JURISDIÇÃO DO RELACIONAMENTO (ARNALDO JABOR)
*Texto de Arnaldo Jabor:
Já parou pra pensar sobre a jurisdição do relacionamento?!? É puro
processo.
Todo relacionamento traz embutido um processo de conhecimento, ao qual
se segue o processo de execução.
A doutrina da mocidade, então, inventou as medidas cautelares e a
tutela antecipada. Afinal de contas, com o "ficar", você já obtém aquilo
que conseguiria com o relacionamento principal, e, além do mais, toma
conhecimento de tudo o que possa acontecer no futuro, já estando
precavido.
Esse processo de conhecimento pode, de cara, ser extinto sem julgamento
de mérito, por carência de ação. Pior é o indeferimento da inicial por
inépcia. E sem contar que na ausência do impulso oficial a coisa não vai
pra frente. Havendo ilegitimidade de parte, o que normalmente se
constata apenas na fase probatória; ou ainda, a impossibilidade do
pedido, não tem quem agüente.
E quando é o caso, ainda mais freqüente, de falta de interesse....aí
paciência!
Se ocorrer intervenção de terceiros, a coisa complica, pois amplia
objetiva e subjetivamente o campo do relacionamento, transformando-o em
questão prejudicial.
Pois, como se sabe, todo litisconsórcio ativo é facultativo, dependendo
do grau de abertura e modernidade do relacionamento.
É necessário estar sempre procedendo ao saneamento da relação, para se
manter a higidez das fases futuras.
É um procedimento especial, uma mescla entre processos civil e penal,
podendo seguir o rito ordinário, sumário, ou, até mesmo, o
sumaríssimo...dependendo da disposição de cada um.
A competência para dirimir conflitos é concorrente. E a regra é que se
busque sempre a transação.
Com o passar do tempo, depois de produzidas todas as provas de amor,
chega o momento das alegações finais... é o noivado! Este pode acontecer
por simples requerimento ou então por usucapião. Alguns conseguem a
prescrição nesta fase.
E na hora da sentença: "Eu vos declaro marido e mulher, até que a morte
os separe". Em outras palavras, está condenado a pena de prisão
perpétua.
São colocadas as algemas no dedo esquerdo de cada um, na presença de
todas as testemunhas de acusação.
E, de acordo com as regras de direito das coisas, "o acessório segue o
principal"... casou, ganha uma sogra de presente. E neste caso
específico, ainda temos uma exceção, pois laços de afinidade não se
desfazem com o fim do casamento.
Mas essa sentença faz apenas coisa julgada formal. É possível revê-la a
qualquer tempo... mas se for consensual, tem que esperar um ano,
apenas!
Talvez você consiga um "habeas corpus" e... novamente a liberdade.
Como disse alguém que não me lembro agora, "o casamento é a única
prisão em que se ganha liberdade por mau comportamento".
Ah!!! Nesse caso você será condenado nas custas processuais e a uma
pena restritiva de direitos: prestação pecuniária ou perdimento de bens
e valores.
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