Game of Thrones - S03E01
“You want to be a SPOILER” (Mance Rayder)
Quando Daenerys Targaryen retorna mais ou menos na metade do primeiro episódio da terceira temporada, surge admirada com o desenvolvimento dos seus filhos dragões que voam ao redor do navio que conseguira em Qarth para seguir viagem a Astapor em busca do seu exército. E imediatamente salta aos olhos o grande problema da adaptação da HBO, que eu já tinha citado durante a segunda temporada e que tende a se agravar ainda mais na linha narrativa da Dany: na tentativa de impor um ritmo semelhante aos acontecimentos em Westeros, Benioff e Weiss optaram por acelerar os acontecimentos em torno da Mãe dos Dragões, o que até mesmo Sor Jorah percebeu quando disse que “os dragões estavam crescendo muito rápido”.
A terceira temporada começa sugerindo um ritmo frenético, já que inicialmente nos coloca exatamente onde a segunda temporada acabou: com os Outros avançando para o Punho dos Primeiros Homens. Tudo parecia perfeito para uma sequência de ação, desde o cenário até a trilha sonora e o desespero de Sam Tarly e... infelizmente temos um balde de água fria e vemos apenas um morto-vivo impedido de matar Tarly, quando surge o lobo gigante de Jon Snow, Fantasma.
Vejamos que cronologicamente as duas cenas citadas se confrontam, assim como com o resgate de uma personagem importante do arco de Stannis (ligado no piloto automático de Stephen Dillane), a terceira temporada se inicia imediatamente após a anterior e a necessidade de correr com os acontecimentos em Essos (onde viaja Dany) faz com que os dragões cresçam depressa sem muitas explicações. É claro que o tamanho dos dragões não é o maior problema, mas é um sintoma. Daenerys tem, no material original, o mais longo e arrastado arco, no qual passam inúmeras personagens para testar de todas as maneiras as virtudes da princesa, pois todos sabem que ela tem dragões e isso a transforma em um alvo para todo tipo de cobiça. Assim, é também uma decepção verificar o retorno de um personagem importante para a trama já se apresentando com sua verdadeira identidade, já que no material original isso levaria muito mais tempo, fazendo com que Dany passasse a desconfiar de suas intenções, mesmo depois de ter provado de sua lealdade. O não só roteiro prejudica a personagem ao tentar encaixar tudo o que ela passa em poucos episódios, mas repetidamente expõe a relação entre ela e Sor Jorah com a mesma receita de diálogos: Sor Jorah lhe diz algo, ela retruca e antes que concluir sua frase, seu fiel cavaleiro a interrompe para complementar sua fala com algo de efeito. Irritante. O lado positivo dessa corrida é que Dany foi diretamente jogada diante do exército de Imaculados e pelo menos nessa temporada ela terá o que fazer, deixando de ser uma pedinte caminhando pelo deserto sem muito rumo.
Apesar desses problemas que devem se arrastar por toda a temporada, é como chover no molhado elogiar os efeitos visuais e o nível de detalhes no figurino, como o broche simbolizando a casa de Petyr Baelish e o vestido com metais de Cersei, que mesmo com a tranquilidade de ter o pai e toda a Guarda Real por perto, ainda mergulha na paranoia de sempre estar em perigo.
Ainda em Porto Real, Tyrion surge pela primeira vez em um reflexo, o que me pareceu uma bonita metáfora para o que é a capital depois da Batalha da Água Negra. Os reflexos de sua atuação como Mão do Rei estão agora por toda parte, desde destroços de navios pela baia até a presença dos Tyrells – lembremos, antes apoiadores da causa de Renly Baratheon. Mas é na conversa com o pai que reside o grande peso sobre os ombros do anão. Responsabilizado pela morte da mãe no seu nascimento e ridicularizado por seu aspecto físico, Tyrion se lança em um diálogo praticamente suicida contra Tywin e, como esperava, sai derrotado, mas com uma visão muito mais clara da sua posição no reino. O que é ainda mais especial é Tywin dizer que não consegue provar que Tyrion não é seu filho, mas mesmo assim não dará a ele Rochedo Casterly, que pode ser uma semente para a paternidade do anão, já que nenhuma mulher de outra família sobrevive a um parto de Targaryen. Sim. É isso mesmo que você pensou e é isso que disse Tywin. E quem esteve atento à mise-en-scène, percebeu que o foco de Tywin estava nas correspondências que escrevia, já que para ele nem todas as batalhas são travadas no campo.
Em Harrenhal, Robb segue avançando com seu exército e o mais relevante foi a apresentação de Qyburn que ganhará (muita) importância ao longo da temporada. Menção honrosa às falas de Bolton, que disse ter colocado seus melhores caçadores em busca de Jaime Lannister.
Por fim, voltando para Além da Muralha, é muito interessante ver que os selvagens não são tão selvagens assim. Aliás, este é um dos temas preferidos deste que aqui escreve. Acostumado a acreditar que o mundo civilizado são os Sete Reinos de Westeros, perceber a simplicidade de Mance Rayder entre seus comandantes em uma belíssima cena de Ciarán Hinds foi o ponto alto do episódio, mesmo sendo uma cena inferior a criada por GRRM. A HBO perdeu a chance de manter a confusão de Jon Snow ao dobrar os joelhos diante do rei errado ao ignorar um músico sereno dentro da tenda, este sim Mance Rayder, o maior símbolo de liberdade de As Crônicas de Gelo e Fogo.
Rodrigo Baldin

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