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Fumantes têm até 25 vezes mais chances de desenvolver câncer de pulmão

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Jul 5, 2009, 10:38:56 AM7/5/09
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Apesar de os avanᅵos mᅵdicos oferecerem alternativas cada vez mais
eficazes para a cura ou para o controle do cᅵncer, o diagnᅵstico da
doenᅵa equivale, para a maioria das pessoas, a uma sentenᅵa de morte.
Sᅵ durante o ano 2000, por exemplo, mais de 100 mil pessoas morreram de
cᅵncer no Brasil. Nesta quarta-feira (1ᅵ), o mᅵdico ginecologista e
deputado federal Josᅵ Aristodemo Pinotti morreu em decorrᅵncia de
complicaᅵᅵes de um tumor no pulmᅵo.

O livro "O Cᅵncer" (Publifolha, 2001), da coleᅵᅵo "Folha Explica",
oferece dados e informaᅵᅵes referentes ᅵ incidᅵncia da doenᅵa, suas
causas e qual a importᅵncia de um diagnᅵstico preventivo. De acordo com
o autor e professor da USP Riad Naim Younes, a maioria dos pacientes
com cᅵncer de pulmᅵo ᅵ de fumantes ou ex-fumantes (em torno de 90%), ou
entᅵo de fumantes passivos (2%). As pessoas que deixam de fumar passam
a ter, apᅵs oito ou dez anos de abstinᅵncia do tabaco, praticamente as
mesmas probabilidades que um nᅵo-fumante tem de desenvolver o cᅵncer.

Leia abaixo um trecho do livro que fala sobre as causas de tumores no
pulmᅵo e de outros tipos de cᅵncer, e tambᅵm veja uma tabela com
fatores ligados ao desenvolvimento do cᅵncer.

Causas

O conhecimento cientᅵfico desvendou muitos mecanismos moleculares
ligados ao aparecimento e ao desenvolvimento do cᅵncer, ᅵ sua
capacidade de invadir ou de se espalhar pelo corpo. Infelizmente, ainda
hoje ᅵ muito difᅵcil determinar, para cada paciente, qual seria o exato
fator desencadeante da doenᅵa. O cᅵncer ᅵ causado por muitos fatores
externos (substᅵncias quᅵmicas, radiaᅵᅵo, vᅵrus) ou internos
(hormᅵnios, alteraᅵᅵes imunolᅵgicas, mutaᅵᅵes hereditᅵrias).

No sᅵculo 18, os mᅵdicos ingleses relataram o papel da fumaᅵa sobre a
incidᅵncia de cᅵncer de bolsa escrotal em limpadores de chaminᅵs; mas
sᅵ em meados do sᅵculo 20 se demonstrou o papel determinante do tabaco
sobre a incidᅵncia do cᅵncer de pulmᅵo. De lᅵ para cᅵ, vᅵrias outras
causas foram descritas. Vale ressaltar que ᅵ muito difᅵcil provar a
relaᅵᅵo causal direta de um fator ambiental no aparecimento de um
cᅵncer em certos indivᅵduos - as provas biolᅵgicas sᅵo raras.

O fato de uma substᅵncia qualquer produzir cᅵncer num animal (rato, por
exemplo) nᅵo quer dizer necessariamente que ela produzirᅵ o mesmo
cᅵncer no homem. Em geral, as evidᅵncias se baseiam em estudos
epidemiolᅵgicos extensos, longos, de difᅵcil conduᅵᅵo, com pessoas que
se apresentam como voluntᅵrias para seguir um esquema rigoroso de
comportamento (dieta, exercᅵcio etc.) durante muitos anos, a fim de que
cientistas possam estabelecer alguma correlaᅵᅵo com o aparecimento da
doenᅵa.

Esses estudos sᅵo demorados, custosos e sujeitos ᅵs variaᅵᅵes
geogrᅵficas ligadas aos comportamentos costumeiros, ou ᅵ presenᅵa de
recursos humanos e financeiros. Mais ainda: uma vez estabelecida ou
pelo menos suspeitada a causa, resta convencer a sociedade, os
especialistas e os formadores de opiniᅵo. Um exemplo foi o excessivo
retardo entre a descriᅵᅵo do vᅵnculo do cigarro com cᅵncer de pulmᅵo
dᅵcada de 60) e o inᅵcio do engajamento da sociedade em aᅵᅵes e leis
que ajudassem a reduzir o consumo do tabaco.

Modo de vida e alimentaᅵᅵo

Hᅵbitos cotidianos podem influenciar a probabilidade de uma pessoa
desenvolver tumor maligno. A relaᅵᅵo entre fumo e cᅵncer ᅵ indubitᅵvel,
apesar do esforᅵo das indᅵstrias de tabaco para encobrir as evidᅵncias.
O cigarro e os outros produtos derivados do tabaco sᅵo a causa de cerca
de 30% de todos os cᅵnceres: 400 mil casos nos Estados Unidos e 90 mil
no Brasil, somente no ano 2000, todos evitᅵveis.

A maioria dos pacientes com cᅵncer de pulmᅵo (87% a 94%) ᅵ de fumantes
ou ex-fumantes, e 2% sᅵo fumantes passivos (isto ᅵ, tᅵm contato intenso
e prolongado com fumantes, apesar de pessoalmente nᅵo fazerem uso de
tabaco). A incidᅵncia de cᅵncer de pulmᅵo se correlaciona diretamente
com a intensidade do ato de fumar: um fumante de dez cigarros por dia
tem oito vezes mais probabilidade de desenvolver cᅵncer de pulmᅵo que
um nᅵo-fumante; e fumantes de um maᅵo por dia (20 cigarros) tᅵm 25
vezes mais probabilidade. Da mesma forma, as pessoas que deixam de
fumar apresentam um padrᅵo decrescente de risco de cᅵncer com o passar
dos anos, chegando perto do padrᅵo de nᅵo-fumantes apᅵs oito a dez anos
de abstinᅵncia do tabaco.

Hᅵ 20 anos, pesquisadores apontaram a relaᅵᅵo direta entre algumas
dietas e hᅵbitos alimentares e a incidᅵncia de tipos especᅵficos de
cᅵncer. Hoje, estima-se que 35% de todos os tumores malignos se
relacionam ᅵ alimentaᅵᅵo e, portanto, podem ser evitados. O cᅵncer de
estᅵmago tem incidᅵncia exageradamente elevada em algumas regiᅵes do
mundo (Japᅵo, China), enquanto o cᅵncer de intestino prevalece em
outras (Estados Unidos). Curiosamente, quando os japoneses emigram para
os Estados Unidos, a incidᅵncia de cᅵncer de estᅵmago se reduz
muitᅵssimo, e a de cᅵncer de intestino aumenta de maneira progressiva.

Estudos comprovaram que a mudanᅵa de hᅵbito alimentar, da comida
japonesa para a dieta ocidental americana, determinou claramente o tipo
de cᅵncer que ocorreu nessa populaᅵᅵo migrante. Ficou demonstrada a
possibilidade de influenciar o desenvolvimento de cᅵncer por meio de
mudanᅵas de atitude. Muitos fatores relacionados ao modo de vida e ᅵ
dieta das pessoas podem ter correlaᅵᅵo com o desenvolvimento de um
cᅵncer. A Tabela 1 mostra alguns dos fatores mais estudados atualmente
e seu efeito sobre o cᅵncer.

fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u589159.shtml

--
Eduardo
Sorocaba,SP - Brasil
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