ORAÇÃO PELOS
PAIS
Jorge Linhaça
Senhor, atende agora esta
prece
que brota em versos, do meu
coração
Neste poema que é meio
oração
Tu que és o Pai que a tudo
conhece.
Tu sabes, Senhor, que pai é
amparo,
tem seus defeitos, também tem seus
medos
Guarda no peito também seus
segredos
Nem sempre o que diz, parece-nos
claro.
Mas sabes, porém, que ama os
filhos,
Por mais distante que possa
estar
Pisando as dores naquele
lagar
Vendo de longe , das crias o
brilho
Tu sabes senhor,
a falta que
sentem
daquel'abraço perdido no
tempo
Dor da saudade, do
esquecimento,
por mais que fingir-se de forte
eles tentem
Tu que ficaste de Cristo
distante
de longe olhando o seu
crescimento
sabes bem a dor e o
contentamento
que tocam a alma, dardos
flamejantes
Atende, ó Senhor, este meu
pedido,
envolve aos pais na luz do teu
manto
seca dos olhos o amargo
pranto
de quem se sente no mundo
perdido.
Dá-lhes a força pra
sobreviver
mesmo que faltem, no peito,
pedaços
e lhes advenha o triste
cansaço
de não ver os filhos, de perto
crescer.
Perdoa, Senhor, se frios
parecem,
Pra sobreviver precisam
fingir!
Quando su'alma parece
ruir
fingem que as dores sentidas
esquecem.
Levam tristezas, qual feixes de
lenha
sobre os lombos feridos de
espinhos
Mais do que nunca, se sentem
sozinhos
ante os portões sem saberem a
senha.
S'isto te peço, sabes o
porquê:
conheces a dor tal qual esses
pais
sabes dos riso e também dos
ais
que neste mundo, quase ninguém
vê.
****
Arandu, 9 de agosto de
2009