Re: Instituto dos cedgos

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Leonardo Ruoso

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Jun 6, 2011, 9:39:04 AM6/6/11
to Adriana Lima, Dra Patricia, escol...@googlegroups.com

Quem defende a segregação com o argumento de que a Educação já é ruim sem inclusão está cometendo um perigoso erro de lógica, uma inversão rudimentar da relação causa-efeito.

Não, o INES e o IBC nunca estiveram a ponto de ser fechados. O que não significa que devam ficar imunes a mudanças previstas pelo movimento mundial da inclusão, que prevê a gradual extinção das escolas especiais e incorporação dos alunos com deficiência nas escolas regulares perto de suas casas, direito inegociável inscrito em nossa Constituição.

17 anos o Brasil assinou a Declaração de Salamanca, assumindo um compromisso internacional de promover a inclusão de alunos com necessidades educacionais específicas na rede regular de ensino, o que foi ratificado na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência em 2008.

A Educação Básica é, então, direito de todos indiscriminadamente.

Vem do Canadá o relatório que mostra como escolas realmente inclusivas são mais seguras. “As raízes desse comportamento agressivo dos estudantes encontram-se em seus sentimentos de alienação, no fato de não acharem que pertencem ao ambiente escolar. Este problema é agravado pelo fracasso das escolas em atender às necessidades educacionais e emocionais desses alunos que se sentem excluídos. É este tipo de situação, em sua forma extrema, que propicia tragédias como as que ocorreram na Columbine High School e no Virginia Technological Institute.”

No Brasil, salas de recurso foram criadas para atender alunos com necessidades especiais. O que deve incluir também jovens sem diagnóstico de deficiência, mas que precisam de uma atenção extra ministrada por uma equipe multidisciplinar. São alunos que sofrem abusos em casa ou mesmo que têm problemas psicológicos, como era o caso do Wellington Menezes.

Mas há quem seja contra a inclusão escolar. São os que ignoram o quanto a Educação inclusiva estimula não só o “especial” como também educa a sensibilidade do aluno “não especial”. Fora os que preferem manter a alocação de vultosas verbas federais e o prestígio político das antigas instituições.


Trechos copiados de artigo de Lais Mendes Pimentel e Patricia Almeida


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Leonardo Ruoso - Jornalista/Desenvolvedor
Assessoria de Imprensa. Consultoria de Marketing. Desenvolvimento e Integração de Software. 
Comunicação Social/Jornalismo - UFC/2006. Telecomunicações - ETFCE/1998. 
Foos, Perl, Debian Gnu/Linux, Agile, UML, DBA e OOP. Coaching/NLP. Inglês e Francês. 

Leonardo Ruoso

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Jun 6, 2011, 10:12:43 AM6/6/11
to Adriana Lima, escol...@googlegroups.com
De fato a atitude de escolas que se aproveitam da inércia do Ministério Público em fazer cumprir a lei que que ainda hoje negam-se a acolher  a  todos os alunos, que insistem em manter e defender uma prática histórica de segregação de crianças, insistindo em permancer à margem da legalidade, mantendo-se numa postura de afronta aos direitos humanos, em especial de crianças e jovens, portanto merecedores de proteção especial da sociedade precisam urgente entender que comportam-se exatamente da mesma forma que os fazendeiros que se negavam a aceitar os direitos dos negros mesmo após o advento da Lei Áurea, agarrando-se a crenças e preconceitos que de tão superados e datados já deixaram até mesmo os domínios da legislação.

A alteração da legislação brasileira e dos demais signatários da Concenção de Salamanca é fruto de décadas de luta social e esforço científico. É embaraçoso que educadores se levantem contra essas conquistas. Até se entende que as variadas associações "filantrópicas" que lutam contra a perda de recuros e poder decorrentes dessas mudanças, mas não de pessoas que se pretendem teóricos da educação.

