Espetáculo premiado é selecionado para o Festival Nacional de Teatro de Barbacena em Minas Gerais e faz a primeira temporada do ano gratuitamente.
Confiram aqui o video promo do espetáculo: https://www.youtube.com/watch?v=UNX8S9xN0bY
O Primeiro Festival Nacional de Teatro de Barbacena/MG ocorrerá em Julho, ocupando importantes espaços públicos da cidade mineira, com edital lançado em fevereiro de 2015, contou com a inscrição de 49 grupos, dentre os quais a curadoria selecionou 18 para esta primeira edição entre eles o espetáculo "Projeto Bispo" do grupo O Coletivo de Santos.
A apresentação na cidade mineira é muito especial para o grupo, que trabalha com teatro performático e com a ressignificação de espaços, pois lá ficava o antigo Hospital Colônia de Barbacena, hoje Museu da Loucura, cujas histórias de abuso e torturas já relatadas em livros como o vencedor do Prêmio Jabuti 2014 "Holocausto Brasileiro - Vida, Genocídio e 60 Mil Mortes No Maior Hospício do Brasil" da jornalista Daniela Arbex e em documentários como "Em nome da razão" do cineasta Helvécio Ratton mais as situações semelhantes que aconteceram na Casa de Saúde Anchieta em Santos inspiraram a criação do espetáculo "Projeto Bispo.
O Grupo O Coletivo, retorna em duas temporada gratuitas do espetáculo, no Centro histórico de Santos em parceria com a Fundação Arquivo e Memória de Santos e da Prefeitura Municipal de Santos, através da Secretaria Municipal de Cultura em prol da Fundo Social de Solidariedade de Santos, pois a entrada será um lata de leite em pó ou um quilo de alimento não perecível revertido ao Fundo.
Durante a temporada o grupo realizará uma campanha para arrecadar fundos para ajudar os custos da viagem para Minas Gerais.
Sinopse:
"Tratados como bicho, comportam-se como um", espetáculo que traça um panorama que conduz a uma imersão na perspectiva do excluído e um mergulho no labirinto do artista. Onde o passado e o presente se fundem, assim como elementos da religião, do simbólico e questões sociais que se apresentam como um pano de fundo onde a realidade e a ficção se misturam.
O enredo utiliza a dicotomia loucura/liberdade, num sentido metafórico. A impermanência das coisas se estabelece como a própria estrutura dramatúrgica, em que os atores continuamente desconstroem uma realidade cênica para construir outra, criando uma atmosfera dual entre loucura e prisão, arte e liberdade de expressão.
O ponto de partida é a Praça Mauá, dali o público será encaminhado e convidado a percorrer um percurso onde os personagens em novas e diferentes situações irão ressignificar vários trechos e ruas do Centro santista até entrar na Casa de Frontaria Azulejada, onde acontece o 2º ato da peça.
Em cada rua, cada esquina, o espectador pode se deparar com personagens que estão todos os dias nas ruas e que muitas vezes passam desapercebidos por nossos olhares treinados a ignorar tudo o que não nos convém.
[INFORMAÇÕES ADICIONAIS E HISTÓRICO DO ESPETÁCULO]
"Desvio de percurso para a “Nau dos Insensatos” – um convite ao perder-se
Em 2015, convidados pelo Sesc Santos, realizamos a #Ocupação32 na unidade, que previa a ocupação de um dos espaços da unidade utilizados na recente edição do MIRADA para pesquisa do próximo espetáculo do Coletivo: “ZONA!”, que estreia na Zona Portuária de Santos no 2º semestre. Este projeto foi contemplado com o 4º FACULT – Fundo de Apoio a Projetos Independentes de Santos da Prefeitura Municipal, via Secretaria de Cultura.
