A Luta por uma Vida Significativa

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Dec 16, 2025, 12:53:49 PM12/16/25
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A Luta por uma Vida Significativa

 

25 A Luta por uma Vida Significativa (artigo - evolução espiritual)

 

Chaitanya-charana Dasa

 

Krishna Se sentiu satisfeito depois de criar a forma humana porque somente os seres humanos podem cumprir o propósito da criação. Que propósito é esse?

 

A existência material, quando submetida a um olhar severo, parece fútil. Um leão se lança sobre um cervo e o rasga! Que terror o cervo deve ter experimentado durante seus últimos momentos, enquanto se percebia sendo imobilizado e dilacerado!

 

Ao observar tal brutalidade, naturalistas, como Darwin, postularam que a luta pela existência é a característica inata da natureza. Dada a gravidade dessa luta, declararam que somente os mais aptos poderiam sobreviver. No entanto, não entenderam muito bem – na verdade, até mesmo os mais aptos não conseguem sobreviver; eles também terminam no lado do perdedor na luta pela existência. Eles poderem morrer ou serem extintos um pouco mais tarde do que os menos aptos não muda a inevitabilidade da morte ou da extinção.

 

Contemplação sobre essa dura “natureza da natureza” levanta a questão: Qual é o ponto de tudo isso? Luta, luta, luta e, em seguida, morte – isso é tudo o que existe?

 

Não: existe mais, declaram as grandes tradições de sabedoria do mundo. A sabedoria védica explica que, em nosso núcleo, encontra-se um ser imortal, a alma. Essa alma é a pessoa real. A alma dentro de você é o “você real”, e a alma dentro de mim é o “eu real”. E a alma tem uma relação eterna com a Alma Suprema, Deus, Krishna, que é o Todo-atrativo, a Pessoa Suprema. Redirecionando nosso amor de coisas temporárias para nosso eterno Senhor, podemos elevar a nossa consciência para o nível espiritual de existência, que é ser imortal, além da falta de sentido da existência mortal da matéria.

 

Srimad-Bhagavatam (11.9.28) descreve como o Senhor não Se sentiu satisfeito mesmo depois de ter criado várias espécies não humanas, tendo ficado satisfeito apenas após a criação da forma humana, com sua capacidade de percepção espiritual. Esse verso aparece em uma seção do Bhagavatam que aborda a importância da forma humana, e não o processo de criação. Esse contexto não-criacionista aponta para o que é essencial no verso: não cronologia, mas teleologia.

 

Krishna Se sentiu satisfeito depois de criar a forma humana porque somente os seres humanos podem cumprir o propósito da criação. Esse propósito é oferecer um mecanismo para as almas erguerem-se do mundo temporário para o mundo eterno. A capacidade humana de fazer indagações metafísicas, uma dádiva exclusivamente nossa, nos faz buscar sentido para a vida. Tal pesquisa, se feita sem sentimentalismo, nos obriga a reconhecer que a morte torna a nossa vida atual, essencialmente, sem sentido. Se nós perseverarmos mais em nossa busca, procuraremos por algum sentido que sobrevive à morte e vai além dela. A pesquisa, quando guiada pela sabedoria vinda de escrituras dadas por Deus, nos permite conhecer progressivamente a nossa identidade espiritual e, por fim, alcançar a vida eterna com Krishna.

 

Assim, para a alma aprisionada na aparentemente inútil existência material, a forma humana oferece a inteligência necessária para compreender o ponto de tudo isso. Colocado de outra forma, a forma humana torna significativa toda a existência material. Almas em formas não humanas precisam evoluir, transmigrando até a forma humana, e somente ali poderão conhecer sua identidade espiritual e, assim, transcender a existência material.

 

Infelizmente, muitos seres humanos negligenciam seu privilégio de poderem indagar metafisicamente e dedicam suas vidas a simplesmente buscar prazeres materiais. Como a busca por sentido continua importunando semelhantes materialistas, tentam construir um gigantesco edifício da sociedade, da amizade e do amor materiais. Todavia, todo o edifício desmorona quando o Ceifador vem nos buscar. Assim, muito embora a existência material seja, em última instância, significativa, esse sentido escapa dos humanos que vivem de maneira não espiritual. Assim, a responsabilidade de tornarmos nossa existência significativa, vivendo espiritualmente, repousa sobre cada um de nós.

 

Pertinentemente, o próximo verso (11.9.29: arthadam anityam api) indica que, apesar de a vida humana ser mortal, como a vida em todas as outras espécies, ela tem o poder de propiciar um fruto significativo – o fruto da existência eterna. E o verso exorta-nos a não perder tempo na busca por prazeres corporais disponíveis em todas as outras espécies, mas buscar imediatamente o preenchimento espiritual só disponível na forma humana, tornando a nossa existência, assim, sumamente significativa.

 



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