O homem que amava os cachorros - O chão da casa de Trotski era vermelho-

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Grijalbo Fernandes Coutinho

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Feb 22, 2014, 3:43:28 AM2/22/14
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O chão da casa de Trotski era vermelho

(Jardim do Museu Casa de Leon Trotski em Coyoacan)

“Stalin matou nossa velha revolução vermelha para sempre”, escreveu Allen Ginsberg em seu poema Capitol Air. As palavras do poeta beat ressoavam em minha cabeça enquanto eu percorria o Museu Casa de Leon Trotski, em Coyoacan, na Cidade do México. Acho que é um dos museus mais tristes do mundo. Estão depositadas naquele jardim as cinzas do revolucionário russo, assim como as de sua companheira Natália Sedova. É como se o lugar fosse a tumba do sonho comunista. Como se tivesse uma placa invisível pairando sobre a cabeça do visitante: “aqui jaz o comunismo”.

O escritor cubano Leonardo Padura, autor do romance O Homem Que Amava os Cachorros, sobre a vida (e a morte) de Leon Trotski, já havia me contado da emoção que sentira ao entrar naquela casa, muitos anos antes de pensar em escrever o livro. Ali, em agosto de 1940, o catalão Ramón Mercader desferiu o golpe de picareta na cabeça que mataria o segundo do triunvirato que comandou a Revolução Russa em 1917. Lenin estava morto desde 1924. Agora, só sobraria Josef Stalin, a quem Trotski apelidara “o coveiro da revolução”.

No museu ficamos sabendo que Stalin não só perseguiu Trotski até o México como dizimou quase toda a sua descendência: só sobraram dois netos. A tristeza que paira sobre a casa é ainda maior porque normalmente quem a visita o faz depois de ir à Casa Azul, o museu de Frida Kahlo, a poucas quadras dali. A casa de Frida, onde Trotski morou um tempo quando chegou ao México, é colorida, alegre, cheia de vida. A casa de Trotski é escura, acinzentada, com muros altos, protegida por guaritas de vigilância.

Também é um museu acanhado para a estatura de Leon Trotski, como personagem histórico e intelectual. As fotos parecem xerocadas, tudo dá a impressão de ser meio improvisado. Mas as imagens mostram um homem bastante sorridente, relaxado, em paz. Trotski aparenta estar feliz em terras mexicanas. Sente-se livre, talvez? Faz excursões com seus jovens aprendizes, recolhe cactos na natureza para plantar no jardim. Bonito jardim.

A casa onde Leon e Natália viveram permanece intacta. O tempo lá dentro está em suspensão. O chão da casa de Trotski é vermelho, sobre a cama dele há um chapéu e uma bengala. No armário, seu pijamas favorito, algumas roupas e os sapatos de Natália. Que pezinhos pequeninos. No escritório de Trotski, um caderno de anotações aberto. A porta de saída é mínima e blindada. As janelas são tapadas até a metade.

Sinto o peso do mundo sobre meus ombros, penso sobre a capacidade humana de estragar ideias extraordinárias, a possibilidade de um mundo novo, por causa da inveja, do desejo de poder, da vaidade. Na saída, no jardim da casa de Leon Trotski, encontro um beija-flor morto sobre um copo-de-leite.


http://www.museofridakahlo.org.mx/



O homem que amava os cachorros

Leonardo Padura

R$ 69,00

Esta premiadíssima e audaciosa obra do cubano Leonardo Padura, traduzida para vários países (como Espanha, Cuba, Argentina, Portugal, França, Inglaterra e Alemanha), é e não é uma ficção. A história é narrada, no ano de 2004, pelo personagem Iván, um aspirante a escritor que atua como veterinário em Havana e, a partir de um encontro enigmático com um homem que passeava com seus cães, retoma os últimos anos da vida do revolucionário russo Leon Trotski, seu assassinato e a história de seu algoz, o catalão Ramón Mercader, voluntário das Brigadas Internacionais da Guerra Civil Espanhola e encarregado de executá-lo.

Esse ser obscuro, que Iván passa a denominar “o homem que amava os cachorros”, confia a ele histórias sobre Mercader, um amigo bastante próximo, de quem conhece detalhes íntimos. Diante das descobertas, o narrador reconstrói a trajetória de Liev Davidovitch Bronstein, mais conhecido como Trotski, teórico russo e comandante do Exército Vermelho durante a Revolução de Outubro, exilado por Joseph Stalin após este assumir o controle do Partido Comunista e da URSS, e a de Ramón Mercader, o homem que empunhou a picareta que o matou, um personagem sem voz na história e que recebeu, como militante comunista, uma única tarefa: eliminar Trotski. São descritas sua adesão ao Partido Comunista espanhol, o treinamento em Moscou, a mudança de identidade e os artifícios para ser aceito na intimidade do líder soviético, numa série de revelações que preenchem uma história pouco conhecida e coberta, ao longo dos anos, por inúmeras mistificações.

As duas trajetórias ganham sentido pleno quando Iván projeta sobre elas sua própria experiência na Cuba moderna, seu desenvolvimento intelectual e seu relacionamento com “o homem que amava os cachorros”. A narrativa das histórias entrelaçadas dá o ritmo a uma leitura tensa, influenciada pela experiência de Padura na literatura policial, sob a sombra do final trágico que se aproxima a cada página. “Mesmo para quem não se interessa pelos fatos históricos subjacentes à narrativa de Padura, seu romance impele o leitor a uma tensão permanente em torno dos preparativos para a realização de um crime de repercussões mundiais”, afirma Frei Betto na orelha do livro.