Sobre o processo de criação:
O projeto, experimental por essência, foi concebido inicialmente como um processo de imersão na produção artística de Arthur Bispo do Rosário e de Stela do Patrocínio, mas ganhou dimensões maiores, transcendendo a proposta inicial. Estabelecendo organicamente uma viagem profunda na chamada “loucura”, em seus vários momentos históricos, nuances e tratamentos sociais. O próprio processo é per si bastante denso e revelador, por estabelecer um caminho de vivências, que reuniu atores, não-atores, pesquisadores, interessados em geral, e vários “loucos”, que durante 15 meses se entregaram ao estudo e ao processo, percorrendo caminhos, experimentado desvãos, vazios e medos, arriscando mergulhos e múltiplos questionamentos e inquietações, numa intensidade transformadora. O processo é a obra e não o seu resultado. Buscou-se durante o percurso, o encontro com os abismos dos incompreendidos, sejam artistas, poetas, profetas, sábios, encarcerados, desfigurados, desordenados - mas libertos dos grilhões e conformações sociais. Essa imersão evoca em vários momentos a chamada “Nau dos Insensatos”, transportando os tipos sociais que a sociedade excluiu, encarcerou, evitou, maltratou e não quis (ou não conseguiu) entender. Lembrando que a loucura está bem ao lado de todos nós, como uma sombra, relacionando as fraquezas, ilusões e sonhos, e representando um sutil relacionamento que o homem mantém consigo mesmo. É um tênue fio que separa lucidez e sombra. A loucura não diz respeito à verdade do mundo, mas sim ao homem e à verdade que ele distingue de si mesmo. Ela pode ser o refugio, a prisão, mas também a liberdade criativa. O que fazer com ela é que pode ser trágico e cruel e principalmente revelador dessas sombras. O percurso é um convite ao embarque em uma viagem simbólica em busca de histórias de seus destinos e verdades, de onde ninguém sairá indiferente."
A loucura das ruas é livre, assim como é livre o louco inserido no contexto urbano, ainda que prisioneiro de seus delírios e abandonado a própria sorte. O louco já foi o sábio de outrora, o que permeava universos desabitados e o excluído.
Abandonado ou encarcerado, o louco é a representação da liberdade, uma metáfora de que não é possível não se ajustar aos moldes da cultura, pois esse liberto será sempre rejeitado, “a alegoria da caverna de Platão” é muito reveladora desses contextos. No entanto, a loucura em cada época é compreendida como um espelhamento da forma como se lida com as diferenças e com os que seguem outras rotas, além das impostas pela cultura. Como diz Tom Zé: a tradição é composta por uma multiplicidade de medos. E analogamente a liberdade é composta da experimentação e do lançamento rumo ao desconhecido, aos desmoldes.
Esse percurso cênico, promove um encontro com Bispo do Rosário com Estela do Patrocínio e todo universo de abandonados que permeiam os centros de cidades, esquinas e ruas, portas de igrejas, marquises, bancos de jardins. Mesclando delírio, arquitetura e arte, A peça "Projeto Bispo” vai traçando um panorama que conduz a uma imersão na perspectiva do excluído e um mergulho no labirinto do artista. Onde o passado e o presente se fundem, assim como elementos da religião, do simbólico e questões sociais que se apresentam como um pano de fundo onde a realidade e a ficção se misturam. O enredo utiliza a dicotomia loucura/liberdade, num sentido metafórico. A impermanência das coisas se estabelece como a própria estrutura dramatúrgica, em que os atores continuamente desconstroem uma realidade cênica para construir outra, criando uma atmosfera dual entre loucura e prisão, arte e liberdade de expressão. O Manto da Apresentação, com seus símbolos e vai se desvelando em tramas e ritos e apresentando suas tramas de desenganos, auto-enganos e mascaramentos sociais. A peça é um convite ao abismo que todos carregam e que apenas alguns estartam.
Serviço:
PROJETO BISPO- Tratados como bicho, comportam-se como um
Quando: Todas as segundas-feiras de Junho e Julho,
Horário: 20hs com inicio e saída da Praça Mauá.
Ingresso: Uma lata de leite em pó ou um quilo de alimento não perecível que serão revertidos para o Fundo de Solidariedade de Santos.
Lotação: 50 pessoas por sessão ( dentro da Frontaria) o trajeto pelas ruas é livre.
Em anexo, fotos em alta.
Ficha Técnica
Atores Criadores
Junior Brassalotti
Juliana Sucila
Renata Carvalho
Rafael de Souza
Wendell Medeiros
Malvina Costa
Sérgio Bratz
Zécarlos Gomes
Direção:
Kadu Veríssimo
Classificação etária: 18 anos.
Apoio:
Fundação Arquivo e Memória de Santos - FAM
Vila do Teatro
Prefeitura Municipal de Santos
Secretaria de Cultura de Santos
Casa 3 de Artes
Olhar Caiçara
Revista Sanatório Geral
Fórum do Audiovisual Santista
Junior Brassalotti