"Entendo, eu mesmo não me interesso muito pela parte da divulgação, e menos ainda de
ensino, mas gosto da aplicação prática, especificamente na área de
tradução. Mas dentro do possível, me interesso pelo movimento,
naturalmente, e se puder dar uma sugestão aqui ou acolá, faço quando
posso."
É isso aí. "Cada qual no seu quadrado". Contudo, acho
que o movimento, no geral, deveria ter uma prioridade: a divulgação. As demais
atividades, todas importantes, dos grupos, das associações
estaduais/regionais e da LBE (congressos, página na internet, revista BE, comunicação com os associados, libroservo etc.) deveriam e poderiam apresentar sempre o
viés da divulgação, que é uma conscientização a respeito de um tema, de um produto etc. Como um "especialista em generalidades", dou um exemplo: até os livros didáticos deveriam apresentar para os
"lernantoj" a filosofia da língua. Isso não seria um instrumento que
poderia até minimizar a enorme
evasão dos alunos? Ao aprender a língua, o aluno vai adquirindo também a
consciência sobre o esperantismo.
"O outro grupo que foi criado, me parece ser algo mais independente
da LBE, pois que existe sim um descrédito em relação à Liga para
realização de algo consistente, e duradouro. Isso esbarra sempre na
falta de disponibilidade das pessoas, o que é natural e perfeitamente
compreensível. A Liga pode apoiar qualquer iniciativa, mas é uma
instituição que está sempre mudando, ora com membros espalhados pelo
Brasil todo, ora concentrados em Brasília, como agora: ela não tem força
inercial suficiente para manter projetos a longo prazo, cada diretoria é
de um perfil diferente, trabalha de modo próprio."
Na minha opinião o grupo não deveria ser "mais independente da
LBE", mas um dos instrumentos da LBE. Ele foi criado para buscar
propostas de mudanças para acabar justamente com essa situação de
descrédito. As pessoas dizem: "A Liga não faz nada". Ora, precisamos
conceituar as coisas. A Liga deveria ser a caixa de ressonância dos
desejos de progresso dos esperantistas e um instrumento indutor desse
progresso nas mãos dos mesmos. Um catalisador, um polarizador das aspirações dos esperantistas. Por outro lado, os esperantistas deveriam
ser as mãos ou os instrumentos de que a Liga deve dispor para fazer cumprir o
seu papel. Mas não acontece nem uma coisa, nem outra. Eis o problema. A
Liga não faz o que os esperantistas querem, e os esperantistas não se
propõem a fazer o que a Liga pede, ou seja, aquilo que os esperantisas
gostariam que fosse feito, pois a Liga não sabe o que os esperantistas
querem... Círculo vicioso que poderia se tornar um círculo virtuoso. Mão
dupla. Em outras palavras: os esperantistas não recebem tarefas da
Liga, porque a Liga não tem um plano estratégico para ser cumprido pelos
esperantistas, porque esses não ajudam a Liga a elaborar esse plano
estratégico. Entra ano e sai ano, e "tudo como dantes no quartel de
Abrantes". Geralmente consideramos que a Liga é só a diretoria da
instituição, quando deveríamos conceituá-la como o somatório dos
esperantistas brasileiros, associados ou não. Os diretores se propõem, às vezes com alguns ônus financeiros e até mesmo com relação à familia, a realizar um trabalho voluntário, exaustivo, sob os olhares críticos da comunidade esperantista, e, sejamos sinceros, sem os resultados que todos desejamos. Por que? É o que os esperantistas deveriam responder. A Liga, fundada em 1907,
tem um quadro de associados, publica uma revista de 3 em 3 meses,
intermedeia adesões à UEA e assinaturas de algumas revistas, dispõe de
um libroservo, auspicia um congresso anualmente, mantem uma página na
internet e...
"Eu segui um pouco as discussões aqui nesta
lista e vi que tem bastante gente competente, que estava bem instigada,
quem sabe agora, juntando esforços com mais outro pessoal que está
também bastante motivado neste momento, não há uma conjunção melhor,
hein?"
Que bom que há mais pessoas querendo participar e espero que aumentem a motivação e o número de interessados. Não é difícil mudar o quadro, é apenas trabalhoso. É preciso começar e não parar. O Grupo Diskonigado, composto
de muita gente competente nas diversas áreas de atuação do movimento,
apenas começou uma atividade que, salvo melhor juizo, deveria ser
permanentemente administrada pela Liga. A idéia não pode morrer. Estarei torcendo.