Ao narrar um dos crimes mais reveladores do século, Padura realiza uma ambiciosa e fascinante investigação sobre as contradições das utopias libertárias que moveram o século XX. Três processos mitológicos – a Revolução Espanhola, a Revolução Russa e a Revolução Cubana – são vistos com lupa neste romance, que combina perfeitamente o rigor histórico com o talento ficcional. O autor retrata os conflitos no stalinismo e a luta entre o socialismo e o fascismo, apresentando ainda uma perspectiva honesta da vida cubana nas últimas três décadas. “Este romance é como um espelho retrovisor que permite ao leitor mirar, com olhos críticos, as contradições do socialismo e por que a morte de Trotski, decidida por Joseph Stalin, contribuiu para favorecer a queda do Muro de Berlim e o desaparecimento da União Soviética”, conclui Frei Betto.

Trecho do livro

“– Sim, diga-lhe que sim. Ramón Mercader recordaria pelo resto de seus dias ter descoberto a densidade doentia que acompanha o silêncio no meio da guerra segundos antes de pronunciar as palavras destinadas a mudar sua existência. O estrépito das bombas, dos tiros e dos motores, as ordens gritadas e os uivos de dor entre os quais tinha vivido durante semanas tinham se acumulado em sua consciência como os sons da vida, e a súbita queda daquele mutismo espesso, capaz de provocar um desamparo muito parecido com o medo, transformou-se numa presença inquietante quando compreendeu que, atrás daquele silêncio precário, podia esconder-se a explosão da morte. Nos anos de prisão, dúvidas e marginalização a que o conduziram aquelas cinco palavras, Ramón se dedicaria muitas vezes ao desafio de imaginar o que teria acontecido com sua vida se tivesse dito que não. Insistia em recriar uma existência paralela, um trajeto essencialmente romanesco no qual nunca deixara de se chamar Ramón, de ser Ramón, de agir como Ramón, talvez longe de sua terra e suas lembranças, como tantos homens de sua geração, mas sendo sempre Ramón Mercader del Río, de corpo e, sobretudo, alma.”

Crítica intenacional

“Leonardo Padura confirma seu status como o melhor escritor de ficção-policial em língua espanhola, um digno sucessor a Manuel Vázquez Montalbán.”
– The Times

"Um exelente romance, rico em sugestões sobre a condição humana e sobre nosso mundo que vão além da estória narrativa direta."
– El Mundo

"Melhor romance histórico do ano. O assassinato de Trotski com uma picareta como o ponto de partida de um dos melhores romans noirs sobre o século XX."
– Lire

"Uma narrativa de tirar o fôlego, uma obra prima"
– Le Figaro

“Um grande romance habilmente construído sobre uma rigorosa base histórica.”
– Livres-Hebdo

“Um romance magnífico, o mais poderoso desse autor. É crítico, sem recorrer a fanatismos, e tem uma grande densidade humana e um intenso dinamismo narrativo.”
– La Vanguardia

“Um romance que exala a experiência narrativa dos bons contadores de histórias.”
– El Correo Español


Os homens que amavam a revolução | Debate de lançamento de 'O homem que amava os cachorros', de Leonardo Padura

09.12.2013

Livraria Cultura do Conjunto Nacional | Teatro Eva Herz

A Boitempo lança em dezembro o premiado “thriller histórico” O homem que amava os cachorros, do romancista cubano Leonardo Padura. Na segunda-feira, dia 09/12, a editora realiza um debate de lançamento do livro, às 19h30, no Teatro Eva Herz da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo. Participarão do bate papo Frei Betto (que assina a orelha do livro), Gilberto Maringoni (posfácio), os historiadores Osvaldo Coggiola e Valério Arcary e o jornalista Breno Altman. O evento é gratuito e não requer inscrição, basta comparecer.

A história do livro gira em torno de três eixos, um deles é Iván, um cubano aspirante a escritor que, a partir de um encontro enigmático com um homem que passeava com seus cães, retoma os últimos anos da vida do revolucionário russo Leon Trotski, seu assassinato e a história pouco conhecida de seu algoz, o militante comunista catalão Ramón Mercader. Ao narrar um dos crimes mais reveladores do século, Padura realiza uma ambiciosa e fascinante investigação sobre as contradições das utopias que moveram o século XX. Três processos mitológicos – a Revolução Espanhola, a Revolução Russa e a Revolução Cubana – são vistos com lupa neste romance, que combina perfeitamente o rigor histórico com o talento ficcional. Uma história de amor, de loucura e de morte, que apresenta ainda uma perspectiva honesta da vida cubana nas últimas três décadas, refletindo sobre as dificuldades econômicas, as questões de comportamento, êxitos e insuficiências de uma revolução tropical

Confira a página oficial do evento no Facebook.

