Resenha: a Cor púrpura (Alice Walker)

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Lucas Antonio

unread,
Jan 22, 2018, 5:36:00 PM1/22/18
to acessibilid...@googlegroups.com, aprendendoaqui, desafioliterario, mundo-celestrin, ondaslivrescas
"Uma narrativa que dói." Essa talvez seja a melhor forma de definir "A Cor Púrpura", romance de Alice Walker. Depois de ler as duas primeiras partes da trilogia "o Tempo e o vento", aquela obra começou à enfastiar-me. As personagens, a cidade e mesmo a história já não pareciam tão interessantes, então decidi deixar os últimos livros para mais tarde. Érico Veríssimo é um escritor bastante talentoso, e seus enredos nos prendem do início ao fim; mas mesmo o melhor livro, se lido demais, acaba por aborrecer.
Ao concluir a leitura de "o Retrato", hesitei antes de começar outra. Os dias estavam bastante corridos, e eu esperava o resultado do vestibular da Federal. Além do mais, nenhum autor ou gênero me atraía. Nem conto, nem romance, nem biografia, nem nada...
Mas, num fim de tarde, revisando uma pequena lista de obras que pretendo ler, encontrei 'a Cor Púrpura". Não me lembrava de tê-la posto ali, e pouco sabia sobre ela. Algumas pessoas diziam ser uma leitura um tanto difícil e cheia de nuances, mas que valia a pena. Quando a iniciei, porém, não imaginei que fosse tanto! O drama nos sensibiliza do início ao fim, de forma por vezes crua e extremamente direta.
Já no parágrafo inicial, as frases nos chamam atenção pela simplicidade, pela força narrativa, mas principalmente pela escrita não convencional, que está presente no livro todo: "Eu tenho quatorze ano. Eu sou. Eu sempre fui uma boa minina. Quem sabe o senhor pode dar um sinal preu saber o que tá contecendo comigo".
E aos poucos, vamos entrando no universo de Celie, uma protagonista bastante complexa. Vivendo no sul dos Estados Unidos em meados dos anos cinquenta, está acostumada com a opressão. Mulher, pobre, negra e quase analfabeta, sofre preconceitos de toda sorte, julgando que tudo aquilo é normal, e faz parte de sua condição social.
Nas cartas que escreve para Deus, e depois para a irmã, relata seus sonhos, ambições, medos e desejos. A vida, para ela, nunca fora fácil; separada da irmã, vítima de um casamento arranjado e infeliz, vivendo para o trabalho e não conhecendo domingo nem feriado, deixa que os anos corram. Futuro? Não tem; satisfação e alegria? Não há... Com tudo isso, o livro pode parecer um mero dramalhão clássico, mas sua elegância está mais a diante.
Em meio a toda aquela pasmaceira, um nome vem mudar tudo: "Shug Avery". Igualmente negra e pobre, mas com uma vida totalmente diferente. Com Shug, muita coisa começa a ficar evidente, e os horizontes de Celie se ampliam. A opressão já não pode ser tolerada; os maus tratos, o trabalho incessante e a baixa autoestima não devem ser aceitos, mas combatidos de todas as maneiras.
Conforme a história avança, percebemos que, em alguma medida, todos os personagens possuem traumas, sofrimentos ocultos, paixões que precisam esconder. Vítimas e algozes, permanentemente parecem estar em busca de algo que não podem encontrar. O racismo está perturbadoramente presente, mesmo entre quem sofre com ele. Alice Walker, de forma magistral, sintetiza perfeitamente os sentimentos daqueles que, pelas circunstâncias, são amargos, sem, entretanto, perder a vontade de viver.
Feminista e tendo sentido o racismo na própria pele, a autora não hesitou em expor, em sua ficção, as situações terrivelmente reais daquela época. A indignidade, a apatia, o ódio, por vezes claro, por vezes oculto, mas sempre devastador. Há também o o amor. Amor que dava forças, e impelia as pessoas negras à sempre continuar, e nunca desistir.
Dos Estados Unidos, somos levados para a África, no coração de uma selva. Ali, também o mal estava presente. A inveja, a cobiça, a ambição, o machismo e o sofrimento eram vistos como inevitáveis, e pouco poderia ser feito. O homem branco, chegando com suas máquinas, abria estradas e não tinha limite em seus intentos de colonização. Queria produtos, queria estradas, queria que os nativos civilizassem-se, pois julgava-se dono daquela terra.
Por vezes, ainda hoje, tendemos à ver os negros como população homogênea, nos arriscando a fazer uma leitura simplista da realidade. Em "a Cor púrpura", porém, notamos quanta diversidade há na comunidade negra, em todos os aspectos. Os africanos nativos, por vezes, não aceitavam os estadunidenses, mesmo eles sendo da mesma cor; entre as tribos, havia desentendimentos e guerras, além das doenças que, por causa da interferência no meio-ambiente, proliferavam-se.
"Como acabar com tal realidade?" Os anos passam, e com eles também vão-se os ódios, os ressentimentos, as mágoas e os machucados, mesmo os mais profundos. A velhice chega para todos, mas, mesmo após todos aqueles anos, é triste constatar o quanto a desigualdade ainda imperava. Os personagens estão unidos. Depois de procurar durante tanto tempo, encontraram a paz tão acalentadora. Lá fora, todavia, o mundo continuava louco. Racismo, misoginia, cobiça... Eles, porém, já estavam velhos; que os outros continuassem, sim, que continuassem sempre à viver, fazendo de suas vidas uma luta permanente contra a desigualdade e as mazelas sociais...
O livro é bastante bom, mas, por causa de seu conteúdo extremamente pesado e denso, não recomendo sua leitura para qualquer pessoa.

