26 de julho de 2011 | 13h49
Fernando Scheller
Uma leitora do blog, insatisfeita com os rumos atuais de sua carreira, estava buscando uma saída para a própria falta de horizontes. Não queria mais continuar na área em que atua e, ao mesmo tempo, não via muitas chances fora de seu tradicional setor de atuação. Já perto dos 30 anos, estava na chamada “encruzilhada profissional”.
Eis, então, que uma amiga lhe deu uma ideia: por que não realizar aquele velho sonho de ficar um ano fora, deixar o inglês realmente fluente e simplesmente sair “fora do ar” por uns tempos?
Mas, em um momento em que a economia brasileira está bombando, fica a dúvida: será que o momento de fazer isso é agora?
Curiosamente, conversei recentemente com professores da Iese Business School, de São Paulo, sobre o tema. Especialmente entre “candidatos a executivos” (alunos de MBA, vindos de escolas de boa reputação), existe mesmo um certo medo atualmente de que o ano fora possa se tornar um “ano perdido”. (No entanto, agora numa avaliação pessoal, um ano no exterior nunca pode ser chamado de perdido)
Para não perder oportunidades profissionais, alguns jovens estão se privando da experiência internacional e optando por cursos bem estruturados (muitas vezes chancelados por universidades estrangeiras) ministrados no País. Assim, com um bom grau de esforço, equilibram o avanço profissional e o educacional.
É preciso ressalvar, no entanto, que um curso no Brasil não ganha o mesmo valor entre recrutadores e especialistas em RH. Isso porque a experiência internacional, além do contato com métodos de ensino completamente diferentes do brasileiro, traz atrelada uma série de outras vivências: além da capacidade de “se virar” em um ambiente estranho, o aluno internacional tem que enfrentar a barreira do idioma (o que geralmente leva à fluência), pode fazer um estágio interessante e, acima de tudo, conhecer pessoas novas, fazendo bons contatos.
Neste sentido, parece-me certo dizer à leitora de que uma experiência internacional é sempre válida. Se a economia estiver bem dentro de um ano, haverá espaço para os que já estão aqui e também para os que estiverem retornando do exterior. Se as coisas não andarem tão bem, todo mundo vai ter o mesmo grau de dificuldade. E algumas empresas podem até preferir alguém que esteja voltando com a cabeça aberta, após uma temporada com experiências interessantes.
Ou seja: não dá para usar a economia em crescimento como desculpa para não dar um grande salto (em termos pessoais e profissionais).
Moacy Andrade Jr

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Quando eu vejo esse tipo de coisa por aqui, me surge uma mix de raiva com pena de quem está gastando esse dinheiro todo pra pessoa ficar aqui de gracinha...
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Eu não penso que na atual situação do nosso país, o mercado de trabalho vá considerar uma perda de tempo o fato de vocês terem investido um ano em intercâmbio. Eu realmente vejo isso como o grande diferencial. Como o artigo que a Glícia postou fala. Este é meu segundo intercâmbio. Morei na Suíça por quase três anos. Tinha 23 anos quando fui pra lá e minha família, quando me viu depois de um tempo estava abismada. Diziam que eu tinha saído do Brasil um adolescente (exagero :O) e que tinha voltado um homem, visto o tanto que tinha amadurecido... Sim, eu acredito no poder de um intercâmbio na vida de quem faz :)
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