
Professor Antônio Álvares da Silva – Desembargador aposentado
ADEUS A ALICE
Perdemos Alice. Colega, amiga, parceira intelectual. Formou uma geração
de discípulos e juristas. Personificava uma das colunas da chamada
“Escola Mineira de Direito do Trabalho”. Como o Prof. Washington Albino,
ela não foi apenas uma jurista, foi uma escola e um exemplo.
No trato era inexcedível. Vibrava com as teorias quentes de vida que
tornam o Direito do Trabalho não só uma página dos códigos, mas um
episódio da realidade. Seu Curso de Direito do Trabalho era tudo isto:
ciência, vida, correção e doutrina. Lê-lo e citar as ideias ali
compendiadas é uma das alegrias de minha vida intelectual.
Na Faculdade de Direito, era conhecida pela pontualidade, correção e
brilhantismo nas aulas. Era uma professora nata: amava os alunos e tinha
deles o amor recíproco. Muitos vinham de outras faculdades para
assistir a suas aulas. Alguns colegas do interior deixavam por algum
tipo suas atividades docentes para aprenderem com ela um Direito do
Trabalho vivo, dinâmico próximo da realidade sem perder a dignidade da
teoria.
Na magistratura, primava pela correção e sabedoria de suas sentenças. De
honestidade intocável, era um exemplo neste mundo de corrupção e
desacertos em que se transformou nosso país.
A doença que lhe tirou a vida foi insidiosa e cruel. Provocou-lhe um
sofrimento que não merecia, incompatível com sua bondade. Visitei-a com
frequência nos últimos dias. Por telefone e por presença. Já não falava
mais. Articulava apenas algumas palavras, para certas pessoas que talvez
reconhecesse num momento raro de lucidez. Era difícil compreender
aquela cena que a ciência com sua técnica e os amigos com seu carinho
não podiam debelar ou evitar.
Na última vez por telefone, ainda na semana passada, fui informado da
piora do quadro, o uso permanente de oxigênio e a debilitação geral que
agora chega ao fim.
O ser humano é incompleto. Foi feito por células já programadas para o
morte. Neste ponto, somos todos iguais. Mas Alice era diferente. Nos
limites da imperfeição era perfeita. Soube conciliar como poucos a
prática do tribunal com a lição das aulas. E tudo isto emoldurado numa
permanente bondade e grandeza de coração. Foi juíza e professora tão
distinguida que se torna difícil saber em qual dessas atividades mais se
distinguiu.
O consolo que temos é que a morte, que a tudo destrói, não destruirá
Alice. Era ficará entre nós eternamente pelo que fez. Será exemplo,
distinção e reverência por todos os seus colegas, alunos e servidores da
nossa Justiça.
Lembro-me das palavras históricas de Sócrates aos juízes que o
condenaram à morte: “Podeis ficar esperançados ante a perspectiva da
morte e firmar no espírito a certeza de que, para o homem de bem, nenhum
mal pode acontecer nem na vida nem na morte e que os deuses não se
descuidam de seu destino”.
Os deuses cuidarão do destino de Alice na outra vida, da qual nada
conhecemos. E aqui faremos também a nossa parte, vivendo seu exemplo
legado e guardando para sempre sua memória em nossos corações.
Professor Márcio Túlio Viana – Desembargador aposentado
Um a um, preguiçosamente, os dias vão se passar, outono e depois
inverno, primavera e depois verão, manhãs de chuva e sol quente, tardes
de vento ou de frio, mas a nossa Alice estará ali, nas páginas de seus
livros, nas saudades de seus alunos, nas pequenas e tantas memórias de
todos nós que a conhecemos, amamos e admiramos.
Juíza Ângela Castilho Rogedo Ribeiro – Vice-Presidente da Amatra3 na gestão 2011/2013.
Desde que conheci a Professora Alice Monteiro de Barros, quando
ainda era estudante na Faculdade de Direito da UFMG, tive a certeza de
que queria ser Juíza do Trabalho. A Professora Alice inspirou-me, como
fez com muitas outras alunas ao longo de décadas. Tive também a honra de
ser sua assistente e assim pude testemunhar sua intensa dedicação ao
magistério e ao Tribunal, sua capacidade de trabalho, seu compromisso
com a ética e a verdade. Equilibrada no decidir. Incansável estudiosa do
Direito do Trabalho. Ela também foi forte na luta pela vida. Foi brava.
Guerreira! Parte Alice Monteiro de Barros, deixando um extenso grupo de
admiradores: ex-alunos, colegas de trabalho, advogados, juristas. Vai
com Deus! Descanse em paz!