Elza Lopes de Oliveira

unread,
Jan 24, 2018, 9:27:15 AM1/24/18
to desafiol...@googlegroups.com
Bom dia, por favor estou atrás do áudio da série Guerra dos Tronos, se alguém tiver agradeço. Bjs

Livre de vírus. www.avast.com.


--
O Desafio Literário     foi criado com o objetivo de proporcionar uma boa leitura a todos para um
bom entretenimento e um ótimo conhecimento, No entanto,
não é permitido neste espaço a postagem de qualquer email com palavras de baixo calão. contamos com a colaboração de todos
boa leitura!
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Profª Esp. Elza L. de Oliveira
Coordenação - Núcleo de Convivência
Centro de Apoio Pedagógico à Pessoa Cega

Lucas Antonio

unread,
Feb 16, 2018, 6:05:01 PM2/16/18
to desafiol...@googlegroups.com
Anexo, amiguinha!

Lucas Antonio

www.lucasantoniocwb.blogspot.com

-----Mensagem original-----
De: Lane Almeida
Enviada em: Sexta, 16 de Fevereiro de 2018 14:35
Para: desafiol...@googlegroups.com
Cc: ondaslivrescas; mundo-celestrin; desafioliterario; aprendendoaqui
Assunto: {desafioliterario} Re: Resenha: a Cor púrpura (Alice Walker)

Ooi'

Estou estudando preconceito e sua relação com a criminalidade em
psicologia forence e criminal. Pode me enviar o livro? Me interessei.

Grata

Abraços'-
-----Mensagem original-----
De: "Lucas Antonio" <lucasan...@gmail.com>
Para: <acessibilid...@googlegroups.com>
Data: Segunda, 22 de Janeiro de 2018 14:35
Assunto: {desafioliterario} Resenha: a Cor púrpura (Alice Walker)