***

Assista a íntegra do debate abaixo:




Leonardo Padura: “Trotski era um político, Stalin era um psicopata”

(O cubano Leonardo Padura. Foto: Ivan Gimenez/Tusquets)

Da última vez que eu falei com o escritor Leonardo Padura ele ainda se chamava Leonardo Padura Fuentes e tinha acabado de ficcionalizar a passagem de Ernest Hemingway por sua terra, Cuba. Isso foi em 2001, quando lançou no Brasil o livro Adeus, Hemingway, em que coloca o autor norte-americano como suspeito de assassinato. Padura deixou de usar o Fuentes por causa das confusões com o seu sobrenome em países de língua inglesa –ora o chamavam de Padura, ora de Fuentes… Preferiu padronizar usando um só, o do pai, que nos países hispânicos é o do meio.

Daquela entrevista para esta, que fiz novamente pelo telefone, a diferença é que, agora, Padura parece um pouco mais à vontade para falar de política interna cubana. Na primeira, só falamos do livro (assinantes da Folha podem ler aqui). Agora, o escritor de 58 anos, que vive em Havana, se posicionou abertamente sobre a necessidade de mais abertura ao diálogo com divergentes na ilha governada pelos Castro. E falou também de Leon Trotski, protagonista de seu livro de 2009 lançado entre nós este mês: O Homem Que Amava os Cachorros (Boitempo).

O mais impressionante para mim ao conversar com o escritor foi descobrir que era proibido falar de Trotski em Cuba e que se sabia pouquíssimo sobre ele, na verdade, até a publicação do livro. Segredo igual rondava Ramón Mercader, o assassino do líder soviético, que chegou a ser acolhido lá por Fidel Castro em 1960, após cumprir 20 anos de pena no México. No livro de Padura, Mercader é o algoz mas também a vítima de um período duro da história e da esquerda. O livro não foi proibido em Cuba, ao contrário: foi reconhecido pelos leitores da ilha e recebeu o Prêmio Nacional de Literatura no ano passado.

Socialista Morena– Como foi possível que os cubanos até recentemente não soubessem nada de Trotski?

Leonardo Padura – Não se sabia praticamente nada porque se aplicou aqui a mesma política da União Soviética. Havia uma aliança tão estreita que não podia ser diferente. Trotski era o inimigo inominável. Não se publicavam obras dele nem sobre ele, ninguém sabia quem era realmente. Só há poucos anos, quando, em algumas feiras literárias, a editora norte-americana Pathfinder, que é trotskista, trouxe alguns livros dele, e uma editora argentina trouxe sua biografia, é que a informação passou a circular mais. Mas foi com o meu romance que os cubanos o conheceram.

SM – Seu próprio interesse por Trotski começou como?

LP – Na época da universidade ouvi falar algo, mas não se mencionava ele nas aulas. Esse fato aumentou ainda mais minha curiosidade a respeito de Trotski, e, em 1989, na primeira vez que fui ao México, conheci a casa dele em Coyoacán. Fiquei muito emocionado. Era um lugar escuro, sombrio… Claro que nem imaginava que um dia iria escrever um livro a seu respeito. Uns anos depois dessa visita, soube que Mercader viveu em Cuba, mas ninguém tampouco falava disso. Em 2005, 2006, quando decidi escrever o romance, procurei alguém que sabia que o conhecera pessoalmente e a resposta que recebi foi um rotundo “não”.

SM – O que há de ficção e realidade na trama?

LP – Há muito dos dois. A vida de Trotski está toda biografada, cada minuto de sua vida, então tem muito de investigação histórica nas cenas narradas. Com Mercader é diferente porque se conhece muito pouco da vida dele. Sua vida é uma mentira, uma criação dos órgãos de inteligência soviéticos. O terceiro protagonista, o cubano que conduz a narrativa, também está documentado. Tudo que acontece com ele aconteceu com pessoas da minha geração.

SM – Se deixa notar no livro que você sente simpatia por Trotski…

LP – Creio que existe uma simpatia natural pelos derrotados, pelos que perderam. Além disso, como Trotski tem a figura de Stalin como antagonista, ele se torna um dos personagens mais simpáticos do mundo… Stalin é monstruoso. Trotski manteve sempre esse pensamento utópico de que a revolução era possível.

SM – Me parece uma pena que os cubanos não tenham conhecido o outro lado dessa história.

LP – Sim, é um personagem que talvez pudesse dar aos cubanos uma alternativa de pensamento socialista.

SM – Há quem ache que não faria diferença se fosse Trotski o vencedor diante de Stalin. Você concorda?

LP – Essa seria uma especulação histórica e a história se analisa com o que ocorreu, não com o que poderia ter ocorrido. Trotski talvez pudesse fazer a mesma política, mas talvez não achasse necessário matar 20 milhões de pessoas para isso. Trotski era um político, Stalin era um psicopata. Trotski poderia ser duro, reprimir, mas não de uma maneira doentia.

SM – Você se incomoda de falar sobre a política em seu país?

LP – Eu sempre prefiro falar de literatura, mas no caso de Cuba é inevitável. É um país onde existe um governo e um partido que são a mesma coisa e onde todas as decisões são políticas, então é impossível não falar.

SM – Há mais liberdade hoje em Cuba?

