Game of Thrones S03E05
“Isso é um SPOILER até mesmo pra você”
Meio caminho percorrido, somamos dois episódios para alongamento e aquecimento, uma corrida de leve até Daenerys finalmente mostrar a que veio e cá estamos a uma velocidade frenética para alcançar os objetivos desta terceira temporada que, como ficou claro neste quinto episódio, são os casamentos entre casas importantes para redesenhar a balança de poder de Westeros. Ainda que o ritmo tenha sido acelerado (cheguei a checar o relógio pensando que assistia a um episódio mais longo), Alex Graves segurou a boa mão do episódio anterior e graças a um roteiro muito bem estruturado de Bryan Cogman (e com as rimas de sempre), foi possível avançar (muito) praticamente todos os núcleos da história sem comprometer o entendimento do espectador e de quebra mostrar os desgastes de todos os líderes em função de intrigas internas e externas em Westeros e em Essos. É, portanto, um episódio voltado para o andamento da história, esbarrando em muitas tramas abertas no passado da série e mesmo da diegese de As Crônicas de Gelo e Fogo como veremos adiante.
A começar por Jon Snow, o bastardo foi enviado para se infiltrar como um desertor no grupo de Mance e desde que foi obrigado a matar Qhorin como primeira prova de sua escolha, todos os testes para atestar sua traição foram colocados a sua frente, seja confirmando as visões de Orell, seja rompendo o voto de castidade ao perder sua virgindade com Ygritte, beijada pelo fogo, dentro de uma caverna. E aqui o primeiro sinal da eficiência do roteiro ao pular do núcleo de Jon para Arya, também dentro de uma caverna para o julgamento por combate entre Clegane e Dondarrion (beijado pelo... fogo?), morto e ressuscitado pelo Senhor de Thoros de Myr.
O poder de R’hllor ressurge na história como um elemento fantástico ainda mais forte da trama, mas é o fanatismo de seus seguidores que mais importa neste episódio (eu tomaria facilmente como o fanatismo empregado pelas religiões monoteístas do nosso mundo aqui fora). O Senhor da Luz surge – viva o roteiro! – como ligação para o núcleo de Davos, agora preso por se opor a Melisandre. É neste núcleo que somos apresentados, finalmente, à Selyse Florent e Shireen Baratheon e com isso o espectador tem dois importantes impactos: o fanatismo religioso da esposa ao aceitar a relação do marido com a mulher de vermelho e sua obsessão por dar um herdeiro a Stannis ilustrada de forma macabra pela exposição dos fetos mortos dentro de um quarto do qual ela não sai.
Essa violência gratuita e explícita também nos leva ao núcleo de Catelyn Tully Stark, que mesmo prisioneira, ainda atua como conselheira do Rei do Norte ao lado do irmão e da nora quando Robb enfrenta a pior das intrigas entre seus comandantes: Rickard Karstark é responsável pela morte de dois jovens Lannisters (aqueles capturados por Edmure). Em um preciso enquadramento, Catelyn, Edmure e Talisa são retratados lado a lado enquanto Robb, ignorando a todos os conselhos, cumpre uma sentença assim como Ned no episódio piloto. A sequência de erros que culmina neste momento de Robb Stark é o mais interessante. Primeiro, Cat liberta Jaime, o que enfurece Rickard. Depois Edmure captura as crianças Lannister, assassinadas pelos Karstark para compensar a perda dos filhos e a liberdade de Jaime. Por fim, Robb executa uma pena que envolve muito mais do que uma simples traição, já que tira a vida de um lorde nortenho com laços familiares com os Stark. O que resta a Robb nesta guerra? Com Winterfell queimada, sem os homens de Karhold e com Bolton em Harrenhal, Robb admite tomar Casterly Rock e para isso decide selar um casamento entre alguém de sua casa com neta de Walder Frey.
Enquanto isso, o extravagante casamento real segue em projeto de Olenna Tyrell e os núcleos de Sansa e Tyrion se unem uma vez que Tywin decide casar o anão para ligar sua casa ao norte, apostando que Sansa será a herdeira após a derrota de Robb na guerra. A menina já havia sido cogitada para se casar com Loras, o que daria a Jardins de Cima o controle do Norte, além de ter a Rainha Margaery. Mas Mindinho, já Senhor de Harenhal – agora ocupada por Bolton, também teria o controle do norte casando-se com Sansa. Entretanto é Cersei que passa a ser a prometida de Loras, o que lhe causa desespero, já que seria seu segundo casamento forçado, bem como seu desejo por Jaime.
E mesmo com muita história desenrolada neste quinto episódio, quem se destaca (e com muito tempo em tela) é o dinamarquês Nikolaj Coster-Waldau que sedimenta de uma vez por todas a tridimensionalidade de Jaime em um (quase) monólogo melancólico e cheio de dor, como se todo aquele personagem-dentro-do-personagem fosse colocado pra fora justificando com muita propriedade o assassinato de Aerys. A cena é tão eficiente que estabelece uma rima visual com o banho de Jon e Ygritte, posiciona o espectador com uma ótica completamente diferente na Guerra do Usurpador, coloca a dura personagem Brienne em uma posição de fragilidade sem sua armadura e ainda assim com uma humanidade tocante percebe que depois de tudo aquilo, ainda cometeu o ato falho de chamá-lo de regicida. Cena épica. Perceba como é maravilhoso que quando Brienne o toma nos braços para ajudá-lo, ela grita “Regicida!” e ele apenas diz que tem um nome. “Jaime” – este que somente Cersei conheceu.
Rodrigo Baldin

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Aliás, parece que o grande tema desse episódio foi os sacrifícios feitos em nome da lealdade.
Thoros pela justiça.
Jon Snow pelos corvos.
Jaime pelo pai E pela cidade.
Rickard pela vingança.
Robb pela honra.
Tyrion e Cersei pela família.
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