I 15 - A importância das redes sociais nas revoluções no Oriente e Africa

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Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.

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May 20, 2011, 3:26:27 PM5/20/11
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Sexta-feira, 20 de maio de 2011.

 

Olá!

E-mail para contato: drsil...@sexodrogas.psc.br

 

Caros amigos, convido a ler e comentar o texto “O papel sócio-político das novas mídias nos movimentos de massa”, publicado no blog “Comportamento Crítico” www.doutorsilverio42.blogspot.com em 20/5/2011 (sexta-feira). Neste texto abordo a influência da Internet e das redes sociais (Orkut, Facebook, Twitter, etc.) nas revoluções e movimentos de massa ocorridos no inicio deste ano no Oriente, na África e também em Portugal (geração à rasca). Abaixo, link direto para o texto:

http://doutorsilverio42.blogspot.com/2011/05/o-papel-socio-politico-das-novas-midias.html

 

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O papel sócio-político das novas mídias nos movimentos de massa

Por: Silvério da Costa Oliveira.

Entendo ser interessante repensar a importância das mídias, em particular dentro dos novos procedimentos "on line" e os atuais movimentos sociais. Estamos na iminência de algo novo que irá romper com os atuais paradigmas vigentes e por isto mesmo fica difícil para esta geração identificar corretamente as dimensões dos fatos que agora estamos vivendo ou observando. As revoluções do Oriente e da África, bem como também em Portugal (geração à rasca; ps. no Brasil diríamos: enrascada ou em dificuldade), tiveram sem dúvida alguma presente em suas tramas sociais a importância do Twitter, do Facebook e de outras ferramentas digitais ou mais amplamente falando, da Internet. Penso que podemos comparar neste caso a Internet, enquanto instrumento presente em tais movimentos, aos canhões, também enquanto instrumentos, presentes na queda do Império Romano do Oriente ao derrubar os muros de Constantinopla.

 

 

Nos recentes protestos mundiais presenciados no começo de 2011 ficou claro e patente a importância das redes sociais visando articular e repercutir de modo eminentemente mais intenso e organizado os protestos ocorridos em uma dada região, para outras regiões. Claro também está que não foram às redes sociais as causadoras ou motivadoras de tais protestos, não foram elas sequer as sementes para o surgimento de um sentimento de revolta, pois, as condições sociais e políticas pré-existiam, como, por exemplo, em alguns destes países temos um profundo autoritarismo proveniente de autoridades que se perpetuam no governo há décadas, além da presença polêmica e constante dos interesses norte-americanos nestas regiões do planeta. Os governos eram sabidamente entendidos pelas populações de seus respectivos países como sendo ruins, coube as redes sociais unicamente servirem como catalisadoras da reação, permitindo que fatos ocorridos em um dado local fossem rapidamente levados a outro local, gerando um efeito cascata em prol de mudanças e sensibilizando a todos para a importância de movimentos a princípio isolados, no que estes tinham de potencial em termos de revolta e protesto legítimo.

(www.doutorsilverio42.blogspot.com e www.sexodrogas.psc.br)

Os fatos ocorridos nestes países, em particular no oriente médio, terão repercussão não somente em questões políticas, mas também em questões de segurança, fazendo com que os governos revejam seu planejamento diante das atuais e futuras redes sociais, tentando por um lado desarticular um possível movimento popular independente com base na proliferação de idéias por meio de tais redes, e por outro lado, proporcionando estratégias de controle e operacionalização de tais redes em benefício de políticas governamentais e da manipulação da população para que venha a acreditar e se comportar de acordo com os interesses dominantes, como de certo modo já é hoje feito nas mídias tradicionais, como, por exemplo, a tv e também a mídia impressa (jornais e revistas).

Hoje a Internet é o único campo realmente democrático e que permite a expressão genuína de todos para todos, o que a torna extremamente subversiva e perigosa aos olhos dos mais diversos governos tradicionais, o que irá gerar, ou melhor dizendo, já está gerando uma seqüência de tentativas governamentais, políticas e também por meio de agências de segurança, para prover novos procedimentos de rastreamento e controle de tudo o que se passa hoje na Internet e claro esta que todos os gestores de empresas que atuam na Internet provendo os mais distintos acessos estão sujeitos a pressões por parte dos governos visando a impor controle e castrar vozes anônimas de persistente oposição ou mero questionamento.

