A crônica deste blog que é mais acessada e comentada é "Ninguém me ama" http://www.dulcineacassis.com/2007/09/ningum-me-ama.html, publicada em setembro de 2007.
Volta e meia alguém deixa um comentário, na maioria anônimo, falando um pouco como se sente em relação ao tema, e, muitas vezes, pedindo ajuda.
Fica difícil ajudar, sem saber todo o contexto, mas sempre que posso, escrevo um pouco mais sobre o assunto, levando o leitor a fazer algumas reflexões.
Hoje alguém escreveu: 'Costumo dizer o que penso e nem todo mundo aceita né? e quando vejo alguém agindo de forma que considero injusta,mentirosa,falsa eu não aguento e por mais que eu tente, solto alguma coisa que seja pra pessoa se tocar. Então algumas pessoas as vezes que me são até importantes se afastam e isso me causa mt sofrimento.".
Respondi como comentário, que aqui desenvolvo um pouco mais:
Em primeiro lugar, "nem Jesus Cristo agradou a todos". Seria impossível ser amada/o e querida/o por todas as pessoas, indiscriminadamente, sem agir com falsidade. As pessoas fazem as suas escolhas sociais, a partir de sua percepção da realidade própria e do outro.
Geralmente, nos aproximamos e escolhemos estar com as pessoas que possuem os mesmos valores e fatores culturais de identificação. As pessoas pensam e agem diferente umas das outras, mas não, necessariamente, precisam concordar em tudo para conviverem em harmonia.
Uma das fontes de dificuldades de relacionamento é gerada pelo desejo de que todos pensem e conduzam as suas vidas do que jeito que elas acham que seria melhor. Isso gera grandes conflitos. É preciso entender e aceitar que cada pessoa tem a liberdade e o direito de tomar suas próprias decisões, mesmo que sejam diferentes das decisões que você iria tomar. Isso se aplica nas escolhas de partidos políticos, religião, time de futebol e até nas decisões sobre que curso fazer, em que loja comprar, estilo de vida etc.
Vale a pena refletir sobre os motivos que nos levam a querer dar palpite na vida dos outros. Apesar de que muitas vezes, queremos dar a nossa opinião sobre a vida do outro, na melhor e mais nobres intenções, cabe lembrar que nem todo mundo está preparado para ouvir a nossa opinião, no momento que nós achamos que ela deveria ouvir. As pessoas nem sempre aprendem e mudam o seu comportamento porque o outro interfere. Às vezes é preciso que elas aprendam com a própria experiência.
E quem somos nós para saber o que é melhor para o outro? Para entender os motivos do outro? Melhor deixar cada qual seguir seu caminho, sem deixar de ama-los, quando nos são caros. Quando o outro quiser a sua opinião, se existe um vínculo de confiança, ele vai solicitar e, aí, sim, é hora de opinar, mas deixando a liberdade para que o outro faça a sua própria escolha.
Dar liberdade para o outro ser do jeito que é, é uma forma de amor!