Resenha de Estilhaça-me

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Lidy

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Sep 4, 2014, 9:56:10 AM9/4/14
to desafiol...@googlegroups.com, online_d...@googlegroups.com
Estilhaça-me é o livro de estreia da autora Tahereh Mafi, lançado recentemente no Brasil pela Editora Novo Conceito.
UAU! Esse livro me deixou no mínimo… sem fôlego.
O que dizer do que eu esperava do livro? Estava bem empolgada quando soube do seu lançamento, mas depois de algumas resenhas comecei a desanimar… Diziam que estavam desapontados com a história e eu fiquei com o pé atrás, com medo de ler e também me decepcionar. Porém… depois de ver a empolgação da Giu Fernandes no twitter e no seu vídeo eu tive que lê-lo logo e ufa! Deu muito certo!
Juliette está há 264 dias isolada das pessoas e do mundo. Ela é perigosa. Seu toque é mortal. Depois de ser confirmada como uma ameaça, ela foi trancada para o seu bem e de toda as pessoas a sua volta.
O mundo não está muito melhor: a atmosfera está destruída, comida e animais são escassos. Um grupo promete resolver a situação: O Restabelecimento. O que sobrou do mundo foi dividido em 3.333 setores, cada um com seu representante. O setor de Juliette é comandado pelo jovem Warner, ele a quer como arma a favor do Restabelecimento. Para impor o respeito necessário.
Como a grande maioria dos livros distópicos, Estilhaça-me traz uma crítica: o consumo desorientado e a falta de respeito aos recursos da natureza, uma hora isso tudo acaba, e segundo o livro, isso tudo acabou e gerou o caos.
A narrativa parece confusa no início com diversas palavras riscadas, alguns leitores não gostaram do estilo utilizado, mas eu gostei. É interessante ver que enquanto a protagonista estava isolada, sua narrativa era enrolada e até mesmo sem muito sentido, mas aos poucos, quando foi sendo libertada e enfim conseguiu pensar direito, a narrativa confusa se esvaiu.  Ou seja, acho que isso foi intencional e não me incomodei.
A história não é toda uma crítica e tem bastante apelo ao romance, não tão meloso como Destino e não tão desapegado como Feios. Aliás, eu achei a combinação de romance e crítica na medida certa, perfeita. Está aí uma boa dica para as pessoas que estão com medo de se arriscar em distopia por achar que pode ser chato e monótono. Eu garanto, não é.

Lidy

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Sep 4, 2014, 10:03:05 AM9/4/14
to desafiol...@googlegroups.com
 