Uma grande vantagem dos meios disponíveis hoje pela Internet para articulação de um movimento social forte e independente de qualquer governo se dá diante da possibilidade que tais instrumentos proporcionam diante de uma rápida mobilização social com um custo financeiro extremamente baixo e a todos acessível, livre de burocracias e do peso político sindical por vezes desnecessário e contra-producente a um verdadeiro movimento de massas reivindicando direitos básicos. As novas redes sociais trazem consigo novos atores para a política internacional, que terá de se adaptar aos mesmos, tentando adestrá-los e extrair o seu potencial destrutivo e renovador.

As relações tradicionais presentes na estrutura governamental e nos sindicatos são verticais, onde existe uma linha de comando e poder que deve ser seguida, já nas novas mídias esta relação é horizontal, onde todos dialogam com todos, o que é extremamente revolucionário em si mesmo. Uma característica das relações tradicionais quando comparada às novas mídias é que a verticalização da linha de comando da primeira a torna mais lenta, enquanto a horizontalização do comando e do diálogo na segunda a torna eminentemente muito rápida e sem aparente controle. Diante do exposto, para enfrentar uma ação ou seqüências de ações efetuadas por grupos em dada rede social, somente estruturando outros grupos contrários aos primeiros e fazendo uso das mesmas redes sociais, pois, neste campo só se pode combater a informação emitida por uma rede, de dentro da própria rede social por meio dos mesmos instrumentos usados.

Falar que as novas mídias tendem a beneficiar mais a um determinado tipo de governo, seja este ditatorial ou democrático, carece de sentido, como também carece de sentido afirmar que os movimentos populares recentes nas quais as novas mídias tiveram um papel não pequeno representam a ponta do iceberg de uma estratégia de dominação mundial efetuada por grupos políticos, econômicos ou religiosos. Em verdade, tais movimentos são totalmente descentralizados e nisto se assemelham às mídias que utilizam, não podendo as mesmas ser monopolizadas por uma determinada ideologia (econômica, religiosa, política ou outra), podem, sim, serem usadas a favor de regimes ditatoriais, como também de regimes democráticos. O que de fato temos é um empoderamento de pessoas de posse do acesso rápido e barato a um número realmente muito grande de outras pessoas, o que se dá pelos mais distintos meios, dentre os quais o Orkut, muito comum aqui no Brasil, o Facebook, os blogs e sites, as mensagens instantâneas via MSN ou Twitter e diversos outros meios de divulgação existentes hoje na Internet mundial. Cabe aqui destacar que estes meios são diferentes se comparamos o Ocidente, com, por exemplo, a China ou o Japão ou a Coréia, onde os programas e sistemas reinantes são distintos e competem com marcas ocidentais tais como o Google, o Blogger e o Wordpress, dentre outras.

O aspecto catalisador que as novas mídias exercem no social proporciona uma maior rapidez e aceleração na velocidade de propagação de noticias e eventos, de modo que torna possível a concretização de fatos políticos que não teriam ocorrido sem esta rápida difusão descentralizada de uma mensagem. Não diria que as novas mídias são causa única de uma dada mudança sócio-cultural e política em determinado país, mas digo, sim, que sem elas as condições reinantes previamente existentes não teriam como sozinhas propiciar uma mudança dentro do tempo hábil necessário para sua concretização. Dito de outra forma, as novas mídias não podem ser responsabilizadas sozinhas como causa de uma revolução popular, mas sem a rápida difusão e a descentralização da informação por elas proporcionada, conjuntamente com o empoderamento do indivíduo, que passa a poder falar com todos, expondo suas idéias independente de quem este seja ou do cargo e posição social que ocupe, não teríamos, também, uma revolução neste momento histórico em particular.

 

Pergunta: Qual a sua opinião sobre a importância das mídias nos movimentos sociais de grande vulto?

 

Prof. Dr. Silvério da Costa Oliveira.

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Silvério da Costa Oliveira.

Escritor, Filósofo, Psicólogo.
Doutor (PhD) e Mestre em Psicologia.

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