Materia de Angelique Duruz na midia

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E-CHANGER Brasil

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Apr 8, 2013, 9:33:46 AM4/8/13
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Angelique Duruz fala com a Agência Social sobre suas atividades no CEDECA Interlagos e suas experiências como Cooper-Atora de E-Changer no Brasil!
 
 
 

Entrevista com Angélique Duruz

 Embora o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) tenha sido promulgado em 13 de julho de 1990 a violação dos direitos fundamentais dos jovens no Brasil assume um papel de destaque nas ruas e na imprensa, principalmente nas periferias.

Através dos espaços vazios deixados pelo governo surgem os “agentes transformadores sociais”, como Angélique Duruz, a mestre em estudos de desenvolvimento social e humano suíça de 27 anos que saiu de Genebra para trabalhar com crianças e adolescentes no extremo sul da capital paulista.

A Agência Social conversou com Angélique para conhecer um pouco da sua história e atuação no CEDECA Interlagos.

 

Agência Social – Quando começou seu interesse pelos trabalhos sociais?

Quando estudava, participei durante 3 anos da organização de um festival de música estudantil. Não recebíamos pelo trabalho, mas gostava de me dedicar para algo do qual acreditava. Depois do curso de relações internacionais escolhi me especializar em mecanismos internacionais de proteção e garantia dos direitos humanos. Fiz vários estágios durante e depois da minha vida acadêmica, sempre na área da criança, na Suíça e no Uruguai. Paralelamente, fui voluntária em Genebra de uma ONG que se chama Peace Brigade International, que envia pessoas para serem observadores dos direitos humanos em diferentes países onde a situação é crítica.

AS – Antes de chegar ao Brasil, você fez intercâmbio em outros países?

Morei um ano no Uruguai, mas não era um intercâmbio. Depois de terminar relação internacionais, fui fazer um estágio na embaixada da Suíça em Montevidéu, para saber se a diplomacia como carreira me interessava. Não me interessou, mas o Uruguai, sim. Então, tentei ficar mais tempo e achei um estágio com o Comitê dos Direitos da Criança do Uruguai e acabei fazendo minha pesquisa de mestrado no Uruguai. Minha investigação tratava da dinâmica de reintegração social de adolescentes em conflito com a lei.

AS – Como surgiu a proposta de trabalhar no Brasil?

Vim no marco de uma parceria entre o CEDECA Interlagos (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente) e uma ONG Suíça que trabalha numa perspectiva de cooperação internacional solidária, a E-Changer. A ONG tem vários parceiros em vários países na América Latina e na África, ela faz um vínculo entre o perfil dos profissionais que os parceiros locais precisam e os futuros voluntários na Suíça. Aparentemente, meu perfil correspondia ao profissional que o CEDECA Interlagos estava procurando. Aí, a E-Changer me perguntou se toparia ir para o Brasil e topei!

AS - Quando você chegou e qual o tempo de duração do seu intercâmbio?

Cheguei em julho de 2011, tenho um contrato de 3 anos como voluntária ou Cooperadora no CEDECA Interlagos. Vou ficar até julho de 2014.

AS – Qual sua primeira impressão quando chegou ao Brasil?

Fiquei chocada com o tamanho de São Paulo. Nunca tinha morado numa cidade tão grande. Genebra, minha cidade na Suíça, tem 700.000 habitantes e é a segunda maior cidade do país. São Paulo me pareceu imensa e, também, fiquei impressionada pelo número de pessoas em todos os lugares e a catastrófica rede de transportes públicos. Não tenho que pegar ônibus todos os dias, porque moro perto do trabalho, mas toda vez que utilizo algum transporte público fico desesperada pensando nas milhões de pessoas que pegam esses transportes nessas condições todos os dias para ir executar trabalhos precários com salários baixíssimos e sem nenhum reconhecimento.

AS – Você trabalha com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. Qual é a sua função no CEDECA Interlagos?

Eu cheguei com um mandato de fortalecimento institucional, quer dizer que a organização pode me “utilizar” onde mais precisar. Ou seja, em relação ao que faço diretamente com as crianças e os adolescentes, o meu trabalho se situa ao nível de mobilização, sensibilização, formação política e da educação popular. Essas ações se desenvolvem ou dentro do espaço físico da instituição ou na comunidade ou durante eventos pontuais e simbólicos, por exemplo, o dia da consciência negra. Mas, eu não faço o atendimento direto com crianças ou adolescentes.

Todos os anos, o CEDECA Interlagos organiza o SEMANCA, a semana de mobilização de crianças e adolescentes. O evento acontece em julho para comemorar o aniversário do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). No ano passado, 18 adolescentes passaram 2 dias de imersão com a nossa equipe, participando de brincadeiras, cine-debates e outras atividades ligadas aos direitos humanos. Foi uma experiência incrível que deveríamos repetir mais vezes, mas lamentavelmente é muito complicado articular.

AS – Como você analisa o Estatuto da Criança e do Adolescente em prática?

Acho que o ECA foi um enorme avanço na luta pela garantia dos direitos da criança e do adolescente. O problema é a efetivação e o gozo completo dos direitos codificados no estatuto. A implementação, na prática, é sempre mais difícil, mas ter escrito aonde queremos chegar já representa um passo à frente. O ECA poderia, ainda, incluir todas as disposições da Convenção Internacional dos Direitos da Criança de 1989.

AS – Os jovens, principalmente, das regiões periféricas são os maiores alvos da violência urbana. O que o governo poderia fazer para amenizar este problema?

A desmilitarização da polícia seria algo. Realmente, nunca vi algo tão absurdo. A existência da polícia militar surge de um artigo da constituição brasileira que apareceu do nada. O Brasil é o único país que não está em estado de guerra, obviamente, e tem um “exército” nas ruas das suas cidades. A situação dos direitos humanos no Brasil foi examinada pelo Conselho dos Direitos Humanos (CDH) da ONU em junho de 2012, no marco da Revisão Periódica Universal. O CDH fez 170 recomendações ao governo brasileiro. O governo aceitou 159 recomendações, aceitou parcialmente 10 recomendações e rejeitou uma. A recomendação rejeitada foi feita pela Dinamarca e pedia a abolição da policia militar.

AS - Falamos anteriormente sobre as responsabilidades do governo. Mas, o que os cidadãos e os movimentos sociais podem fazer para preservar os direitos dos jovens?

Não tenho uma resposta pronta. A formação política e o controle social representam meios de cobrar os governos para a efetivação dos direitos humanos. No CEDECA Interlagos acreditamos justamente nisso, no trabalho de base, na formação política das crianças e adolescentes nas comunidades para que eles se transformem em cidadãos críticos, ativos e atores das suas vidas, sendo capazes de reivindicar os seus direitos, de participar de maneira construtiva e transformadora na sociedade.

AS – Para finalizar a entrevista. Entre os inúmeros trabalhos que você já realizou na área social. Qual foi aquele que mais lhe marcou?

Trabalhar no CEDECA Interlagos é o trabalho mais marcante que tive, porque se realiza num contexto muito diferente do que já tinha feito antes. Tentar apoiar a missão de uma ONG que evolui dentro desses parâmetros me permite forjar uma experiência muito valiosa.


 
 
 
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