Não se trata aqui mais do debate científico, este já está devidamente consolidado e o Brasil está apenas atrasado como de costume na implementação e promoção das conquistas relacionadas aos direitos humanos. Trata-se de uma discussão já deixou o patamar acadêmico e até mesmo o patamar legal, está agora a depender do Estado apenas em seu poder de polícia. No universo acadêmico contudo as pesquisas continuam sendo desenvolvidas e o conhecimento continua sendo gerado confirmando os benefícios não apenas para as crianças com alguma deficiência, mas para todas as crianças, de estudar em uma escola capaz de respeitar a individualidade e a diversidade dos alunos. 

A amplificação de boatos como o fechamento dos institutos estatais de cegos e surdos, que não se pretende que sejam fechados, mas que sejam transformados em centros de apoio especializado para toda a rede de ensino, estatal e privada, para que cumpram sua missão de educar com respeito à diversidade, garantindo o acolhimento de todas as crianças sem discriminação ou segregação!

Lutar contra a escola inclusiva no século XXI tem as mesmas implicações legais e morais que lutar contra o reconhecimento dos direitos civis dos negros, da mulher ou dos povos indígenas ao longo do século XX. Engana-se quem pensa que aquelas conquistas foram combatidas com menos veemencia que as atuais.

Leonardo Ruoso

Ingrid Lira Rocha

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Jun 6, 2011, 6:24:46 PM6/6/11
to Adriana Lima, Dra Patricia, escol...@googlegroups.com
Bom dia Adriana,

Fiquei sem entender um ponto na sua notícia:

Qual a posição do MEC sobre esses Institutos continuarem existindo na forma de apoio às crianças cegas ou surdas?

Todas as notícias que vejo trata-se de um redirecionamento das práticas.

O ensino é direito de todos e deve ser oferecido na rede regular de ensino, para alcançar a todos. As escolas segregadoras devem deixar de existir. As crianças precisam ser estimuladas a andar e se comunicar entre seus pares (cegos, surdos, videntes, ouvintes, com deficiência, sem deficiência, arrogantes, tímidos...).

Por isso acredito ser fundamental esclarecer que os institutos podem continuar existindo e oferecendo o apoio que eles sempre ofereceram.

Será possível, desde a educação infantil frequentar no contra-turno o Atendimento Educacional Especializado que a criança necessita. Trata-se de agregar e não segregar. Ao invés das crianças frequentarem somente um ambiente com uma diversidade restrita, o governo propõe e vem adotando a política de que TODOS frequentem o ensino regular na MESMA escola que seus pares e as crianças que necessitam de um apoio maior para aprender nas escolas regulares (aprender LIBRAS, treinar o uso do tato, manusear um virador de páginas, intensivar o uso das estratégias metacognitivas...) no contra-turno frequentarão os institutos ou salas de recursos na própria escola.

Pergunto então onde essas crianças estão sendo prejudicadas?

Perceba que elas terão aulas com seus pares e mais um espaço de trabalho direcionado para que elas trabalhem as dificuldades que possuem para aprender em sala de aula. Quando chegarem na idade adulta e forem trabalhar elas terão consciencia de que quaisquer que sejam as diferenças que existem elas podem ser superadas e a amizade pode acontecer entre pares, por mais diferentes que eles sejam.

Reforça-se a importancia de que o apoio exista, mas sem levar a segregação.

O incomodo com a mudança é real, para todos, mudar é complicado. Mas estamos conseguindo: já aceitamos os negros como pares, as mulheres não são mais propriedade do marido e (já até se acredita que podem assumir cargos de chefia!), o homosexualismo não é mais visto como o doença... Aceitar que pessoas com deficiência são capazes de aprender junto a pessoas sem deficiência - mesmo que em alguns casos precisem de algum apoio - é só mais um passo para uma sociedade com mais respeito ao outro (seja ele quem for).

Claro que ainda há quem não goste de conversar com pessoas negras, quem tenha raiva de receber comandos de um mulher, quem ache que homosexualismo é transmissível e professor que acha que o aluno cego é incapaz de se movimentar entre alunos videntes...

