em optar por uma conduta moralmente
melhor, de encarnação em encarnação, para aprender, com a experiência,
o caminho que leva à paz.

FE : Quem quer perdoar consegue?
Maria da Graça : Quem se dispuser, primeiramente, a entender como se
dá o processo do perdão e quiser trabalhar-se, continuamente, em
função da meta a ser alcançada, certamente conseguirá perdoar, ainda
que talvez não o consiga como queira ou não o faça numa mesma
encarnação. O que vai determinar a consecução do objetivo superior é a
vontade, a determinação e o empenho em lográ-lo. E isso é
absolutamente de foro íntimo, pessoal.

FE : Hoje é possível alguém que consiga perdoar a tudo e a todos?
Maria da Graça : Parece-me que afirmá-lo seria temerário, pois o nosso
planeta ainda alberga seres imperfeitos em vias de aperfeiçoamento
moral. Entretanto, creio que existam na Terra almas que estejam se
esforçando, com muita sinceridade, para aprender a perdoar com muita
vontade de acertar.

texto extraído da Folha Espírita Online.
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