Lúcifer e a Reencarnação

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Pedro

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Nov 3, 2005, 10:06:18 PM11/3/05
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Idéias parecem ser coisas inofensivas, coisas que aprendemos a tolerar. Mas poucas coisas podem ser tão perigosas quanto uma idéia falsa.
A rigor, Lúcifer não tinha mais do que idéias. O pecado dele foi esse: divulgar idéias falsas, como se fossem verdadeiras. E ele não era sincero!
Lúcifer divulgava basicamente as seguintes idéias:
 
1- O Pai Universal é um mito inventado pelos Filhos Criadores.
 
2- A imortalidade é inerente às personalidades do sistema, a ressurreição é natural e automática e todos os seres viveriam eternamente, não fossem as execuções dos Anciães dos Dias.
 
3- Os sistemas devem ser autônomos, e todos deveriam desfrutar da liberdade da autodeterminação individual.
 
Parecem bem inofensivas, aliás se parecem até com algumas religiões da Terra. Vamos ver item por item:
 
1- As religiões reencarnacionistas nunca falam da personalidade do Pai Universal. Sempre procuram retratá-lo como uma Força Cósmica, Uma Causa Primária, Uma Mente Suprema, etc, mas nunca falam da Personalidade da Primeira Fonte.
E se Deus for impessoal, é como se o Pai (a parte pessoal de Deus) não existisse; é como se existisse apenas o Paraíso -uma espécie de Controlador Universal impessoal.
Nisto algumas religiões se parecem com o Manifesto de Lucifer, ainda que não tenham intenção.
 
2- Esta parte do Manifesto de Lucifer é a que mais lembra as religiões da reencarnação. Com a reencarnação, todas as personalidade teriam a vida eterna garantida. Só teriam que continuar reencarnando para evoluir, durante um período indefinido de tempo, mas tendo a vida eterna assegurada.
O Livro de Urantia fala desta crença como a mais estupidificante, um ensinamento "filosoficamente debilitador", que "roubou dos mortais em luta a sua esperança havia muito acalentada de encontrar a libertação e o avanço espiritual na morte".
 
3- Esta última idéia é um pouco mais difícil de ser percebida, mas também faz parte sutilmente das religiões reencarnacionistas. Com a salvação através das reencarnações sucessivas, cada um "salva-se a si mesmo" pelo seu proprio esforço, desfrutando da liberdade da autodeterminação pessoal de reencarnar e evoluir no seu próprio ritmo, criando seu próprio destino (karma), e planejando suas reencarnações sem interferência divina direta. Deus seria uma espécie de observador passivo, infinitamente paciente, que daria quantas reencarnações o iniquo precise para "evoluir".
 
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Ora, mas para que uma religião, que contenha essas idéias, possa ser vendida, ela precisa de algo mais. Precisa de uma embalagem de luxo. Vamos incluir então um elevado código de ética - por exemplo, a moral ensinada por Jesus- embrulhar tudo num pacote bonito e pronto! Temos uma religião com uma aparência externa bonita(a moral de Jesus), mas por dentro temos, nada mais nada menos, que todas as idéias de Lúcifer disfarçadas! E ironicamente, a crença nas idéias de Lúcifer retira a energia moral e espiritual necessária para que o crente consiga as vitórias espirituais que a propria religião dele propõe! E ele fica abatido, desanimado, achando que na proxima reencarnação se sairá melhor. Ou então tenta se enganar, achando que ainda não tem "evolução" suficiente para ser uma pessoa melhor (claro que há raras exceções).
 
Eu não tenho dúvida de que todo erro, toda mentira, tudo que não seja Verdade, é um mal potencial. Apenas a Verdade liberta; apenas ela traz felicidade e paz de espírito. Portanto eu não tenho dúvidas de que a doutrina da reencarnação agrada ao pai da mentira, ainda que muitos dos seus adeptos sejam pessoas bem intencionadas e corretas. Mas nós, que temos contato com a Quinta Revelação, o mínimo que se espera é que possamos banir para sempre todas as mentiras e sofismas de Lúcifer. Pelo menos dentro do nosso meio.
 
"Quando Jesus falou do “Deus vivo”, ele referiu-se a uma Deidade pessoal – o Pai do Céu. O conceito da personalidade da Deidade facilita a amizade; favorece a adoração inteligente; promove uma confiança arejada. As interações podem dar-se entre coisas não pessoais, mas não a amizade. A relação de amizade entre o pai e o filho, tanto quanto aquela entre Deus e o homem, não pode ser desfrutada, a menos que ambos sejam pessoas." Doc.1


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Francisco Santos de Oliveira

unread,
Nov 4, 2005, 5:35:34 PM11/4/05
to el...@googlegroups.com
Prezado Pedro
 
Parece-me bem oportuno o seu texto, notadamente a parte relativa ao efeito debilitador do pensamento reencarnacionista. Por um lado, o conforto da segurança da sobrevivência, por outro, a pressaga solidão no esforço de progredir, em vista da falta de um maior estímulo de origem divina, que enriqueça e amplie os caminhos possíveis.
 