LP – Há mais do que há alguns anos. Há alguns anos eu não poderia ter publicado este livro, por exemplo. O que não quer dizer que haja absoluta liberdade de expressão, continua existindo censura. Em nível econômico houve muitas mudanças importantes, imprescindíveis. Chegamos a um ponto de imobilismo e crise insustentáveis. Se está movimentando economicamente o país. Mas as mudanças têm que ser mais profundas. Tem de haver mais abertura comercial, mais convênios com investidores estrangeiros, porque o país não tem capital para se modernizar. Tem que ter também mais espaço para a crítica, um diálogo crítico mais aberto para que se possa encontrar soluções, chegar ao consenso.

SM – O caminho está aberto?

LP – Está demarcado, mas a entrada é muito estreita… O modelo está mudando, mas tem que mudar muito mais para que as pessoas que pensam diferente também tenham direito à opinião.

Publicado em 22 de dezembro de 2013








LIBROS RECOMENDADOS

La historia central de esta novela recrea los preparativos y el asesinato en México de Trotsky a manos del español Ramón Mercader, como final de una oscura trama urdida por Stalin. La novela comienza en el 2004, cuando Iván, aspirante a escritor y veterinario de segunda en La Habana, reconstruye la historia que le había contado en 1977 un enigmático hombre que paseaba por la playa a dos galgos rusos y que le confiesa detalles de la vida de Mercader, también conocido como Jacques Monard.


LA REVOLUCIÓN Y LA GUERRA DE ESPAÑA de Pierre Broué y Emile Témine"La revolución y la guerra de España" de Pierre Broué y Emile Témine, conocido como el "broué-témine" es junto a los trabajos de Trotsky, Morrow, Casanova, Munis o Bolloten uno de los clásicos fundamentales que no puede faltar en la biblioteca revolucionaria de la guerra civil

HISTORIA DE LA REVOLUCIÓN RUSA de León TrotskyLa "Historia de la revolución rusa" de León Trotsky está considerada el trabajo más serio y riguroso jamás escrito sobre este evento que cambió la historia de la humanidad.

LOS CUATRO PRIMEROS CONGRESOS DE LA INTERNACIONAL COMUNISTALas tesis, resoluciones y manifiestos de los primeros cuatro congresos de la III Internacional, la Internacional Comunista, constituyen uno de los más importantes legados de conocimiento revolucionario de la historia.

REVOLUCIÓN Y CONTRARREVOLUCIÓN EN ESPAÑA de Felix Morrow"Revolución y contrarrevolución en España" es una de las mejores obras sobre la guerra civil española. Escrita por un marxista norteamericano, Felix Morrow, que vivió los acontecimientos descritos, el libro caracteriza a la perfección las diferentes opciones en el campo republicano así como los principales eventos políticos y militares.

OBRAS ESCOGIDAS DE ROSA LUXEMBURGOLos textos más importantes de la revolucionaria marxista polaca, Rosa Luxemburgo que luchó contra el reformismo y la guerra y fundó el Partido Comunista.

HISTORIA OCULTA DEL SIONISMO de Ralph Schoenman"Historia Oculta del Sionismo" nos presenta con un relato detallado y documentado la verdadera historia de la ocupación de Palestina y el papel que jugó el sionismo.

JALONES DE DERROTA, PROMESAS DE VICTORIA de G. Munis"Jalones de derrota, promesa de victoria" es una de las obras culminantes del marxismo elaborado en el Estado español y una fuente inagotable de teoría y praxis revolucionaria.

STALIN de León TrotskyLa biografía inconclusa de Stalin que León Trotsky escribió en vida del dictador y que le costó la vida al compañero de Lenin. "Stalin no es un pensador, ni un escritor, ni un orador. Tomó posesión del Poder, no valiéndose de sus cualidades personales, sino con ayuda de una máquina impersonal. Y no fue él quien creó la máquina, sino la máquina quien lo creó a él"

LOS PROCESOS DE MOSCÚ de Pierre Broué"Stalin sabía que era más fácil matar hombres que ideas, pero también que había que matar a muchos hombres para asesinar una sola idea. No escatimaba en las listas de ejecución que firmaba. Pero él era más sanguinario aun para golpear a los hombres a los que era incapaz de dominar en una discusión" Pierre Broué

LA HISTORIA DEL TROTSKISMO AMERICANO de James P. Cannon"La historia del trotskismo americano" es un libro lleno de enseñanzas sobre la construcción de las fuerzas del marxismo en un período de dificultades. Enfrentados al sistema en el mayor coloso del imperialismo, EE.UU., y combatidos por el estalinismo, los trotskistas norteamericanos supieron encontrar un camino hacia las masas de la clase obrera y llevar las verdaderas ideas del marxismo revolucionario"

EL AÑO I DE LA REVOLUCIÓN RUSA de Víctor SergeEscrito entre 1925 y 1928, describe los acontecimientos y procesos principales que tuvieron lugar en Rusia durante los doce primeros meses que siguieron al triunfo bolchevique. La interpretación y análisis, así como el reconocido talento de escritor y narrador de Victor Serge, convierten a esta obra en uno de los frescos históricos más bellos de la epopeya del siglo xx



Presentación del poeta sirio Mohamad Alaeedin Abdul Moula, en el Museo León Trotsky...


El poeta Mohamad Alaaedin Abdul Moula, durante la presentación de su libro "Muertos de mi corazón" el 13 de febrero pasado, en el auditorio del Museo León Trotsky, en Coyoacán.  



Jueves 13 de febrero de 2014, Museo León Trotsky, Coyoacán.