"Entendo
que a LBE é super importante, mas só como órgão de apoio oficial, o
trabalho pesado tem que ser feito mesmo é pelos esperantistas,
independentemente de qual diretoria estiver na ativa lá (ou na
inatividade ;-). Só assim para manter as chamas acesas por mais tempo."
Sim, matou a pau! A Liga, como o mais importante núcleo do
movimento, deveria ser o órgão indutor do nosso progresso. Haveria
trabalho para todo mundo, com certeza. Naturalmente, não de uma hora pra
outra, porque as pessoas precisariam acostumar-se a trabalhar para o
movimento, sob o controle, a coordenação, a orientação e o comando da
Liga. O que é iometege difícil, no início. É preciso de muita conscientização. Esse seria o papel da Liga, com o comprometimento de todos. Pois, apesar de plausíveis, as ações individualistas se restringem aos limites dos indivíduos. Quantas coisas boas os nossos valorosos samideanos pensaram e implementaram nos últimos tempos e que depois desapareceram!
O querido Evaldo Pauli disse: "Os homens passam, as instituições ficam". Mas, pra "ficarem", as instituições têm de se adaptar constantemente aos tempos novos.
"Eu mesmo preferiria que não se criasse outro grupo, que se continuasse
com a ideia por aqui mesmo, mas, as pessoas são assim, não têm costume
de pesquisar antes, vão logo criando grupos novos, etc, já me convenci
que não adianta ficar discutindo "detalhes", que se aproveite o embalo,
sem reclamar de atitudes isoladas, para não frear o bonde, né?"
Não
sei se é bom ou ruim criar outro(s) grupo(s). O importante é que nossos
problemas, que são muitos, sejam discutidos e equacionados em sintonia
com a diretoria da Liga, que deve ser o centro formulador de uma
"política de estado" para o encaminhamento e a administração das
soluções, independentemente do local onde moram os diretores da
entidade. Os responsáveis pelo cumprimento dessa política seriam os
esperantistas, sob a coordenação da Liga. Por analogia, os esperantistas
seriam os "pacaj batalantoj", sob o comando geral da instituição LBE.
Essa é a proposta do Grupo Diskonigado, que, aliás, por intermédio de alguns membros que chegaram a participar das reuniões de diretoria da Liga,
começou a fazer isso. No princípio, alguns samideanos se comprometeram a
colaborar mas, por motivos vários, a coisa não foi pra frente. É assim
mesmo. O tempo se encarregará disso. Problemas teremos sempre.
Não menos verdade é que devemos ter sempre um instrumento para detectar,
analisar, equacionar e resolver os problemas. Administrar,
simplesmente.
"E outra coisa, as vezes o orgulho atrapalha pra
caramba. Eu mesmo sinto isso em mim, quando uma ideia não vem de mim
mesmo, sempre sinto uma rejeição a ela. Estou tentando melhorar isso em
mim, e entender nos outros, quando isso acontece, mas é difícil, tenho
que admitir. Bom, eis então outra grande utilidade do Esperanto: nos
ensina a trabalhar em grupo."
Pois é. Em 1993 foi criada a divisa "Ni laboru kune!", que ainda
não deu tudo o que dela se esperava/espera. Somos assim mesmo, é verdade. Mas não significa que não podemos mudar. Ora, pois! Se não
houver mudança em nós, como poderemos mudar o nosso movimento?
Esses grupos, com propostas democráticas, nos ensinam que o "Ni laboru kune!" pode funcionar.
"Propostas
democráticas" significa "propostas democráticas". Discussão até a
exaustão. Com prevalência do bom senso. E cumprimento do estabelecido.
Do contrário... ghis!
"Fica como sugestão, aliem-se à outra
lista, pelo menos para se manterem como espectadores passivos do
movimento, que parece que está se movimentando mais agora."
Abraços,
Felipe Castro.
Tenho
certeza de que os esperantistas vão acertar os rumos. No meu modo de
ver, a proposta do esperanto é um imperativo histórico. Quando os
superiores ideais do ser humano forem vivenciados na Terra, aí estará o
esperanto como a argamassa da globalização do bem, que só se completará
com a adoção de uma segunda língua comum a todos os povos. Sabemos que
língua é essa! Somos responsáveis por ela! E, como tais, bem que poderíamos colocar as cores da divulgação em tudo o que fizermos no nosso movimento.
Parabéns para todos os samideanos, principalmente para os que se preocupam com o nosso progresso.
Abraços,
Shiko Mattos.
PS.: Já
fiz adesão à outra lista. Sempre há um lugar onde aprender
algo mais! Agora, como o espectador improdutivo que avançou um pouco
mais, pois estou empunhando a bandeira de torcedor apaixonado! rsrsrsrs