Juliana Cristina de Mello
unread,Jan 10, 2011, 7:37:21 AM1/10/11Sign in to reply to author
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Bom dia a todos.
Criei esse tópico para contar meu espisódio para o Ruy, que me solicitou e para outros, que o desejem saber, a história é longa, mas produtiva, só leia quem tiver paciência. Tudo começou com meu esposo que na época não era nem namorado, só um amigo de infância. Ele foi para a Irlanda visitar amigos e trabalhou um período antes de voltar, só que ele voltou um tempo depois do limite de seu visto. Nada teria acontecido até aí, se ele não tivesse tido um PPS e esse estivesse ativo e sido movimentado mesmo depois que ele veio embora. Depois de sua chegada começamos a namorar e sete meses depois nos casamos e decidimos que Irlanda seria nosso destino de lua de mel.
Ficamos três dias na Suíça e qndo fomos para Irlanda para passarmos sete dias por lá, com intenção de regularizar a situação com o patrão dele e futuramente voltarmos para lá legalizados, fomos barrados. Na imigração nos perguntaram o que iríamos fazer, ele disse lua de mel. Daí perguntaram se já havíamos estado lá, eu disse que não o que é verdade e meu esposo disse que sim, a passeio, o que em tese tb era verdade. O cara da imigração mais caxias do que outros, digo isso pq vários amigos nossos na mesma situação conseguirma voltar a passeio e não tiveram problemas. Esse oficial, resolveu pesquisar a vida do meu esposo e não me perguntem como, ele tinha todo o histórico do PPS dele e disse: Vc esteve aqui para trabalhar e agora está voltando de novo com essa intenção, vc e sua esposa vão voltar.
Como no caso de deportação vc deve voltar pelo mesmo trajeto que veio, nos levaram para uma sala no aeroporto, cada um em uma sala separada, pra aguardarmos o vôo de volta para Zurich. Isso por volta de 12:00. Lá pelas 17:00 nos disseram que não teria vôo naquele dia e só aí pudemos comer uma metade de frango sem tempero e duas batatas e só aí tb pude ir ao banheiro. Qndo deu 19:30 vieram e nos levaram (só aí vi meu esposo de novo) para uma vam onde tinha uma grade tipo camburão e uma mesa para interrogatórios. Meu esposo ficou dentro da grade e eu fora. Chegando em uma casa tipo CPP (casa de prisão provisória) eu desci mas meu esposo não, então levaram-no para outra CPP longe dali. Lá dentro uma oficial loira mal encarada pegou meus dados, mediu minha altura e mandou que eu assinasse um livro, me levou para uma cela com porta de aço somente com uma aberturinha de vidro para que me vigiassem e outra portinhola para passagem de comida. Dentro dessa cela, havia uma cama de alvenaria sem colchonete e um cobertor daquele bem pobrinho, ao fundo uma vaso sanitário daqueles que vc pisa em cima e agacha. A oficial mandou que eu entrasse nessa cela, mas o outro oficial não permitiu, fez cara feia pra ela e me mandou para outra que tinha um colchonete.
Fiquei descalça pois eles tomaram meu macboot, e somente me deixaram com meu livro da Cecília Ahern ( que por ironia é irlandesa) e minhas fotos da lua de mel na Suíça. No meio da madrugada acordei com alguém gritando fuck you! Pensei logo: é meu marido e estão batendo nele. Chamei outra oficial e ela disse que estava tudo bem, pedi pra usar outro banheiro pois não tinha coragem de usar aquele vaso. Ela saiu e depois voltou e disse que poderia usar o delas. Na volta, vi o rapaz que gritava fuck you, sendo socado na boca do estômago por um oficial careca. Ele olhou pra mim e pediu desculpas pela cena. Voltei pra minha cela aterrorizada, pensando no que meu esposo estava passando. Apesar de ter direito de um intérprete e fazer uma ligação para a embaixada, só me deixaram fazer isso 20:00, qndo já estava fechada e só falei com o intérprete pelo telefone. Voltei a rever meu esposo no dia seguinte de manhã no mesmo "camburão" que nos levou de volta ao aeroporto. Lá ficamos novamente até 10:00 sem refeição qnd embarcamos de volta à Zurich. Chegamos lá por volta de 12:30 e ficamos sem documentos, apenas com a mala de mão e o notebook. Aí já havíamos completado um dia sem banho e sem escovar dentes, nada. Só nesse dia pudemos avisar aos nossos parentes o que havia acontecido, estavam loucos de preocupação. O nosso vôo saiu para o Brasil por volta de 23:00!!!
Chegamos em Guarulhos por volta das 06:00 do outro dia e devido à uma sacanagem da agência de viagem, nosso vôo de volta havia sido cancelado e após muitas brigas, conseguimos outro vôo para as 22:30, pensa mais um dia dormindo no aeroporto, completamos então quase três dias sem banho. Em todo o trajeto desde dublin, Zurich até São Paulo, não tivemos acesso aos nossos documentos e éramos os primeiros a entrar no vôo e os primeiros a sair, sempre escoltados por um funcionário das companhias aéreas. Parecíamos bandidos. Depois que chegamos em casa, tomamos banho e descansamos, entrei em contato com Ombudsman Garda para relatar o caso. Me responderam, mandaram documentos para que eu assinasse e depois de menos de uma semana, devolveram os documentos dizendo que a minha história não procedia. Pra ser sincera, foi o único momento que revoltei.
A uns meses atrás meu esposo recebeu a mesma proposta de emprego pelo patrão dele, só que nesse caso, ele iria para estudar e aprimorar o inglês e o patrão dele depois do fim do curso, iria entrar com processo de work permit, tudo dentro da lei. Então logo disse: Estamos esperando o que? Voltei aqui no grupo e pedi conselhor, o Edu e o Bastos me disseram que não deveríamos tentar, pois, poderia ser arriscado, mas como estávamos loucos pela nova oportunidade resolvemos ir. Agora começa a parte da novela que é inédita e até agora não consegui contar aqui: Herança Herdada.
Em outubro passado meu esposo embarcou de novo para a Irlanda com todo o curso comprado e pago, tudo certo, na forma da lei e mais uma vez adivinhem? Ele foi barrado novamente. Dessa vez ele foi primeiro para depois eu ir, mas não deu. E acreditem, eles não alegaram como motivo a nossa deportação em nossa lua de mel, como nós suspeitávamos que pudesse acontecer. Ele alegaram a primeira estada do meu esposo ainda, impriram até o papel de seu registro em 2005. Dessa vez ficou pouco em Dublin, mas ficou bastante em Paris, onde os oficiais eram arrogantes e chamavam a nossa moeda, real, de "merde". Ao menos lá tinha um telefone na cela e ele podia me ligar toda hora.
Agora a novela acabou! Daí a herança herdada, por causa de um deslize dele num passado já distante, nem ele, nem eu pq jamais irei sem ele, podemos entrar no país, pois ele sempre vai ser visto como um ilegal. Então para realizar nosso sonho de morarmos juntos no exterior futuramente vamos tentar outro lugar, o sonho da Irlanda pra gente, infelizmente acabou. Por isso, quem pensa em tentar algo ilegal, pode até se sair bem no início, mas pode amargar muito para o resto da vida.
Desculpem o jornal mas não tinha como contar isso em menos linhas.
Ju.