El pasado jueves 13 de febrero, se presentó en el auditorio del Museo León Trotsky en Coyoacán, al sur de la ciudad de México, el multipremiado poeta de origen árabe, Mohamad Alaaedin Abdul Moula, quien nació en la ciudad de Homs, en Siria, hace 49 años y se encuentra radicando en México desde hace tres, cuando llegó a principio del año de 2011, como becario de la Casa Refugio Citlaltepétl, fundada en 1998, y que ha funcionado desde entonces como un importante centro cultural y casa de refugio para escritores perseguidos por su pensamiento en sus países de origen.
Mohamad Alaaedin Abdul Moula, quien se ha distinguido por ser un duro crítico del régimen político que gobierna en Siria, su país natal, y quien es actualmente uno de los referentes más importantes a nivel mundial de la poesía y la literatura en el mundo árabe,  se hizo escuchar el pasado jueves 13 de febrero ante un auditorio de 28 personas, que asistieron a la presentación de su libro "Muertos de mi corazón", el cuarto que escribe durante su estancia en México. Mohamad es un hombre sencillo, educado y culto, habla árabe levantino o shamí, que es el dialecto correspondiente a la región en que nació y habla el árabe clásico, cosa ya poco común en estos tiempos. Es un hombre de estatura media, delgado y taciturno, que habla poco, pero escribe mucho -como el mismo dice- y que no ha podido aprender casi nada de español en los tres años que lleva viviendo en este país. Se comunica a través de un amigo, Ernesto Cisneros, profesor de árabe del CELE de la UNAM, quien funge como su traductor y acompañante en sus aventuras recorriendo la ciudad y algunos pocos sitios de México que ha podido conocer.  Para comenzar su presentación, Alaaedin pide a su amigo Ernesto, que lea un discurso que escribió  la noche anterior. En su texto Moahamad habla de su llegada a un país de ensueño, a un lugar que no ose imaginó nunca. Explica brevemente los motivos de su llegada a México -vengo, no huyendo, si no saliendo por propia voluntad,  de un mundo sin libertades, sin conciencia de la importancia que la libertad tiene para el espíritu humano y que esto en Siria, bajo el régimen de Bashar Al-Assad no se respeta, por eso salí de mi país, por que era cuestión de tiempo para que me arrebatarán mi libertad por pensar diferente, pero sobre todo por alzar mi voz y hacerla escuchar- dice - y tuve que dejar tras de mi todo lo que tenía, mis hijos, mi familia y mis amigos, dos de mis hermanos fueron muertos por ese régimen- dice,  y luego comienza a hablar de México, de su experiencia en este país y de sus apreciaciones sobre nuestra cultura. -México es un país culturalmente muy vasto, tiene de todo, es impresionante, pese a su pobreza y a estar sometido a un régimen que no logra sacar adelante al país, lo cual lo hace muy parecido a Siria, la gente no se vence, si no todo lo contrario, vive su vida como si fuese una fiesta, hay música y canciones por todos lados... A mi me gusta mucho como la gente baila en las calles como en el centro, en la Alameda o en la Ciudadela, o como todo el tiempo cantan, por eso a veces digo, dale a tres mexicanos una guitarra, un pandero y un violín y tendrás una gran fiesta...
Pero de todo esto, lo que más le gusta de nuestro país, y lo dice sin dudarlo, es la libertad.

Luego comienza la lectura, acompañado del arquitecto, escritor, guionista, actor y poeta,  Oscar Manuel Quezada, quien dará lectura en español a los poemas que Alaaedin leerá en árabe.

La selección de poemas leídos, demuestra lo grande del poeta, la profundidad de su pensamiento, el conocimiento de su cultura y del espíritu humano, la fuerza de sus versos y la construcción de sus textos son de un estilo muy propio de su origen árabe, y después de cada poema se devela cada vez más,  la calidad literaria y la altura de este hombre como poeta.
Sus versos dejan entrever el sufrimiento y el dolor por la cerrazón,  la necedad y el fanatismo religioso, de un mundo cuya intolerancia cae, desde hace siglos como una pesada y filosa guillotina sobre el cuello de su gente.   Sin caer en lugares comunes, si no todo lo contrario, creando poderosas imágenes a través de magistrales metáforas nos lleva por senderos que se bifurcan entre  la guerra y la paz, pero ambas sin libertad y por lo tanto sin un verdadero valor, por que como lo dice el poeta en alguno de sus versos - la guerra y la paz sin libertad, son una misma cosa, son una esclavitud del alma, del cuerpo, del corazón...-. Y así se pasa la siguiente media hora, entre los versos que pronunciados en árabe atraviesan la sala, saliendo de la garganta del poeta, de su estómago, de su hígado y de su corazón, a través de sus boca, entre un marco de poderosos ademanes de sus brazos y manos, que nos dicen muchas cosas, con ocultos significados, como jeroglífos de aire, en un  dialecto de ángeles, de sonidos inexpugnables, hasta que la voz en español que surge  a través de la garganta de Oscar,  los descifra en audibles tonos que fácilmente distinguen nuestros oídos y se asientan, como suelen hacerlo los versos de los buenos poemas, en nuestros corazones.  Este libro de muertos y de corazones, es un cúmulo de oraciones silenciosas, un cascada de lamentos y de afirmaciones, sin catastrofismos, vacío de vagas remembranzas y lleno, inmensamente lleno  de nostalgia.