"Uma narrativa que dói." Essa talvez seja a melhor forma de definir "A Cor Púrpura", romance de Alice Walker. Depois de ler as duas primeiras partes da trilogia
"o Tempo e o vento", aquela obra começou à enfastiar-me. As personagens, a cidade e mesmo a história já nà£o pareciam tão interessantes, então decidi deixar os últimos
livros para mais tarde. Érico Veríssimo é um escritor bastante talentoso, e seus enredos nos prendem do início ao fim; mas mesmo o melhor livro, se lido demais,
acaba por aborrecer.
Ao concluir a leitura de "o Retrato", hesitei antes de começar outra. Os dias estavam bastante corridos, e eu esperava o resultado do vestibular da Federal. Além
do mais, nenhum autor ou gênero me atraía. Nem conto, nem romance, nem biografia, nem nada...
Mas, num fim de tarde, revisando uma pequena lista de obras que pretendo ler, encontrei 'a Cor Púrpura". Não me lembrava de tê-la posto ali, e pouco sabia sobre
ela. Algumas pessoas diziam ser uma leitura um tanto difícil e cheia de nuances, mas que valia a pena. Quando a iniciei, porém, não imaginei que fosse tanto! O drama
nos sensibiliza do início ao fim, de forma por vezes crua e extremamente direta.
Já no parágrafo inicial, as frases nos chamam atenção pela simplicidade, pela força narrativa, mas principalmente pela escrita não convencional, que está presente
no livro todo: "Eu tenho quatorze ano. Eu sou. Eu sempre fui uma boa minina. Quem sabe o senhor pode dar um sinal preu saber o que tá contecendo comigo".
E aos poucos, vamos entrando no universo de Celie, uma protagonista bastante complexa. Vivendo no sul dos Estados Unidos em meados dos anos cinquenta, está acostumada
com a opressão. Mulher, pobre, negra e quase analfabeta, sofre preconceitos de toda sorte, julgando que tudo aquilo é normal, e faz parte de sua condição social.
Nas cartas que escreve para Deus, e depois para a irmã, relata seus sonhos, ambições, medos e desejos. A vida, para ela, nunca fora fácil; separada da irmã, vítima
de um casamento arranjado e infeliz, vivendo para o trabalho e não conhecendo domingo nem feriado, deixa que os anos corram. Futuro? Não tem; satisfação e alegria?
Não há... Com tudo isso, o livro pode parecer um mero dramalhão clássico, mas sua elegância está mais a diante.
Em meio a toda aquela pasmaceira, um nome vem mudar tudo: "Shug Avery". Igualmente negra e pobre, mas com uma vida totalmente diferente. Com Shug, muita coisa começa
a ficar evidente, e os horizontes de Celie se ampliam. A opressão já não pode ser tolerada; os maus tratos, o trabalho incessante e a baixa autoestima não devem
ser aceitos, mas combatidos de todas as maneiras.
Conforme a história avança, percebemos que, em alguma medida, todos os personagens possuem traumas, sofrimentos ocultos, paixões que precisam esconder. Vítimas
e algozes, permanentemente parecem estar em busca de algo que não podem encontrar. O racismo está perturbadoramente presente, mesmo entre quem sofre com ele. Alice
Walker, de forma magistral, sintetiza perfeitamente os sentimentos daqueles que, pelas circunstâncias, são amargos, sem, entretanto, perder a vontade de viver.
Feminista e tendo sentido o racismo na própria pele, a autora não hesitou em expor, em sua ficção, as situações terrivelmente reais daquela época. A indignidade,
a apatia, o ódio, por vezes claro, por vezes oculto, mas sempre devastador. Há também o o amor. Amor que dava forças, e impelia as pessoas negras à sempre continuar,
e nunca desistir.
Dos Estados Unidos, somos levados para a África, no coração de uma selva. Ali, também o mal estava presente. A inveja, a cobià§a, a ambição, o machismo e o sofrimento
eram vistos como inevitáveis, e pouco poderia ser feito. O homem branco, chegando com suas máquinas, abria estradas e não tinha limite em seus intentos de colonização.
Queria produtos, queria estradas, queria que os nativos civilizassem-se, pois julgava-se dono daquela terra.
Por vezes, ainda hoje, tendemos à ver os negros como populaçà£o homogênea, nos arriscando a fazer uma leitura simplista da realidade. Em "a Cor púrpura", porém,
notamos quanta diversidade hà¡ na comunidade negra, em todos os aspectos. Os africanos nativos, por vezes, não aceitavam os estadunidenses, mesmo eles sendo da mesma
cor; entre as tribos, havia desentendimentos e guerras, além das doenças que, por causa da interferência no meio-ambiente, proliferavam-se.
"Como acabar com tal realidade?" Os anos passam, e com eles também vão-se os ódios, os ressentimentos, as mágoas e os machucados, mesmo os mais profundos. A velhice
chega para todos, mas, mesmo após todos aqueles anos, é triste constatar o quanto a desigualdade ainda imperava. Os personagens estão unidos. Depois de procurar
durante tanto tempo, encontraram a paz tão acalentadora. Lá fora, todavia, o mundo continuava louco. Racismo, misoginia, cobiça... Eles, porém, já estavam velhos;
que os outros continuassem, sim, que continuassem sempre à viver, fazendo de suas vidas uma luta permanente contra a desigualdade e as mazelas sociais...
O livro é bastante bom, mas, por causa de seu conteúdo extremamente pesado e denso, não recomendo sua leitura para qualquer pessoa.

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O Desafio Literário foi criado com o objetivo de proporcionar uma boa leitura a todos para um
bom entretenimento e um ótimo conhecimento, No entanto,
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boa leitura!
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boa leitura!
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A Cor Púrpura - Alice Walker.txt
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