BOB FERNANDES: Toneladas de mercúrio: tragédia anunciada na Amazônia. Krenak e Kopenawa denunciam, ouçam o silêncio
Amigo, Amiga,
Veja e leia em primeira mão o comentário desta terça-feira, dia 21 de março de 2023:
Tragédia anunciada: sob Bolsonaro & militares, mais de 100 toneladas de mercúrio jogadas nos rios da Amazônia. Em 20 anos, 300 milhões de quilos de mercúrio despejados nos rios. Davi Kopenawa, dos Yanomami, e Ailton Krenak denunciam e cobram… Ouçam o silêncio. Vejam:
www.youtube.com/embed/V6qWJQG8iFA
Leia com exclusividade a íntegra do comentário:
TONELADAS DE MERCÚRIO: TRAGÉDIA ANUNCIADA NA AMAZÔNIA. KRENAK E KOPENAWA DENUNCIAM, OUÇAM O SILÊNCIO
Só nos dois primeiros anos do governo de Bolsonaro & militares, 2019 e 2020, 100 toneladas de mercúrio jogadas nos rios da Amazônia.
Nos últimos 20 anos, nos garimpos ilegais da Amazônia, foram despejadas mais de 3 mil toneladas de mercúrio.
Ou seja, 3 milhões de quilos de mercúrio.
Quem beber a água, comer os peixes, a caça, os alimentos, vai ingerir isso.
Esse que vocês acabaram de ver e ouvir, no vídeo da abertura, é Ailton Krenak. Sábado agora, na Fundação Stickel, em São Paulo.
Numa exposição do fotógrafo Valdir Cruz. Presentes Krenak e Davi Kopenawa.
Nos anos 90, Valdir Cruz já fotografava o modo de viver, e também a violência contra o povo Yanomami.
Ailton Krenak é escritor, filósofo, poeta, ambientalista e doutor Honoris Causa pelas Universidades de Brasília e de Juiz de Fora.
Há pouco, eleito para a Academia Mineira de Letras, Ailton é liderança não só do seu povo, Krenak.
Marcante, histórico seu discurso na tribuna da Câmara dos Deputados durante a Assembleia Nacional Constituinte, em 4 de setembro de 1987.
No sábado, na Fundação Stickel lotada, sem registro algum da chamada Grande Imprensa, Krenak antecipou uma tragédia anunciada, a das vítimas da contaminação pelo mercúrio...
Povos do norte do Brasil, e não apenas indígenas, em breve tempo viverão tragédia já vivida no Japão.
Nos anos 50, na baía de Minamata, 5 mil contaminados com graves consequências e 900 mortos pelo mercúrio.
A 29 de março de 2018, no porto de Itajaí, Santa Catarina, foi bloqueada uma carga com 1,7 tonelada de mercúrio.
O suposto pit stop da carga seria em uma empresa fantasma. Em Cuiabá, no Mato Grosso.
E o destino final o garimpo de ouro ilegal na Amazônia.
Início deste março. Escândalo nas manchetes, editorial em TVs e rádios.
O MST havia invadido três fazendas de eucalipto do Grupo Suzano, no sul da Bahia.
Porque acordos de assentamentos feitos em 2021 não haviam sido integralmente cumpridos pelo Grupo.
No Congresso, bancadas da bala e do boi estão ameaçando. 172 deputados querem uma CPI.
Dudu Bolsonaro 03 aproveitou para tentar desviar atenções sobre o desgoverno do pai. O Zero Zero.
As atenções no pai, militares e na família. Flagrados no escândalo dos diamantes da Arábia Saudita, entre outros.
No discurso diversionista da operação “Esqueçam os diamantes”, Dudu anuncia projeto para proibir invasores de estudar e ter qualquer espécie de auxílio. Rachadinha vale.
Se aprovado o projeto para punir invasores, lascadas estariam as bancadas do boi,da bala e do garimpo.
Falta uma explicação convincente para os diamantes. Algo que vá além da velha e manjada propina.
Nesta segunda-feira, Flávio Bolsonaro 01 jurou: desconheciam a carga de quase R$17 milhões em joias e diamantes.
E que, distraídos, ingênuos que são militares e os Bolsonaro, em vez de joias e diamantes poderiam estar transportando "água", disse Flávio.
Água benta, certamente.
À parte artigos do código penal, é uma gente cínica, e profundamente hipócrita.
Em apenas dois anos, 2019 e 2020, terras indígenas no Brasil foram invadidas 568 vezes. Em 22 estados.
Em dois anos, 2020 e 2021, foram assassinados 358 indígenas no Brasil.
Só em 2021, sempre relatório do Conselho Indigenista Missionário, o CIMI, 1.294 casos de violência contra o patrimônio dos povos indígenas.
Perguntem-se, amigas e amigos...
Quantas vezes naqueles dois anos, vocês viram editoriais cobrando a expulsão de invasores de terras indígenas?
O tão ferozmente defendido direito à propriedade só vale para brancos? Não vale para quem já estava nestas terras há pelo menos 40 mil anos?
Até meados do ano passado, mais de 1.310 indígenas mortos pela Covid.
Do ano 2000 até 2021, aberrantes 1.404 suicídios de indígenas. Quase sempre crianças, adolescentes, jovens.
Não é difícil imaginar os motivos.
Nos quatro anos da Era Bolsonaro, 577 crianças Yanomami mortas no genocídio indígena.
Mortas por desnutrição, ingestão de mercúrio, estupros, malária, violências várias.
No sábado, também na Fundação Stickel, Davi Kopenawa.
Grande liderança política e xamã do povo Yanomami.
Kopenawa discursou na língua do seu povo. E disse algo em português.
Há 13 anos, Davi Kopenawa escreveu “A queda do céu - Palavras de um xamã yanomami”.
Livro publicado também na França em parceria com o etnólogo francês Bruce Albert.
Em 2013, a Universidade de Harvard publicou a obra.
Que é também uma predição xamânica sobre a crise climática.
Na última semana, Davi Kopenawa se tornou doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de São Paulo, a UNIFESP.
Juntos, Davi Kopenawa e Ailton Krenak lotaram o SESC da Vila Mariana no evento “O Efeito Kopenawa”.
À ONU, Kopenawa já entregou o relatório “Yanomami sob ataque”.
Cobrando o julgamento de Bolsonaro como “genocida”.
No SESC e na Fundação Stickel, Davi e Krenak voltaram ao tema.
No SESC, com um adendo de Krenak, que lembrou:
- Não é julgamento de uma só pessoa, é julgamento de um Estado.
O vídeo a seguir, já no título, resume. Apaixonado pela mercadoria, o pensamento dos brancos esfumaçou e foi invadido pela noite.
Título inspirado em trechos do livro de Davi, “A queda do céu”.
A produção é de Iramaia Gongora, da Umbabaraúma Produções Artísticas.
Trilha sonora de Eugênio Lima.
Videografia de Vic Von Poser.
Direção artística de Andrea Duarte.
Com belíssimas fotos, gentilmente cedidas pela fotógrafa Claudia Andujar e pelo Instituto Socioambiental (ISA).
A tragédia Yanomami em meio ao genocídio indígena no Brasil move e comove o mundo.
Mas, por aqui, mesmo com auditórios lotados para ouvir Ailton Krenak e Davi Kopenawa, silêncio nas mídias.
Estrondoso silêncio.
Silêncio maior ainda se comparado ao escarcéu nas manchetes e editoriais por conta da ameaça aos eucaliptos da Suzano.
Não é obra do acaso o céu estar caindo.
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