Precisamos enxergar nossos preconceitos e trabalhar para conseguir enxergar além deles.

Abraços para todos,


2011/6/6 Adriana Lima <adri...@hotmail.com>
REPASSANDO!

Como poucos sabem, o MEC decidiu fechar até o final do ano o Instituto Benjamin Constant, uma Escola de Ensino Regular Especializada na Educação de Cegos, com turmas que vão desde a Estimulação Precoce até o 9º ano (antiga 8ª série) do Ensino Fundamental, e com atendimento especializado realizado com os reabilitandos (videntes - pessoas que enxergam -  que ficaram cegos por alguma razão).


O fato saiu no jornal O Globo inclusive, mas não chegou a ser a grande notícia da semana, pois poucos sabem o significado da instituição para o país. Não somente querem fechá-lo, mas também ao INES (para surdos) e ir aos poucos acabando com as escolas especializadas em educação especial, qualquer que seja a necessidade.
Em nosso país o sistema de ensino não consegue suprir as necessidades dos alunos regulares, quem dirá dos especiais. Cansamos de ver escolas com falta de material, falta de professores e que carecem de meios para que se tenha controle dos alunos e lhes ensinem valores morais já esquecidos na sociedade atual, e ainda entra em cena o "bullying" (palavra tão usada ultimamente) que emerge desta impotência moral iniciada no ambiente escolar.



No Instituto, as crianças se sentem parte de um todo, não sofrem preconceitos mas saem de lá prontas para enfrentá-los, prontos para enfrentar nosso mundo de videntes egoístas. Lá elas aprendem a andar sem cair ou bater em objetos, aprendem a comer, têm esportes específicos, desde pequeninos são estimulados. Alguns dos alunos inclusive passam a semana no Instituto, são alunos internos do Benjamin constant. Alguns alunos são Internos porque os pais não têm condições de levar e buscar, seja por dificuldades financeiras ou de trabalho (as aulas são em tempo integral). Com cuidadores para auxiliá-los a semana toda, dormitórios estruturados, refeições bem preparadas pelas "tias da cozinha" e elaboradas por nutricionistas.
Algumas crianças só têm na vida o Instituto. Posso parecer que estou exagerando, mas não é. A maioria das crianças não são somente cegas, algumas têm doenças degenerativas , ou seja, a doença vai piorando a um estado...que...enfim. No IBC é onde elas são aceitas e têm assistência de profissionais capacitados. Só tentar descrever pelo e-mail é complicado, aconselho que tirem um dia e visitem o Instituto. Estar presente e até mesmo fazer trabalho voluntário lá pode mudar o jeito que temos de ver a vida, e com sorte nos tornar pessoas melhores.
Essa luta não é por mim. É uma luta EXTREMAMENTE pelos alunos, pelo próximo!



Geralmente só percebemos diferentes situações fora de nosso círculo social quando nos afeta de alguma maneira. Quem tem alguém especial por perto sabe das dificuldades que enfrentamos, bate de frente com o preconceito, a desigualdade e o descaso que cai sobre eles.



Meu principal objetivo com este e-mail é conscientizar as pessoas, principalmente os cariocas, da importância desse centro de referência para cegos de todo o Brasil. E é um motivo de orgulho para nós termos tal instituição que capacita tão bem seus alunos. Vamos lutar contra esse absurdo de fechar o IBC! Se quiser colaborar, agradecemos muito!
Abaixo assinado: http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=P2011N8365

Vamos repassar essa corrente de luta e amor ao próximo, por isso imploro para que repasse, por favor, para TODOS os seus contatos essa mensagem!
O Instituto Benjamin Constant fica na Av. Pasteur - Urca (Próximo a Botafogo, na calçada do campus Praia Vermelha da UFRJ e Unirio) caso queira conhecer.
e o site:  http://www.ibc.gov.br/
Te esperamos lá!


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