Cuando pienso en un hombre, en un poeta, en un filosofo, que es también un hijo, un hermano y un padre, un conciudadano, un poblador de su tierra y un ser humano que es capaz de sentir el dolor de otros como si del suyo propio se tratara,  pienso en lo difícil que debe ser  decirlo y más aún poéticamente,  y pienso en lo difícil que es no llorar tras cada palabra, tras cada recuerdo traducido en verso, tras cada  manifiesto vuelto metáfora, tras cada día de una vida tan rica de palabras y pensamientos, tan poblada de ideas, tan llena de versos y tan vacía de libertad.

Luego me regreso a las propias palabras del poeta, que dice que México es grande por la alegría de vivir que puebla los corazones de su gente (soy uno de ellos, de esos pobladores con corazón lleno de vida, según el poeta) y que se hace sentir en la música y el baile que están en todo momento presentes en la cotidianidad de los mexicanos y que esto es posible gracias a una única cosa, la libertad.

No puedo menos que estar de acuerdo con Alaaedin, pues ese es el legado más importante de México para sus hijos adoptivos, los miles y miles de inmigrantes que llegaron en calidad de refugiados, perseguidos políticos, asilados, migrantes por razones económicas, desplazados y demás, que pudieron ser lo que quisieron ser,  vivir, formar familia, crecer y morir contribuyendo en cada momento de sus vidas con sus acciones a que México fuese cada vez un mejor país.

Un ejemplo, es  "Muertos de mi corazón", un libro de versos contra la opresión en Siria, que fue posible escribir desde libertad que México le ofreció a Mohamad,  el poeta.


                  Miguel Mouriño Fajardo.





Mohamad Alaaedin Abdul Moula y Oscar Manuel Quezada, el jueves 13 de febrero durante la presentación del libro "Muertos de mi corazón", en el auditorio del Museo León Trotsky, en Coyoacán

   
Fotografías: Miguel Mouriño/Instituto del Derecho d eAsilo-Museo Casa de León Trotsky, A.C.  2014. Coyoacán. 

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Encontros surpreendentes: Allen Ginsberg & The Clash

(Allen Ginsberg, Joe Strummer e Mick Jones do Clash. Foto: Hank O’Neal)

É o tipo de coisa que renova minha fé na sincronicidade: estava eu lendo a deliciosa graphic novel Os Beats, biografia dos beatniks com roteiro de Harvey Pekar, quando me deparei com uma informação que tem tudo a ver com esse blog. Sendo tão fã do Clash quanto da geração beat, achei incrível nunca ter sabido que o poeta Allen Ginsberg (1926-1997) fez alguns trabalhos junto com a banda. Ginsberg contou que estava ouvindo muito punk rock na época e acabou sendo apresentado a Joe Strummer (1952-2002), o líder do Clash, de quem se tornou amigo.

Comunista de pai e mãe, admirador de Che Guevara, a quem dedicou um poema, o poeta beat bem que tentou pertencer a algum tipo de regime de esquerda, que foi conhecer in loco, tanto na América Central quanto no Leste europeu. Acabou sendo expulso de Cuba e da antiga Tchecoslováquia porque era um libertário avant la lettre: homossexual (teve um companheiro por mais de 40 anos), entusiasta do amor livre, da descriminalização da maconha e do pacifismo, obviamente não estava a fim de calar sobre o que pensava em nenhuma parte, muito menos em seu país natal, os Estados Unidos. Ginsberg era a personificação do livre pensador, gente que costuma incomodar governos, não importa a ideologia reinante.

Com The Clash, Allen Ginsberg gravou ao vivo na lendária turnê no Bonds Club em Times Square, Nova York, no ano de 1981,  o poema Capitol Air, acompanhado pela banda, onde ilustra sua ojeriza à tirania, da direita à esquerda. E onde acaba por contar a história do mundo naquele período, com críticas absurdamente atuais ao capitalismo (eu mesma traduzi; se vocês têm sugestões, o original está aqui).

Capitol Air

Eu não gosto do governo de onde vivo
Eu não gosto da ditadura dos ricos
Eu não gosto de burocratas me dizendo o que comer
Eu não gosto de cães da polícia farejando ao redor dos meus pés

Eu não gosto da censura comunista aos meus livros
Eu não gosto das reclamações marxistas sobre minha aparência
Eu não gosto de Castro insultando membros do meu sexo
Esquerdistas insistindo que nós temos a solução mística

Eu não gosto de capitalistas me vendendo Coca gasolina
Multinacionais queimando árvores da Amazônia para fumar
Grandes corporações dominando o pensamento da mídia
Eu não gosto dos top-bananas que estão roubando os bancos da Guatemala

Eu não gosto dos campos de concentração Gulag da KGB
Eu não gosto da dança da morte dos maoístas cambojanos
15 milhões foram mortos pela secretaria de terror de Stalin
Ele matou nossa velha revolução vermelha para sempre

Eu não gosto de anarquistas gritando que o amor é livre
Eu não gosto da CIA, eles mataram John Kennedy
Tanques paranóicos em Praga e na Hungria
Mas eu não gosto da contra-revolução paga pela CIA

Tirania na Turquia ou Coréia em 1980
Eu não gosto da democracia dos esquadrões da morte da direita
Estado Policial Irã Nicarágua Ontem
Laissez-faire por favor, governos, mantenham sua polícia secreta longe de mim