Já tive ensejo de dizer para o Andrino que dei outrora grande valor à série de livros "Com Deus", de Neale Donald Walsch, cujas idéias vim a abandonar depois que encontrei o LU. Aquela série defende a tese de ressurreição natural e automática para todos, embora não sustente as outras duas teses luciferianas. Mas concede-nos ampla liberdade e conclama-nos a fazer uso dessa liberdade para tranformar o mundo no que de melhor possamos conceber. Noutras palavras, Deus ter-nos-ia concedido a posição de pontas-de-lança da Criação, ao mesmo tempo que nos responsabiliza por tudo de problemático que tem acontecido. E propõe que passemos a pensá-lo de forma diversa da que tem sido usada até agora, e isso para entrarmos em contato com o Deus como realmente é, em vez de com as limitações que Lhe temos atribuído.
 
Dei muito valor à segurança e à liberdade com que contamos, segundo esses livros, mas sentia-me incompetente para ser responsável pelos caminhos da Criação. Penso que seriam bem pobres as nossas realizações no grande caminho, caso tivéssemos que ficar adstritos apenas à nossa capacidade inventiva. Seguir a iniciativa do Pai, integrar-nos num plano de origem divina e de amplitude além da nossa capacidade, parece-me mais confiável e promissor. Muita liberdade muito cedo pode dar lugar a problemas, lê-se no LU. E cheguei à conclusão de que a autonomia dos sistemas, pretendido por Lúcifer, poria fim à unidade do todo e não levaria a Criação aos melhores ressultados possíveis.
 
Diferentemente de você, penso que Lúcifer era sincero, embora fosse limitado em amplitude de visão, amor e criatividade. Suas idéias, sobretudo sua negação da realidade do Pai, se inseriam numa concepção de desamor e escassez. Tendiam mais para a dominação que para a harmonia. Eis por que só vejo sentido em afirmar a Realidade do Pai, Ele é indispensável à unidade do todo. E por que prefiro seguir a Sua iniciativa, deixando para quando tiver alcançado maior aprendizado, o uso menos tímido da Liberdade.
 
Fica imediatamente claro quão importantes são as Revelações, quão importantes são as mensagens que nos dão notícia dos caminhos próximos possíveis - e que nos permitam evitar os repetidos recomeços, os ensaios em busca de não se sabe o que, o esforço solitário para progredir com as escassas luzes pessoais, quando podemos beneficiarmo-nos das qualidades de um Plano da mais alta origem e que já vem em andamento desde a origem do Tempo.
 
Disse o Andrino, numa de suas respostas, que as idéias do LU "talvez seja uma boa história para se contar para as crianças, antes de dormir, mas não para seres inteligentes, que têm um cérebro investigativo"  Nesse caso, os seres que são ditos inteligentes teriam que se orientar necessáriamente por uma perspectiva de escassez, considerando que ao Criador faltam meios para por em andamento uma Obra mais perfeita, mais rica, mais de acordo com a Grande diretriz que a tudo rege. Tratar-se-ia no caso, de seres descrentes do Criador, seres que poriam em dúvida a capacidade, se não a existência do Pai, noutras palavras, seres contaminados pelas teses luciferianas. Ainda bem que a inteligência não implica necessáriamente tantas limitações, ainda bem que podemos contar com luzes advindas de fontes mais esclarecidas e não apenas com os fracos recursos de quem se coloca, talvez por circunstância pessoal, em marcha solitária pelos meandros da escassez. Mas mesmo quem assim o faz, pode contar com a riqueza de qualidades do Criador, entre as quais tem lugar de destaque a Misericórdia.
 
O Mestre, cuja mensagem punha grande ênfase em nossa condição de filhos, disse que o melhor que podemos fazer é encarar o Pai com a confiança e entrega com que as crianças se relacionam com seus pais terrenos. E confiar no pai é considerá-lo sábio, capaz e cheio da melhor boa-vontade. Pois embora seja verdade que os pais terrenos podem não ser tão sábios nem tão capazes, não há por que pensar o mesmo do Pai Universal.
 
Tenho preferência pela mensagem do LU, não por um impulso apenas emocional, mas pela ponderação das idéias apresentadas, tendo em vista a amplitude, a coerência e sobretudo a riqueza das possibilidades que se descortinam. Não vejo sentido em  movimentar-me segundo uma perspectiva de escassez, como se o Criador fosse incapaz, por carência de recursos internos ou externos, de dar à Criação mais ricos horizontes.
 
Fraternalmente
 
F. Santos 
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