MANIFESTO
DO COLETIVO ENECOS CONQUISTA
Vitória da Conquista, 12 de setembro de 2011.
Diante
da atual conjuntura que se observa na Executiva Nacional d@s Estudantes de
Comunicação Social – ENECOS, o Coletivo Enecos Conquista “Há quem sambe
diferente” vem por meio desta realizar uma avaliação da executiva, como também
socializar aos companheir@s as angústias do grupo em relação à nossa atuação.
Voltamos
do Enecom Pará, com impressões extremamente positivas do encontro. Sentimos que
foi um momento de formação política e aproximação com a luta dos Movimentos
Sociais, trazendo como saldo positivo novos companheir@s atuantes dentro do
curso de Comunicação da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB),
dispostos a levantar a bandeira da Enecos e travar o debate dentro e fora da
nossa universidade.
E
por considerar este momento tão marcante para o nosso coletivo que não podemos
deixar de refletir sobre o processo pós-encontro. A Enecos apresenta muita
dificuldade de organização para além de seus fóruns, uma vez que após os
encontros, os coletivos e militantes distanciam seus debates e atuações, pois
não conseguem se organizar ou pautar os “assuntos nacionais” em sua realidade
local. São exemplos reais dessa falha, a Campanha Somos Todos Comunicação
Social, que apesar de ser um tema extremamente relevante na raiz de nossa
formação enquanto comunicadores, não conseguiu ser realizada dentro da maioria
das escolas, muito menos de forma eficiente, afastando-se dos estudantes.
Outro
ponto a ser problematizado são os GET’s, que teoricamente se constituem como o
espaço mais democrático e próximo à base da Enecos. Há tempos criticamos a
estruturação e metodologia aplicada neste espaço. Essa deficiência é histórica
na Executiva, desde 2008 quando nos estruturamos enquanto coletivo, vivenciamos
esta realidade. Mesmo assim, não conseguimos reciclar nossas práticas.
O
fato é que não existe na Enecos disputa com debate político. Andrew – em
resposta na social-l a um e-mail sobre a participação da Enecos em um seminário
sobre banda larga - foi muito feliz quando observou que até o presente momento
não existia uma oposição REAL às práticas que direcionam a executiva.
Não
nos encaramos quanto oposição que se fundamenta em críticas pessoais e/ou
partidárias. Apesar de termos sido formados politicamente pelo grupo Malungos,
não somos resquícios deste, nem herdamos suas práticas ou desavenças que haviam
outrora. Constituímo-nos neste momento quanto oposição REAL por observamos a
necessidade de haver uma mudança na organização e consequentemente, na prática
d@s militantes da Enecos.
Discordamos
da utilização disfarçada de espaços para organização de grupo nos fóruns da
Executiva, como no Cobrecos Sergipe, quando grande parte dos encontristas foram
convidados a participar de reunião com a Comissão Organizadora para falar do
Cobrecos e a tal reunião se “tornou” apresentação e discussão de tese do Barricadas.
O grupo Malungos – que ainda se constituía, o Coletivo Enecos Conquista, o
Coletivo Enecos Alagoas e alguns outros poucos estudantes coincidentemente não
foram convidados. Não nos opomos à livre organização política, mas somos
estritamente contrários ao emparelhamento e maquiamento dos espaços da
Executiva para tais fins. Reivindicamos ações às claras.
Discordamos
da apropriação do discurso de companheirismo e construção coletiva para incutir
interesses partidários e/ou pessoais. Citaremos alguns exemplos mais frescos
para que a compreensão do cenário seja de melhor entendimento.
Mesmo
sempre levantando a bandeira da igualdade e coletividade, fomos desrespeitados
pelos que se dizem noss@s companheir@s, quando encararam nossa dificuldade em
pagar a inscrição do Cobrecos 2011 apenas como um débito que deveria ser pago a
qualquer custo. Inclusive abdicando da nossa participação no congresso para a
realização de pedágios na cidade, como sugerido por membro da CN, mesmo após a
nossa garantia de realizar o pagamento assim que retornássemos à nossa cidade.
No entanto, quando a Comissão Organizadora apresentou seus débitos ao fim do
encontro, o discurso de dívida coletiva e companheirismo foram muito bem
utilizados.
O
descaso com @s “companheir@s” por parte da C.O. deste mesmo encontro chegou a
proporções absurdas, sobrepondo-se até mesmo às necessidades básicas de
qualquer ser humano. Na última cultural, tod@s @s encontristas foram levados a
uma casa de praia para a festa, na qual não havia água, comida e local adequado
para dormir. Fato que poderia ser facilmente resolvido se tivéssemos sido
previamente avisados sobre as condições reais do local. Essa crítica não é
apenas à coordenação do referido encontro, mas é uma mostra clara das nossas práticas
na Enecos. Uma Executiva de muitos princípios, mas com extrema dificuldade em
aplicá-los para além do discurso.
Depois
de um Erecom Salvador extremamente problemático onde a base local se afastou da
Enecos pela forma como o encontro foi construído e como se deu, a Regional NE1
sentiu a necessidade de se articular e tentar remediar a situação pós Erecom. A
chapa “Um Novo Jeito de Caminhar”, composta pelos três estados de nossa
regional, trouxe consigo a proposta de construção coletiva acima das velhas
divergências políticas. O momento foi comemorado por tod@s por ser considerado
um marco da superação do antigo cenário político da nossa regional.
No
entanto, durante as reuniões para construção do Seminário de Formação Política
da Regional NE1, percebemos que no dado momento se faz impossível a formação de gestão com o Barricadas, por divergirmos profundamente
das práticas adotadas. Portanto, deliberamos no dia 10 de setembro de 2011 a saída da companheira Halanna Andrade
da chapa “Um novo jeito de caminhar”.
Sempre
construímos a Enecos por entender que apesar de todas as críticas e da forma
como ela se configura hoje, a Executiva é um dos espaços mais importantes de
formação para @ estudante de Comunicação Social. Continuaremos a ser um
coletivo atuante da Enecos, mas se constituindo quanto oposição concreta não só
ao Barricadas, mas a tod@s que adotam as mesmas práticas as quais tecemos
nossas críticas.
Coletivo Enecos Conquista
“Há quem sambe diferente”