O povo da América Latina perde um líder e um construtor de ideais!6 de março de 2013Da Página do MST
http://www.mst.org.br/node/14482A morte de Hugo Chávez representa uma perda irreparável para todos os
povos da América Latina.
Sua origem humilde, sua trajetória de militar nacionalista e seu
compromisso inquebrantável com um projeto de libertação do povo
venezuelano, o transformou num líder popular de todo continente.
Foi o primeiro a enfrentar de armas em punho as mazelas do
neoliberalismo na década de 90. Amargou a prisão. O povo o reconheceu
e o conduziu ao governo com o maior apoio eleitoral da historia do
país.
Promoveu mais de dez eleições, com ampla participação popular e com
extremo rigor de controle sobre a lisura das urnas. Ganhou todas.
Enfrentou o império e a mídia burguesa de todo mundo. Que o odiavam.
Enfrentou os empresários lumpens e corruptos marionetes da CIA, que
lhe deram um golpe. Mas o desdenhado(por eles) protagonismo do povo,
o salvou!
Nesses anos todos, implementou mudanças fundamentais na sociedade
venezuelana. Depois de um século de uma economia dependente das
exportações do petróleo, deu uma virada. Primeiro distribuiu a renda
petroleira para resolver os problemas do povo. De saúde, educação,
moradia e alimentação.
E depois implementou mudanças para reorganizar a economia com um
processo de industrialização do país, com autonomia.
Na política, incentivou todas as formas de participação popular. Não
apenas nos processos eleitorais e governamentais, mas estimulou o
protagonismo dos trabalhadores em todos espaços da sociedade.
Solidário com outros países mais empobrecidos, criou a Petrocaribe,
que entrega o necessário petróleo a preço de custo.
Como MST e demais movimentos da via campesina, sempre tivemos uma
identidade muito grande com seu projeto. E um carinho especial por
esse líder comprometido unicamente com seu povo.
Conhecemo-nos em atividades do Fórum Social Mundial (FSM), para
debater o neoliberalismo e as saídas para a crise capitalista.
Construímos juntos uma proposta continental de agroecologia, que
pudesse servir de base para uma política de produção de alimentos
sadios para toda população. Organizamos uma rede continental de
escolas de agroecologia e de experimentos de sementes. Nossa rede IALA
(Institutos Agroecologicos Latinoamericanos).
E juntos colocamos as bases para um projeto de integração continental,
porém popular, que fosse mais além das articulações governamentais e
comerciais. Que pudesse servir de integração popular, com iniciativas
produtivas. Com iniciativas educacionais para erradicar o
analfabetismo de nossa população. De iniciativas sociais e políticas.
Para tanto, estamos construindo uma articulação de todos os movimentos
sociais da América, que se identificam com esse projeto.
Foi uma década de derrotas para o neoliberalismo, para os setores da
burguesia, e aos eternos serviçais dos interesses do capital
internacional.
Foram dez anos de construção de um processo de alternativas. Com
desafios enormes, vitórias e pequenas derrotas, mas sempre para
frente!
Chávez nos fará falta!
Mas com a intensidade de um líder verdadeiro, colocou as bases
fundamentais na sociedade venezuelana para que o projeto tenha
continuidade.
Seu exemplo e lucidez servirão de ânimo para toda militância social da
América Latina, para todas as forças populares e para os governos
progressistas, para que se possa seguir construindo processos de
verdadeira libertação popular.
Processos de verdadeira integração continental.
Viva Chávez !
Viva a integração popular de nosso continente!
João Pedro Stedile
do MST e da Via campesina