[DULCINÉA CASSIS] Histórias de dor e de amor!

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Dulcinéa Cassis

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Aug 18, 2014, 6:49:46 PM8/18/14
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Psicóloga há mais de 30 anos, há cerca de quatro anos, resolvi investir no outro dom e paixão que tenho, que é a culinária, abrindo um Café, o Zahia, com o que minha filha chamou de "minhas comidinhas".

O empreendimento até agora tem dado certo! Para minha surpresa, alcancei mais visibilidade como Chef de cozinha, nestes três anos, do que como psicóloga nos trinta anos de profissão!

O que muita gente não sabe é que continuo com o meu consultório, dividindo o meu tempo entre as duas atividades.

Quando sou questionada, sobre como consigo lidar com esses dois papéis, respondo: No consultório ouço as histórias de dor, aqui no Café, posso participar das histórias de amor!

Rimou e ficou bonita a expressão, mas vai muito além, quando paramos para refletir sobre o sentido dessa frase. Quando estamos felizes, queremos comemorar algo, a tendência é sair para algum lugar, para…comer! Não só para comer, mas para encontrar as pessoas, para ser servido!

E aqui, nestes anos, tenho feito de clientes, alguns amigos, que gostam de frequentar a casa. Posso observar hábitos das pessoas que gostam de ter essa alternativa em suas vidas.
E sobre isso, tenho feito algumas reflexões.

Uma delas, é sobre o papel do que chamo "papoterapia". Em meu livro, o Bola de Cristal, publiquei uma crônica com esse tema. Como é bom ter algum amigo ou amiga, com que conversar, jogar conversa fora, desabafar, contar seus problemas, ouvir opinião! Mesmo que não substitua a psicoterapia, quando ela se faz necessária, considero que um bom papo com amigos tem um efeito terapêutico. Pertencer a um grupo de amigos nos dá a certeza de que somos queridos, desinteressadamente. Observo as pessoas que vem frequentemente para tomar um café ou almoçar juntas. Às vezes, embora sem a intenção, começo a perceber que o papo está virando  "papoterapia", ou seja, estão falando sobre os problemas de uns ou de ambos. Ao sair, fica a sensação de alívio, bem mais barato que uma sessão de psicoterapia!

Há outros que vem sozinhos e acabam fazendo um vínculo com o atendente. Ser atendido pelo nome, saber que é alguem especial na casa, também os fazem se sentirem bem!

Mesmo quem vem sozinho sempre e fica "na sua", na internet ou lendo um livro, me faz feliz! Percebo que o Café, no fundo, também é um espaço de acolhimento, onde as pessoas se sentem bem!

Por muito anos, eu tinha o sonho de abrir uma "pousada terapêutica". Hoje vejo o quanto isso seria difícil. Mas por enquanto, fico feliz com o  Café, onde mais do que serviço de alimentação, posso acolher as pessoas!



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Postado por Dulcinéa Cassis no DULCINÉA CASSIS em 8/18/2014 07:49:00 PM
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