Loucura!
Estilhaça-me começa sem preparação e sem consolo para o leitor desavisado: Quem narra a história é Juliette, uma garota trancada sozinha há mais de 200 dias, e ela não está bem. Economizando a tinta da caneta quebrada, e no entanto riscando pensamentos desconexos de seu diário, ela pode irritar confundir se você não chegar chegando na leitura. Nem sempre completamente composta, ela explica o que precisamos saber desse ambiente distópico – como o mundo está diferente, como os pássaros não voam e como a natureza está devastada. Fala sobre o Restabelecimento e suas falsas promessas.
Apesar de ter todo um fundo político e distópico, Estilhaça-me não se vende exatamente por isso. Ainda é, em primeiro lugar, um romance. Fala de relacionamentos complicados e de pessoas levemente desequilibradas ou dissimuladas. A construção dos personagens é, apesar disso, incrivelmente crível.
Juliette não pode tocar em pessoas; Quando ela o faz, causa sofrimento, dor e, eventualmente, morte. Vamos todos ser sinceros aqui e admitir que qualquer um que leu a descrição da personagem ou mesmo o próprio livro fez a comparação com certa rebelde mutante; eu também fiz. A verdade é que a carência de afeto de Juliette e seus questionamentos e anseios lembram sim essa personagem, mas gostaria de pontuar que a versão mais conhecida dela hoje em dia é a adolescente que nós vimos na TV durante toda a infância, não a clássica série em que seus cabelos eram mais longos e ela voava LIKE A BOSS. I rest my case.
Continuando, Juliette conquistou minha simpatia porque, numa descrição piegas e dramática, a autora tornou-a um ser humano raro e bom. Bom no melhor sentido da palavra – aquele em que a pessoa pensa nos outros antes de pensar em si mesma, em que ela se odeia quando machuca outrem; Ansiando por um toque gentil e um alguém que realmente se importe, que a veja como pessoa e não arma ou monstro, ela mostra uma inocência ingênua que, apesar de piegas e dramática como já pontuado, é digna de simpatia.
Quando você não tem acesso ao mínimo de carinho e gentileza, eventualmente deve tornar-se desequilibrado ou amargurado de tal forma que tudo o que quer fazer é jogar de volta no mundo uma parte do sofrimento vivido; Juliette não faz isso, e apesar de acreditar que ela seria igualmente interessante se fosse o tipo dissimulado, a versão escolhida pela autora me pareceu acertada.
Outro personagem válido é Warner. Com algumas atitudes que parecem beirar uma insanidade incrivelmente lúcida, ele é interessante, insistente, irritante e desconfortavelmente delicioso de ler (tanto que eu até peguei Destroy-me, narrado por ele, para ler). Em contrapartida, há Adam, um salvador, amigo e muito mais para Juliette. Aquele em quem por diversos motivos ela confia. É interessante a construção dos relacionamentos que envolvem esse trio de personagens.
Não dá pra dizer que o relacionamento romântico do livro é exatamente consistente; muito dele é baseado em situações que não dá pra entender, como o isolamento social prolongado, a ausência de contato físico e as agressões psicológicas que os personagens sofrem na e desde a infância. Portanto, claro, eu acredito que os dois estejam apaixonados, mas em geral não sei se o que eles tomam por amor é isso mesmo ou apenas uma conseqüência do isolamento e da carência.
Falando agora dos ‘coadjuvantes’, acho que há um leque bem extenso deles, se ganharem mesmo mais destaque nas continuações como creio que acontecerá. Alguns já ganharam características marcantes, facilitando na hora de situá-los na história. Provavelmente não apenas os personagens secundários, mas também o próprio cenário e distopia ganharão um panorama amplo e, oremos, bem trabalhado.
Estilhaça-me tem também uma linguagem poética que deve ser ressaltada. Para alguém que fala tão pouco, Juliette usa figuras de linguagem como poucos em sua narrativa. Há uma visão romântica e um toque de poesia em sua perspectiva do mundo e dos acontecimentos ao seu redor. Tahereh Mafi tem um talento discreto para criar imagens e associar a fatos na cabeça do leitor.
Enfim, Estilhaça-me é um desses livros cuja definição de bom ou ruim depende do leitor, mas a mim agradou muito. É fácil de ler, tem uma história interessante, um final com abertura perfeita para continuação e personagens que podem crescer e se expandir em participação e contexto. É uma história que pode ganhar o leitor, independente dos comparativos e riscos escolhas de recursos na narrativa.
“O mundo é achatado.
Sei porque fui atirada da margem do planeta e há dezessete anos ando tentando me segurar. Há dezessete anos tenho tentado escalar de volta, mas é quase impossível quando ninguém está disposto a lhe dar a mão.”
“Os pássaros costumavam voar, é o que as histórias dizem. Antes de a camada de ozônio ter se deteriorado, antes de os poluentes terem transformado as criaturas em algo horrível incomum.”
Essa é uma resenha da Dominação Distópica - Filhos do Átomo
 