Eu não gosto de supremacistas nacionalistas brancos ou negros
Eu não gosto dos narcos & máfia vendendo heroína
O general que intimida o Congresso com seu paletó de tweed
O presidente erguendo seus exércitos no Leste & Oeste

Eu não gosto da polícia argentina torturando a verdade
O terror do Governo domina as notícias de El Salvador
Eu não gosto de sionistas agindo como tropas nazistas
Libertação palestina cozinhando Israel dentro da sopa muçulmana

Eu não gosto dos atos oficiais secretos da coroa
Você pode escapar de assassinato no governo, isso é um fato
Policiais anti-choque jogando gás lacrimogêneo em garotos rebeldes
Na Suíça ou Tchecoslováquia Deus proíbe

Na América é Attica, na Rússia são os muros de Lubianca
Na China se você desaparecer nem você mesmo saberia
Insurjam-se, insurjam-se cidadãos do mundo, usem seus pulmões
Respondam aos tiranos todos eles têm medo de suas línguas

200 bilhões de dólares inflaram a guerra mundial
Nos EUA todos os anos eles querem mais
A Rússia tem tantos tanques quanto aviões laser
Dê ou pegue 50 bilhões e nós podemos explodir os cérebros de todo mundo

As escolas faliram porque a História muda toda noite
Metade das nações do mundo são ditaduras de direita
O único lugar do mundo onde o socialismo funcionou foi em Gdansk, cara
O mundo comunista se manteve junto com o sangue de prisioneiros

Os generais dizem que sabem de algo pelo qual vale a pena lutar
Eles nunca dizem o que é até começar uma guerra injusta
A histeria da mídia com os reféns iranianos é um saco
O xá se mandou com 9 bilhões de pilas iranianas

Kermit Roosevelt e seus dólares derrotaram Mossadegh
Eles queriam seu óleo então conseguiram o lixo do aiatolá
Eles apoiaram o xá e treinaram sua polícia, a Savak
Todo o Irã era nosso refém durante um quarto de século. Esta é a verdade, Jack

O bispo Romero disse ao presidente Carter para parar
De mandar armas para a Junta de El Salvador, por isso foi morto
O embaixador White deu o alarme sobre as mentiras da Casa Branca
Reagan o chamou de volta porque ele olhou nos olhos da freira morta

Metade dos votantes não sabia que era tarde demais
As manchetes de jornais chamaram isto de meio comando
Algumas pessoas votaram em Reagan de olhos bem abertos
Três de cada quatro não votaram nele, isto é um desastre

A verdade pode ser difícil, mas a falsidade é fácil
Leia nas entrelinhas, nosso imperialismo é de meia-tigela
Mas se você acha que o Estado do Povo é seu desejo do coração
Pule do fogo de volta para a frigideira

O sistema o sistema na Rússia e na China é igual
Critique o sistema em Budapeste esqueça seu nome
Coca Cola Pepsi Cola na Rússia & China são realidade
Kruschov gritou em Hollywood “Nós vamos enterrar vocês”

América e Rússia querem bombardear uma à outra, OK
Todo mundo morto em ambos os lados todo mundo rezando
Todos exceto os generais em suas cavernas onde podem se esconder
E enrabar uns aos outros esperando pelo próxima aventura

Nenhuma esperança para o comunismo; nenhuma esperança para o capitalismo Yeah
Todo mundo está mentindo em ambos os lados Nyeah Nyeah Nyeah
A sangrenta cortina de ferro do poder militar americano
É a imagem distorcida da torre do demônio vermelho da Rússia

Jesus Cristo era imaculado mas foi crucificado pela multidão
Os soldados da lei e da ordem de Herodes fizeram o trabalho
Flowerpower é bacana, mas não existe proteção para a inocência
O homem que atirou em John Lennon era um admirador

A moral desta canção é que o mundo é um lugar terrível
A indústria científica devora a raça humana
Policiais em todos os países armados com gás lacrimogêneo & TV
Mestres secretos em toda parte burocratizam para mim e para você

Terroristas e policiais juntos constroem a fúria da classe baixa
Assassinos da propaganda manipulam as classes mais altas
Não sabem dizer a diferença entre indesejável & provocador
Se você está se sentindo confuso o governo acertou

Conscientize-se, conscientize-se, onde quer que você esteja não sinta medo
Confie no seu coração, fuja da paranóia, querido
Respire junto com uma mente comum
Armado com Humor alimente & ajude a iluminar o sofrimento da humanidade.

No último disco do Clash, Combat Rock, de 1982, Allen Ginsberg recita poemas e um mantra durante a performance da canção Ghetto Defendant, que escreveu em co-autoria com Joe Strummer.

