A violência e o amor (Revista Internacional do Espiritismo)

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Nov 25, 2008, 11:52:42 AM11/25/08
to ESDE PROSEBEM
A vulgarização do Espiritismo
Cairbar Schutel

Matão, novembro de 1929

O Espiritismo não é ciência de academia, nem religião de santuário;
mais do que isso, ele se apresenta no cenário mundial como a Idéia
diretriz que guiará os homens ao verdadeiro conhecimento dos seres e
das coisas.
A autoridade de que o Espiritismo vem revestido para controlar as
ciências e as religiões, removendo os obstáculos que as separam e
oferecendo-lhes uma base sólida para o seu incessante progresso,
caracteriza magnificamente o papel primordial desta grande Revelação
que, oferecida à humanidade justamente na era de maior transcendência
na história do nosso mundo, não se apresenta aos homens com títulos
que lhe foram conferidos por poderes terrenos, mas com a força da sua
lógica, com a razão de sua filosofia admirável, de sua moral
extraordinária, e com a sanção dos seus fatos inconcussos.
Já vimos que os ensinos oficiais destas três ramificações dos
conhecimentos humanos — ciência, filosofia, religião, são
insuficientes para satisfazer as aspirações da consciência, além de
não estarem de acordo com os fatos que todos os dias se vão
verificando em toda a parte. Vemos mais que, a despeito de todos os
esforços congregados, as luzes que irradiam desse triunvirato que vem
guiando as almas, são insuficientes para esclarecerem a resolução do
problema social, estabelecerem o ritmo da vida, o equilíbrio da saúde,
o equilíbrio das relações fraternas, o equilíbrio entre o capital e o
trabalho.
Todas as analogias empregadas para formular hipóteses não satisfazem
atualmente as nossas exigências de saber.
Em vão o fisiológo segue meditativamente as modificações orgânicas sob
a influência dos movimentos psíquicos ou reciprocamente; em vão os
filósofos se estendem em conjecturas pretendendo dar a razão da
existência dos seres e das coisas que nos afetam intimamente; em vão
os sacerdotes erguem cada vez mais a idéia do sobrenatural e do
maravilhoso.
A época atual não suporta mais a lei da escravidão, que tem aniquilado
a inteligência e proibido o raciocínio.
Todos anseiam pela liberdade, todos querem estudar, pensar, exercerem
os divinos atributos que Deus nos concedeu, sem dependência de
bastardos interesses, sem sugestões dominadoras e imperativas, sem a
tutela vexativa da opressão.
E quem será capaz de satisfazer essa ânsia de saber, de modelar a
esfinge representativa da ciência, da filosofia, da religião e colocá-
la bem alto com sua bússola rumando o norte onde a alma se
dessedentará na prodigiosa fonte dos verdadeiros conhecimentos?
A nosso ver não conhecemos concepção alguma, dentre as idéias
dominantes, que possa satisfazer este desiderato.
As religiões com suas práticas sibilinas e seus dogmas, as filosofias
escolásticas, a ciência degenerada em seus princípios, a psicologia
meramente especulativa, não conseguiram até aqui suster a onda das
dissensões que se avoluma em toda a parte, desorientando os mais
nomeados estadistas que, debalde, gastam tempo e palavras para fazerem
valer suas doutrinas de nenhum valor na vida prática.
Daí o nosso arrojo e o sacrifício que fazemos para a vulgarização do
Espiritismo. Estamos cientificamente convencidos que só por meio dos
conhecimentos espíritas a religião se aliará à ciência, e o homem
cônscio da sua situação e dos seus deveres esforçar-se-á para se
desprender dos prejuízos do passado e empreender a conquista de mais
uma etapa na escala da perfeição, que lhe foi facultada para obtenção
de sua felicidade futura.
A conveniência da divulgação dos princípios doutrinários do
Espiritismo se impõe hoje, mais ainda do que ontem.
A crise devastadora que domina o mundo se prolonga e acentua em toda a
parte, quando não houvesse outro motivo de maior ponderação, seria
este o bastante para que o nosso esforço se fizesse mesmo com grandes
sacrifícios.
Seria justo que, de posse do segredo da esfinge, guardássemo-lo só
para nós e nos esquivássemos, por esta ou aquela razão, de transmiti-
lo àqueles que também anseiam por vê-lo resolvido em proveito próprio
e da coletividade! Seria justo que, ao menos, deixássemos de oferecer
aos que sofrem os embates da sorte avara, os dados para sua
libertação!
O histórico do Espiritismo, não só em sua nova, mas até em sua antiga
manifestação, salienta bem as dádivas e as premissas com que o seu
conhecimento nos enriquece. Sustentado sobre fatos que se reproduzem
constantemente no nosso país como no mundo inteiro, desfraldando a
inscrição da mais pura moral que nos é dada conceber, irrepreensível
em sua filosofia incomparável, amigo da fé, severo aliado da Verdade,
não cabe certamente a outra concepção, por imaginativa que seja, a
difícil tarefa da reforma do mundo, a restauração do regime da
fraternidade, para o estabelecimento definitivo da Paz.
E como conseguir esse alto empreendimento sem a divulgação do Ideal
regenerador, sem a exposição clara e sucinta das bases em que se deve
assentar esse regime!
Não houve até aqui nenhuma descoberta ou verdade nova que conseguisse
a sua aceitação, sem haver passado pelos mais vivos embates e sem que
se fizesse o mais inteligente trabalho de divulgação a seu favor.
Todas as ciências para atingirem ao grau a que chegaram têm sido
submetidas às provas teóricas e experimentais pelos gênios
encarregados da sua divulgação, mesmo com o fim de prender a atenção
dos estudiosos para tal ou qual assunto, e os trabalhos feitos
chamarem a atenção de todos para a experiência pessoal, cuja crítica,
análise e raciocínio quando feitos inteligentemente e sem idéias
preconcebidas conduzem forçosamente o homem à realidade.
Esta tarefa está sendo desempenhada pelos espíritos de boa vontade,
pelos que já se compenetraram dos seus deveres, pelos que já chegaram
à conclusão do motivo da vida nas suas várias modalidades e da
empolgante realidade da sobrevivência, base principal dos nossos
estudos.
Sem a apresentação das academias e o batismo dos santuários, nós, os
arautos da Nova Fé, munidos com a força dos seus fatos sobre os quais
se fundou a Psicologia Experimental, apresentamos a todos um corpo de
Doutrina magnificamente sistematizado, caracterizando perfeitamente a
palavra de Luz e Amor que felicitará as gerações vindouras.
O nosso anseio de propaganda não representa, por isso, mais do que um
influxo da Verdade, que num esforço supremo exige a atenção e
consideração de todos, inclusive das classes sociais desprestigiadas
da sorte, para que aproveitem as consolações que o Espiritismo lhes
oferece, fendendo uma abertura de luz e de esperança no cerrado
horizonte do seu atro destino e proporcionando-lhes meios para a
conquista de sua futura liberdade.
A vulgarização do Espiritismo é, pois, um dever sagrado, do qual não
nos devemos descurar. Trabalhando pela coletividade, trabalhamos
também para nós, preparando meios e condições mais propícios ao nosso
bem-estar e felicidade.
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