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Lidy

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Sep 4, 2014, 10:03:36 AM9/4/14
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Loucura!
Estilhaça-me começa sem preparação e sem consolo para o leitor desavisado: Quem narra a história é Juliette, uma garota trancada sozinha há mais de 200 dias, e ela não está bem. Economizando a tinta da caneta quebrada, e no entanto riscando pensamentos desconexos de seu diário, ela pode irritar confundir se você não chegar chegando na leitura. Nem sempre completamente composta, ela explica o que precisamos saber desse ambiente distópico – como o mundo está diferente, como os pássaros não voam e como a natureza está devastada. Fala sobre o Restabelecimento e suas falsas promessas.
Apesar de ter todo um fundo político e distópico, Estilhaça-me não se vende exatamente por isso. Ainda é, em primeiro lugar, um romance. Fala de relacionamentos complicados e de pessoas levemente desequilibradas ou dissimuladas. A construção dos personagens é, apesar disso, incrivelmente crível.
Juliette não pode tocar em pessoas; Quando ela o faz, causa sofrimento, dor e, eventualmente, morte. Vamos todos ser sinceros aqui e admitir que qualquer um que leu a descrição da personagem ou mesmo o próprio livro fez a comparação com certa rebelde mutante; eu também fiz. A verdade é que a carência de afeto de Juliette e seus questionamentos e anseios lembram sim essa personagem, mas gostaria de pontuar que a versão mais conhecida dela hoje em dia é a adolescente que nós vimos na TV durante toda a infância, não a clássica série em que seus cabelos eram mais longos e ela voava LIKE A BOSS. I rest my case.
Continuando, Juliette conquistou minha simpatia porque, numa descrição piegas e dramática, a autora tornou-a um ser humano raro e bom. Bom no melhor sentido da palavra – aquele em que a pessoa pensa nos outros antes de pensar em si mesma, em que ela se odeia quando machuca outrem; Ansiando por um toque gentil e um alguém que realmente se importe, que a veja como pessoa e não arma ou monstro, ela mostra uma inocência ingênua que, apesar de piegas e dramática como já pontuado, é digna de simpatia.
Quando você não tem acesso ao mínimo de carinho e gentileza, eventualmente deve tornar-se desequilibrado ou amargurado de tal forma que tudo o que quer fazer é jogar de volta no mundo uma parte do sofrimento vivido; Juliette não faz isso, e apesar de acreditar que ela seria igualmente interessante se fosse o tipo dissimulado, a versão escolhida pela autora me pareceu acertada.
Outro personagem válido é Warner. Com algumas atitudes que parecem beirar uma insanidade incrivelmente lúcida, ele é interessante, insistente, irritante e desconfortavelmente delicioso de ler (tanto que eu até peguei Destroy-me, narrado por ele, para ler). Em contrapartida, há Adam, um salvador, amigo e muito mais para Juliette. Aquele em quem por diversos motivos ela confia. É interessante a construção dos relacionamentos que envolvem esse trio de personagens.
Não dá pra dizer que o relacionamento romântico do livro é exatamente consistente; muito dele é baseado em situações que não dá pra entender, como o isolamento social prolongado, a ausência de contato físico e as agressões psicológicas que os personagens sofrem na e desde a infância. Portanto, claro, eu acredito que os dois estejam apaixonados, mas em geral não sei se o que eles tomam por amor é isso mesmo ou apenas uma conseqüência do isolamento e da carência.
Falando agora dos ‘coadjuvantes’, acho que há um leque bem extenso deles, se ganharem mesmo mais destaque nas continuações como creio que acontecerá. Alguns já ganharam características marcantes, facilitando na hora de situá-los na história. Provavelmente não apenas os personagens secundários, mas também o próprio cenário e distopia ganharão um panorama amplo e, oremos, bem trabalhado.
Estilhaça-me tem também uma linguagem poética que deve ser ressaltada. Para alguém que fala tão pouco, Juliette usa figuras de linguagem como poucos em sua narrativa. Há uma visão romântica e um toque de poesia em sua perspectiva do mundo e dos acontecimentos ao seu redor. Tahereh Mafi tem um talento discreto para criar imagens e associar a fatos na cabeça do leitor.
Enfim, Estilhaça-me é um desses livros cuja definição de bom ou ruim depende do leitor, mas a mim agradou muito. É fácil de ler, tem uma história interessante, um final com abertura perfeita para continuação e personagens que podem crescer e se expandir em participação e contexto. É uma história que pode ganhar o leitor, independente dos comparativos e riscos escolhas de recursos na narrativa.
“O mundo é achatado.
Sei porque fui atirada da margem do planeta e há dezessete anos ando tentando me segurar. Há dezessete anos tenho tentado escalar de volta, mas é quase impossível quando ninguém está disposto a lhe dar a mão.”
“Os pássaros costumavam voar, é o que as histórias dizem. Antes de a camada de ozônio ter se deteriorado, antes de os poluentes terem transformado as criaturas em algo horrível incomum.”
Essa é uma resenha da Dominação Distópica - Filhos do Átomo   
----- Original Message -----
From: Lidy
Sent: Thursday, September 04, 2014 10:57 AM
Subject: {desafioliterario} Resenha de Estilhaça-me

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