 São Paulo, sábado, 19 de maio de 2001




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Autor "vinga-se" de Hemingway

DA REPORTAGEM LOCAL

O escritor cubano Leonardo Padura Fuentes, 46, se sentiu com a faca e o queijo na mão quando a Companhia das Letras o convidou para escrever um romance na coleção "Literatura ou Morte", que coloca escritores famosos dentro de uma história criminal.
Padura tinha umas continhas a acertar com um famoso escritor americano que vivera parte de sua vida na ilha: Ernest Hemingway. Ao mesmo tempo que admirava suas obras, o cubano depreciava as falhas de caráter do autor.
O acerto veio na forma de acusação. Seria o velho Hemingway, em seus últimos dias, o autor do assassinato de um agente do FBI cujo esqueleto é encontrado nos jardins de seu sítio? O detetive Mario Conde, personagem de Padura em outros livros ("Máscaras" e "Paisagens do Outono"), é escalado para resolver o mistério.
A resposta para o mistério e para os sentimentos dúbios de Padura está em "Adeus Hemingway". "Senti um alívio", diz. (CYNARA MENEZES)

Folha - Quando li seu livro, pensei num cartaz que vi em Madri: "Hemingway nunca esteve aqui". Os cubanos gostariam de dizer isso?
Leonardo Padura Fuentes -
- Em Cuba, aconteceu igual: ao que parece, Hemingway esteve em todas as partes, ainda que a maior parte do tempo em três lugares: em sua casa, escrevendo; no mar, pescando; e no balcão do bar Floridita, bebendo daiquiris duplos.
Sua relação com Cuba foi mais utilitária que sanguínea: não passava o dia na rua, dançando e perseguindo mulatas, mas aproveitou das vantagens da ilha -clima, mar- para continuar seu trabalho. Por isso, não creio que ali ninguém se recordasse dele.

Folha - O sr. crê que teve uma espécie de catarse com o romance?
Padura -
Não creio que uma catarse, mas senti um alívio. Escrevi bastante crítica e ensaio, mas me custa trabalho aproximar-me desde essa ótica dos autores que são mais próximos a mim, literariamente falando. Por isso teria sido muito difícil escrever sobre Hemingway, um de meus mestres e minha primeira grande influência, "cientificamente".

Folha - Em um trecho do romance, o sr. diz que, próximo do suicídio, Hemingway se sentia um perdedor. Crê que se sentia assim?
Padura -
Sim. Havia perdido várias coisas importantes em sua vida -a capacidade de escrever, de viver aventuras, de amar- e havia perdido em sua guerra contra a própria vida. Num tipo como ele, tantas perdas eram inadmissíveis e, quando viu que estava em um caminho sem volta, optou pelo suicídio. Mas seus anos finais foram tão amargos e terríveis que Hemingway já não se parecia com Hemingway, e a morte era a única que podia devolver sua forma de vida. Paradoxal, não?

Folha - Como foi o trabalho de pesquisa? Há algo de real no livro?
Padura -
O romance é um romance, e nele a ficção flui, a partir de uma realidade comprovada. No caso dos nomes, decidi ser cuidadoso, mas é real a agonia de Hemingway nesses tempos.

Folha - Existe um grupo de seguidores de Hemingway em Cuba?
Padura -
Sim, existem os "hemingwaianos cubanos". Eles se reúnem em colóquios sobre a vida do escritor e lutam para que sua imagem não seja vilipendiada, para que seus livros sejam reeditados, para que se estude sua obra. Não sou afiliado. Minha relação com ele é mais surda.

Grijalbo Fernandes Coutinho

unread,
Feb 22, 2014, 4:00:59 AM2/22/14
to otrabalh...@yahoogrupos.com.br, aula-pos-ufmg-prof-ad...@googlegroups.com, dit...@googlegroups.com, bbj-f...@yahoogrupos.com.br, doutorado, fdufmgpos...@yahoogrupos.com.br, metodologi...@googlegroups.com

Leia os três primeiros capítulos de “O homem que amava os cachorros”, de Leonardo Padura



http://blogdaboitempo.com.br/2013/12/18/leia-os-tres-primeiros-capitulos-de-o-homem-que-amava-os-cachorros-de-leonardo-padura/


Publicado em 18/12/2013 |
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A Boitempo lançou em dezembro de 2013 o premiadíssimo e audacioso romance O homem que amava os cachorros, do escritor cubano Leonardo Padura. O livro relata a vida de Leon Trotski e de seu assassino, o militante comunista Ramón Mercader, em um thriller histórico que coloca em perspectiva a grande utopia do século XX.

O livro já está disponível nas livrarias de todo o país, como a Saraiva, a Livraria da Travessa e a Livraria Cultura. O ebook está à venda na Saraiva e na Amazon.

Confira abaixo links para baixar uma amostra gratuita com os três primeiros capítulos do ebook:

ePub (para ler em seu computador, smartphone, tablet e eReaders)

PDF (para ler em seu computador, tablet, smartphone e eReaders)

mobi (para ler em seu Kindle)

Confira a íntegra do debate Os homens que amavam a revolução, que reuniu Frei Betto, Gilberto Maringoni, Valério Arcary, Osvaldo Coggiola e Breno Altman para o lançamento do livro de Padura:

Emocione-se com o booktrailer do thriller histórico:

Assista entrevista com Leonardo Padura sobre O homem que amava os cachorros, concedida a Emir Sader em Havanna:

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Confira a íntegra do debate Os homens que amavam a revolução, que reuniu Frei Betto, Gilberto Maringoni, Valério Arcary, Osvaldo Coggiola e Breno Altman para o lançamento do livro de Padura:

Emocione-se com o booktrailer do thriller histórico:

Assista entrevista com Leonardo Padura sobre O homem que amava os cachorros, concedida a Emir Sader em Havanna:

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