Game of Thrones S03E02
Dark winds, dark spoilers.
O elemento mais importante da narrativa adotada para essa temporada é a ironia dramática. Em contraste com as temporadas anteriores, onde todos os arcos dramáticos tinham um tom de conspiração girando em torno de Ned Stark, na terceira temporada já sabemos que Sansa não é a tola que passeia pelos limites de sua prisão psicológica, que Jon foi enviado ao Norte por Mormont, que Margaery é hábil com as palavras para encantar o rei etc.. Em outras palavras, Game of Thrones faz o espectador ter o controle da história adotando uma narrativa irrestrita na maioria dos núcleos, ao contrário da narrativa absolutamente restrita da primeira temporada, quando sabíamos tanto quanto Ned Stark. A maioria dos núcleos estavam ligados a ele e dele dependíamos para compreender tudo o que ali se passava. Com a morte de Ned, a impressão foi que tudo estava perdido.
E... funciona. Por quê?
Apesar de não ficar muito explícito até este segundo episódio (a não ser pela movimentação das tropas de Robb), Westeros está em estado de guerra total e todos estão sofrendo sérias consequências. E sérias consequências resultam em reviravoltas que deixam o espectador com a impressão de que... tudo está perdido. Ops... acabei de mencionar isso? Aqui reside a genialidade de GRRM, Benioff e Weiss. O tom dessa terceira temporada é “Espectador, tenha absoluto controle da narrativa. Até breve!”
Dito isso, o roteiro do segundo episódio, por Vanessa Taylor, foi quase completamente escrito para apresentar novas e importantes personagens que não couberam no primeiro e para trazer de volta os núcleos de Bran, Arya Stark e Theon Greyjoy. Olenna Tyrell no núcleo de Sansa, Orell no de Jon Snow, Jojen e Meera Reed no de Bran, Thoros de Myr e Anguy no de Arya, Vargo Hoat no de Brienne.
Montado com muita eficiência e fluidez (notem os raccords de Catelyn pra Theon e de Joffrey pra Sansa, por exemplo), o episódio avançou muito mais a história do que o primeiro. Exceto duas cenas descartáveis e irritantes (a de Tarly e a de Tyrion com Shae, nessa ordem), foi excelente perceber os contornos que os sonhos de Bran passam a ter com a presença de Jojen, e a decisão de trazer a voz de Ned para a cena foi fundamental para criar a misteriosa relação entre presente, passado e futuro dentro dos poderes dos dois jovens. Com o mesmo peso dramático, Olenna surge como uma verdadeira ameaça aos Lannisters em Porto Real, uma sombra que cresce sem que Cersei possa combater, já que parece perder o controle sobre o próprio filho cada vez mais encantado pela noiva.
Arya Stark encontra a Irmandade Sem Estandarte e tem sua identidade revelada por um inesperado cativo e algo semelhante acontece com Jaime, agora capturado por um grupo com o estandarte de Roose Bolton. Os dois núcleos tiveram uma sequência semelhante onde a revelação das identidades de ambos fora precedida por duelos de espada (claro que o de Arya não foi bem um combate), mas em termos estéticos isso pareceu bem interessante para ajudar a fluir o episódio.
Theon também voltou sob tortura, e quem esteve mais atento nos diálogos dos dois primeiros episódios sabe que é o filho de Bolton que agora mantém Winterfell.
E é com Catelyn que termino meu review. Ah, Cat. É, pra mim, o arco dramático mais trágico. Catelyn Tully é uma mãe que cresceu com um filho bastardo sob o mesmo teto. Que viu o segundo filho mais jovem sofrer um atentado por um homem que precisou libertar meses depois. Mas que antes disso teve que deixar os dois mais jovens para acompanhar seu primogênito em uma guerra, o mesmo que agora a mantém prisioneira. Viúva, teve as filhas cativas nas mãos dos principais inimigos. E que agora recebe a notícia da morte do pai e a supostamente dos dois mais jovens, que ela deixou pra trás. Ah, Cat. Dark wings, dark words.
Nossa sorte é que graças a narrativa irrestrita sabemos tudo o que acontecerá com nossas mais queridas personagens. E, por isso, sabemos que Catelyn ficará bem. Gods be good.
Rodrigo Baldin

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Ele já veio sem a língua presa. Pode ser que seja uma mistura de alguns, assim como foi com Orell (que é Varamyr e Orell no mesmo sujeito) e Ros (que substituiu Chataya e mais uma quinhentas prostitutas da história).
Eu particularmente gosto das cenas criadas especialmente pra série. Na primeira temporada havia muita discussão entre Varys e Mindinho e no último episódio ainda rola um plano belíssimo que fotografa ambos em pleno equilíbrio de forças.
Rodrigo Baldin

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